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O CEO De Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar
img img O CEO De Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar img Capítulo 5 O Peso das Promessas
5 Capítulo
Capítulo 6 O Preço do Controle img
Capítulo 7 Território Inimigo img
Capítulo 8 A Jaula de Ouro img
Capítulo 9 O Santuário de Gelo img
Capítulo 10 O Limiar da Verdade img
Capítulo 11 Sombras e Segredos img
Capítulo 12 Entre Vidros e Sombras img
Capítulo 13 Sob Vigilância img
Capítulo 14 Fios Invisíveis img
Capítulo 15 Fugindo da Verdade img
Capítulo 16 As Consequências Viriam img
Capítulo 17 Coincidências Acontecem img
Capítulo 18 Eu Tive img
Capítulo 19 Perdendo o Controle img
Capítulo 20 Será img
Capítulo 21 CEO de Gelo img
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Capítulo 5 O Peso das Promessas

Capítulo 5 - O Peso das Promessas

Emma Anderson

O cheiro de hospital sempre foi o gatilho para o meu pior pesadelo, mas hoje, ele tinha um rastro de esperança que eu não podia ignorar. Ver Ellie ser atendida em uma maca limpa, com lençóis que não cheiravam a mofo, era um alívio que quase me fazia esquecer o medo. Mas a cada bipe dos aparelhos, a conta na minha cabeça crescia. Como eu pagaria por isso? Como explicaria ao senhor Knight que o "resgate" dele tinha um preço que eu não podia cobrir nem em dez vidas?

A enfermeira colheu o sangue de Ellie com uma agilidade que só o dinheiro compra. Ela foi medicada, e o calor que emanava de sua pele pareceu baixar um tom.

- A doutora volta em breve com os resultados - a enfermeira disse, fechando a cortina.

Fiquei sozinha com o silêncio. E o silêncio sempre me levava de volta para o asfalto.

Eu me vi em uma maca, dois anos atrás. O teto do hospital girava. Eu gritava, mas nenhum som saía. Só pensava neles. Onde estava a minha irmã? Onde estava o menino? Lembro da enfermeira puxando uma cortina idêntica a esta. Ellie dormia ao lado, viva. "O menino já está com o pai", ela disse. "Ele está bem".

Eu quis levantar, mas a dor me derrubou. Meus pais não estavam na maca ao lado. Eles eram apenas fumaça e destroços. "Foi minha culpa", eu sussurrei para o teto. "Eu estava dirigindo".

Depois veio o efeito dominó. A documentação do óbito, as dívidas do hospital do meu pai que se arrastavam antes do acidente, a hipoteca atrasada da nossa casa pequena. Meu pai perdeu o emprego meses antes; eu larguei a faculdade para dobrar turnos e ajudá-lo. No fim, as chamas levaram os pilares e as dívidas levaram o teto. Sobramos apenas eu, Ellie e uma pilha de papéis de despejo.

Senti algo quente e pequeno me pressionando.

Fui arrancada das minhas lembranças pelos bracinhos de Luca. Ele estava ali, firme, como se estivesse me protegendo dos meus próprios fantasmas. Limpei o rosto rapidamente com as costas da mão, tentando esconder os rastros do passado.

Levantei o olhar e encontrei Damien Knight. Ele estava parado ao pé da cama, a postura impecável e os olhos azuis como uma tempestade pronta para desabar.

- Obrigada - minha voz saiu instável. - Eu vou pagar cada centavo, eu juro. Só preciso de um tempo para me organizar.

Ele se aproximou da cama. O simples movimento dele fazia o ar parecer escasso, denso. Ele me encarou com uma frieza que gelou minha espinha.

- Quantos anos você tem, senhorita Anderson? - A pergunta me pegou totalmente desprevenida. - E por que está cuidando de sua irmã sozinha dessa forma? Onde estão seus pais?

Parei de acariciar o cabelo de Luca. Meu coração batia contra as costelas. Ele não sabe... ele não tem ideia de que era eu naquele carro.

- Tenho vinte e dois - respondi, endireitando a coluna para manter o pouco de dignidade que me restava. - E Ellie tem seis. Meus pais morreram há dois anos.

Vi algo mudar nos olhos dele por um milésimo de segundo. Não consegui decifrar se era pena ou apenas a indiferença de quem observa uma estatística trágica.

- Marina disse que você precisava muito do emprego - ele comentou, quebrando o silêncio.

Suspirei, olhando para Ellie. O suor da febre começava a molhar seus fios castanhos claro, um sinal de que o remédio estava lutando.

