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Amor sob contrato. A noiva substituta
img img Amor sob contrato. A noiva substituta img Capítulo 4 04. O pacto de silêncio
4 Capítulo
Capítulo 6 06. A seda rasgada img
Capítulo 7 07. O corpo ferido img
Capítulo 8 08. Armadilhas img
Capítulo 9 09. O instinto da servidão img
Capítulo 10 10. O retorno ao cativeiro img
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Capítulo 4 04. O pacto de silêncio

Penélope

Com mais de um metro e oitenta de altura, seus ombros largos e seu físico esculpido irradiavam força bruta. Cabelos negros como a meia-noite emolduravam um rosto frio, afiado e angular, com olhos escuros que pareciam perfurar minha alma. Seus braços eram musculosos; eu podia vê-los saltando sob o terno ajustado. Sua presença era magnética, porém assustadora, como a de um predador perigoso envolto em chamas.

Um frio percorreu minha espinha. Percebi que estava tempo demais parada. A mão pesada do senhor Benedite me impulsionou para frente. Um passo depois do outro, percebi que seguiria sozinha em direção ao homem desconhecido.

Quando meu olhar se encontrou com o dele, ofeguei e minhas bochechas esquentaram. Ele era tão lindo que eu mal podia descrevê-lo. Imediatamente abaixei a cabeça; não conseguia continuar olhando sem me sentir intimidada, até me lembrar de que Nicolas não podia ver o meu rosto coberto pelo véu.

Vi o momento exato em que ele estendeu a mão para mim. Minha respiração falhou. Nunca estive com outro homem que não fosse Lionel. Eu mal o deixava me tocar e, agora, teria que segurar a mão de um desconhecido.

Quando ele avançou, seu cheiro me atingiu. Sua mão quente segurou a minha. Seu toque levou um breve sorriso ao meu rosto, indicando para eu não ter receio. Ainda assim, minhas pernas falharam quando ele me conduziu ao altar.

Eu congelei, meu rosto esquentando rapidamente. Ainda bem que ninguém podia ver o quanto eu estava envergonhada e com medo. Os convidados ao redor sorriam; não eram muitos, apenas algumas testemunhas daquele acordo de casamento.

Meu coração disparou quando o juiz perguntou se eu aceitava me casar com Nicolas Becker. Minha garganta seca quase não me deixou responder, e o som que saiu da minha boca foi rascante e fraco.

- Sim, eu aceito.

No segundo seguinte, Nicolas segurou minha mão e colocou uma aliança nela. Não havia nenhum traço de sentimento em seu rosto tão bem esculpido; nenhum sorriso, nada que demonstrasse que ele estava feliz com aquele acordo.

Encolhi-me quando ele soltou minha mão. Os convidados aplaudiram enquanto assinei o documento. Agora eu estava presa àquele homem, sem saber ao certo o meu destino.

Meus olhos se estreitaram. Nicolas estava rodeado pelos convidados, sendo parabenizado. O senhor Benedite sorria, apertando a mão do seu mais novo sócio. Fiquei enojada com aquela cena. Ele era cínico por vender a própria filha em casamento apenas para ganhar dinheiro - mas eu não era filha dele, o que tornava a história ainda mais sombria.

- Por que você não beija a noiva? - A voz de uma mulher parada a alguns metros fez Nicolas girar o pescoço. Estremeci assim que ele me olhou. - Casamentos não têm graça se não tiver um beijo.

Os convidados se agitaram, concordando com a sugestão. A pressão sobre o noivo, agora meu marido, foi tão grande que ele moveu os pés e caminhou em minha direção. Sua presença era tão poderosa que prendi o ar nos pulmões quando ele ergueu a mão e segurou o véu para retirá-lo.

- Espere! - A voz de Camille saiu depressa e desesperada, fazendo os movimentos do senhor Becker cessarem de repente. - Vamos brindar por esta união, o que acham?

