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Amor sob contrato. A noiva substituta
img img Amor sob contrato. A noiva substituta img Capítulo 5 05. O olhar do predador
5 Capítulo
Capítulo 6 06. A seda rasgada img
Capítulo 7 07. O corpo ferido img
Capítulo 8 08. Armadilhas img
Capítulo 9 09. O instinto da servidão img
Capítulo 10 10. O retorno ao cativeiro img
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Capítulo 5 05. O olhar do predador

POV Nicolas Becker

O salão de festas para o casamento era sufocante, cheio de presenças pesadas e desagradáveis da alta sociedade, muitos dos quais eu não conhecia e nem queria conhecer. Benedite me fez esperar por quase cinco horas até que sua filha ficasse pronta para o casamento.

- Você consegue esperar por esse atraso, Nicolas - disse o meu pai com uma voz firme. - Nossa família precisa de um herdeiro; sem um, corremos o risco de perder tudo o que conquistamos. Nada é mais vantajoso do que unir as duas famílias mais ricas deste país.

Cerrei os punhos, e o vidro fino e transparente da taça que eu segurava quase se despedaçou com a força que eu aplicava.

- E o que acontece com a mulher com quem você me obrigou a casar? - Minha voz estava fria, carregada de uma raiva que eu não conseguia conter. - Você perguntou a ela se concorda em ter um filho comigo?

- O Benedite explicou à filha o custo do poder - ele se inclinou, sussurrando. - A sobrevivência da nossa linhagem deve vir primeiro. Isso garantirá o nosso futuro.

As palavras dele eram como correntes de ferro ao meu redor, levando-me direto para um pesadelo que eu queria evitar. Eu estava pronto para me casar com uma mulher que conhecia apenas por fotos. Um contrato de casamento para garantir o futuro da minha família. Eu estava farto do mesmo discurso que meu pai usava para me convencer.

Saí de perto dele, caminhando até a janela. O céu já ganhava tons alaranjados; o dia passava devagar enquanto a noiva não aparecia. Uma voz ao fundo anunciou que a cerimônia iria começar. Vi quando Benedite entrou no salão, e ele não parecia feliz em ver a filha se casando comigo.

O que não condizia com nossas últimas reuniões. De todos nós, ele era o mais otimista, mas agora seu rosto denunciava outra coisa.

Fui para o altar quando a porta se abriu e uma mulher pequena entrou vestida de noiva. Observei o vestido arrastando no chão, as mangas pequenas demais para os braços delgados e o véu escuro cobrindo o seu rosto, como se ela não quisesse que sua identidade fosse revelada.

Ela caminhou pelo salão principal em minha direção e, quando estendi a mão, ela se encolheu como se estivesse com medo de mim. Esbocei um breve sorriso para que, talvez assim, ela tivesse mais confiança. Depois disso, tudo foi um borrão. Assinei aqueles papéis com tanta força que quase perfurei a mesa.

Quando percebi, estava casado com aquela mulher.

Os convidados queriam comemorar depois da cerimônia; eles me cercavam puxando assunto, rindo e bebendo. Considerei estranho Camille me distrair para que eu não tirasse o véu e visse o rosto de sua filha. Isadora era pequena, mal alcançava meus ombros e tremia como um cervo preso nos faróis. Sua pele não era suave; havia calos em suas mãos. Ela parecia pálida e magra, como se não tivesse comido há dias, e se comportava como se não fosse bem-vinda naquele lugar.

Para a filha de um homem tão poderoso como o senhor Benedite, seu comportamento acendeu um alerta dentro de mim. Tinha algo de errado naquela história.

Imediatamente, segurei as mãos calejadas dela e a arrastei para fora; estranhamente, sua família tentou me impedir. A cada passo que eu dava para longe daquela casa, tudo se tornava mais suspeito e estranho.

- Senhor Nicolas - Benedite disse suas últimas palavras -, espero que ela cumpra o propósito do nosso acordo - acrescentou, como se ela fosse uma mercadoria, e não sua única filha amada.

Entrei no veículo e observei Benedite do lado de fora com sua falsa camaradagem. Seu sorriso era contido e não foi difícil enxergar além dele. Aquilo não era um gesto de boa vontade; era uma transação comercial onde ele vendia a própria filha. Não gostei da maneira estranha como ele agia.

Quando me virei para o lado, ela estava paralisada. Eu não me importava com sua fragilidade ou com o seu medo. Aproimei-me dela, minha presença se impondo, e finalmente ordenei que levantasse o véu, porque eu queria ver seu rosto.

Ela resistiu por um tempo, até que concordou e mostrou o rosto para mim.

Definitivamente, a mulher parada à minha frente não era Isadora - pelo menos não a que eu conhecera por fotografias. Fiquei olhando para ela por um tempo assustador, não porque lhe faltasse beleza, mas por causa das marcas roxas em seu rosto. Quando ela abriu os olhos e olhou para mim, precisei desviar o meu olhar imediatamente.

O silêncio se estendeu enquanto meus olhos varriam a estrada que passava tão rapidamente. O pensamento de que fora enganado perturbava minha mente. O atraso na cerimônia, o comportamento estranho de Benedite, o medo da mulher ao meu lado... tudo indicava que eu estava certo em minhas conclusões.

Quando o carro finalmente parou em minha casa, saí primeiro; meus movimentos eram afiados de raiva. Hesitei quando meu motorista fez gestos para que a mulher saísse do carro também.

Uma onda de dúvida me invadiu assim que ela parou ao meu lado. Caminhamos para dentro da casa em silêncio.

- Eu não pedi por isso - eu disse, rompendo o silêncio e parando na sala principal. - Certamente você também não. Então deixaremos as coisas claras: eu não quero uma esposa e, definitivamente, eu não quero você.

Ela estremeceu ao meu lado e percebi que estava sem o véu.

- Tudo bem - ela assentiu com a voz baixa e fraca.

- Tudo bem? É só isso?

Ela se inclinou, levantando a cabeça, e respondeu:

- Sim.

Definitivamente aquela não era a filha do Benedite. Uma mulher criada entre lobos não se comportaria assim.

Minha frustração aumentou; ainda assim, continuei:

- Aqui estão as regras: você não terá voz nesta casa. Você vai dormir na ala oeste, longe dos meus aposentos. Você não vai se sentar ao meu lado, nem comer comigo. E o mais importante: você não vai exigir nada de mim. Entendeu?

Com a cabeça baixa, ela respondeu:

- Eu entendo, senhor.

A confusão se alargou em meu peito. Por que ela estava me chamando de "senhor"?

Exalei bruscamente, apertando a ponta do nariz.

- Ótimo. Meu mordomo vai levá-la até o seu quarto.

Ela me encarou pela última vez; em sua expressão, havia uma mistura de descrença e exasperação. Ainda assim, seguiu o mordomo sem dizer mais nada.

Quando me vi sozinho, fiz uma chamada telefônica ao meu detetive particular e dei uma ordem clara a ele:

- Descubra quem é a mulher com quem me casei e faça isso o mais rápido que puder - massageei as têmporas e continuei: - Quero saber por que o senhor Benedite me enganou e o farei pagar por esse erro.

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