- Meu pai ficou doente antes de morrer. Ele perdeu o emprego, a hipoteca atrasou... e quando ele e minha mãe se foram, eu perdi o que restava. Hoje sobrevivo de trabalhos temporários. Garçonete, entregadora... o que aparecer.

Levantei os olhos, sustentando o olhar dele.

- O emprego na sua empresa era o meu respiro. Eu não entrei lá para atingi-lo, eu nem mesmo sabia... - olhei para Luca, que se aninhava ao meu lado. - Que seu filho estava lá, e que ele se aproximaria de mim. Eu juro.

Damien estreitou os olhos, como se estivesse pesando cada palavra minha em uma balança invisível.

- Meu filho não fala, senhorita Anderson. Ele não se aproxima de estranhos e raramente se expressa como fez hoje. Por que com você?

- Talvez... - engoli em seco - Talvez ele tenha me visto com a minha irmã. Ele é pequeno, deve ter sentido o desespero dela e se identificado. Crianças têm um instinto para essas coisas.

Minha resposta pareceu convencê-lo. Por enquanto.

A médica retornou com uma pasta nas mãos. Damien se empertigou, anunciando que estava de saída, mas Luca se agarrou à minha mão com uma força absurda. Ele emitiu um som baixo, de protesto.

- Luca, pequeno - eu disse, agachando-me para ficar na altura dele. - Eu preciso ouvir o que a doutora tem a dizer sobre a Ellie. Mas eu prometo... nós vamos nos ver em breve.

Senti o olhar mortal de Damien queimar o topo da minha cabeça no momento em que fiz a promessa. Eu sabia que ele me odiava por dar esperanças ao filho, mas era a única forma de acalmá-lo. Funcionou. Eles saíram, deixando o quarto pesado com a ausência deles.

A médica suspirou, abrindo os exames. O que ela disse em seguida fez o mundo parar de girar. Não era apenas uma infecção comum. Era algo grave, algo que exigia tratamento imediato, repouso absoluto e uma alimentação que eu não podia comprar.

- Eu preciso que você assine aqui para iniciarmos o protocolo de medicação - ela disse, estendendo uma prancheta.

- O tratamento... é caro? - minha voz era um fio.

- Infelizmente, sim. As medicações de primeira linha são de alto custo, mas Ellie precisa começar urgentemente.

O chão cedeu sob meus pés.

- E se... se não fizermos o tratamento agora? Quais são as chances dela?

A médica foi sincera, e a verdade doeu mais que o impacto do metal no asfalto.

- As chances são baixas, Emma. O quadro pode evoluir rápido.

Desabei. Abracei Ellie, que dormia alheia à sentença de morte que o dinheiro estava assinando para ela. O choro veio sem controle, um soluço que sacudia meu corpo inteiro.

Até que ouvi passos. Passos pesados, autoritários.

A presença imponente de Damien Knight ocupou o espaço novamente. Ele nem olhou para mim; seus olhos estavam fixos na doutora.

- Onde eu assino?

- Senhor... - tentei falar, confusa.

- Eu serei o responsável financeiro pela menina - ele me ignorou completamente, mantendo o tom de comando. - Só me diga onde assino para que comecem logo o que for necessário.

A médica o orientou, e eu assisti, em choque, enquanto ele assinava o que parecia ser a vida da minha irmã. Luca correu até mim novamente. Eu o peguei no colo, escondendo o rosto em seu pescoço enquanto chorava de puro alívio e terror.

Quando a médica saiu, ficamos nós três. Levantei o olhar para o homem que acabara de me salvar da forma mais humilhante e generosa possível.

- Senhor Knight... eu vou dar um jeito. Eu juro. Eu vou pagá-lo por cada centavo disso.

Ele me encarou, os olhos azuis sem rastro de hesitação.

- Eu sei que vai. Porque você irá trabalhar para mim.

O alívio me inundou. Eu teria meu emprego de volta. O turno da noite. A limpeza.

- O senhor vai me permitir trabalhar na sua empresa? - dei um passo em sua direção, estendendo a mão em gratidão. - Muito obrigada, senhor. Eu serei a melhor funcionária que...

Ele nem sequer olhou para a minha mão estendida. Recuei o braço rapidamente, o rosto queimando.

- Não - ele disse, a voz grave ecoando no quarto pequeno. - A vaga não é na empresa.

Franzi a testa, confusa.

- É na minha casa - ele concluiu, e o peso daquelas palavras mudou tudo. - A partir de hoje, você será a babá do Luca.

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