A testa dele se franziu e ele continuou olhando para mim como se pudesse ver além do tecido. Vi seu punho se fechando, mas ele desistiu do véu e finalmente se afastou. Soltei o ar com força, voltando a respirar. Não sabia se poderia guardar aquele segredo para sempre; assim que Nicolas olhasse para o meu rosto, tão maltratado pelos anos de servidão, perceberia imediatamente que fora enganado.

- Pelo menos uma vez na vida, faça algo direito, Penélope - Camille sussurrou em meu ouvido como um lobo faminto. - Comporte-se como a Isadora se comportaria e fique perto do seu marido.

Ela me deu um leve empurrão na direção dele e sorriu para disfarçar o desespero. Nunca imaginei que a família Benedite dependeria dos meus favores para não ser arruinada. Era engraçado e apavorante ao mesmo tempo.

As pessoas falavam sem parar, mas Nicolas continuou em silêncio desde o momento em que entrei naquele salão. Eu nem sequer conhecia o tom da sua voz. Ele levou a taça de vinho até os lábios e concordou com os comentários silenciosamente.

Virei-me para sair e pegar uma taça. Nunca fora autorizada a usar os talheres de prata da casa por ser uma escrava, mas o senhor Benedite não me impediria na frente de seus convidados. Quando dei um passo na direção do garçom, uma mão forte segurou o meu pulso.

Fiz uma careta, tentando me proteger antes mesmo de ver quem me segurava.

- A festa acabou - o timbre da voz de Nicolas era grave e assustadoramente sedutor. - Se vocês não se importarem, levarei minha mulher. Temos uma lua de mel para aproveitar.

Os risos ecoaram pelo salão enquanto eu me encolhia, sentindo o pavor dominar meu corpo. Lua de mel? Como me esqueci disso? Nicolas continuou me segurando e me levando para fora. Vi o senhor Benedite tentar ganhar mais tempo. Nunca o vi se arrastar atrás de alguém como ele correu atrás de Nicolas Becker naquele momento.

- Por que o senhor não fica mais um pouco...

- Se você quiser um tempo para se despedir da sua filha, posso deixá-la vir em outro momento - ele disse, sem parar de caminhar nem por um segundo. - Nós assinamos o acordo; não há mais motivos para permanecer aqui.

O senhor Benedite cerrou os dentes, olhando furioso para mim, como se eu fosse a culpada. Sabia que não podia impedi-lo e nem tentei. Nicolas parecia um veículo desgovernado, passando por cima de qualquer um que atravessasse seu caminho. Não queria imaginar o que ele faria comigo aquela noite.

Meus sapatos ficaram pelo caminho e, quando percebi, estava pisando descalça no cascalho do asfalto do lado de fora. A brisa da noite bateu em meu rosto quando fui jogada no banco de trás de um carro de luxo. Reclamei de dor quando ele soltou o meu pulso. Que homem rude. Esses eram modos de tratar uma esposa?

Enquanto massageava o braço, Nicolas sentou-se ao meu lado. Seu olhar estava fixo no meu, seu maxilar travado.

- Levante o véu. Eu quero ver o seu rosto.

Estremeci com as palavras dele e não me movi. O carro ganhou velocidade. Olhei para trás e vi a mansão que fora minha prisão por vinte e dois anos ficando para trás. A frustração dele aumentou quando percebeu que eu estava distraída e não obedecia às suas ordens.

- Faça o que ordenei e mostre o seu rosto! - ele gritou de repente, e eu me assustei.

Não havia mais como fugir. Com as mãos trêmulas, segurei o véu e o levantei. Fechei os olhos com força e, quando os abri, Nicolas estava com os olhos arregalados em minha direção. Ele me encarou por longos segundos; sua expressão era uma mistura de descrença e exasperação.

Mordi os lábios, meu corpo tremeu e o medo aumentou com o silêncio dele. Ele virou o rosto e olhou fixamente para a estrada. Encolhi-me enquanto ele seguiu o caminho inteiro em silêncio, sem que eu soubesse se ele acreditara que eu era Isadora Benedite ou se já descobrira a farsa.

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