Gênero Ranking
Baixar App HOT
Désirée
img img Désirée img Capítulo 4 Quatro
4 Capítulo
Capítulo 6 Seis img
Capítulo 7 Sete img
Capítulo 8 Oito img
Capítulo 9 Nove img
Capítulo 10 Dez img
Capítulo 11 Onze img
Capítulo 12 Doze img
Capítulo 13 Treze img
Capítulo 14 Quatorze img
img
  /  1
img

Capítulo 4 Quatro

― E ele era tão gato quanto nos comerciais? ― perguntou a garota, levando a xícara de café aos lábios com um sorriso curioso.

Natane não era uma secretária comum para Thais. As duas trabalhavam juntas havia mais de cinco anos e já nem lembravam em que momento a relação profissional tinha se transformado em amizade. Quando perceberam, comentários como "amiga, você precisa transar" já faziam parte da rotina diária. Era esse equilíbrio entre eficiência e intimidade que tornava o ambiente de trabalho mais leve, mesmo nos dias mais pesados.

― Não queria admitir isso, mas o desgraçado é um gostoso ― confessou, arrancando gargalhadas de Natane.

― Que ódio ter ficado presa no trânsito ― reclamou a secretária, apoiando a xícara na mesa. ― Não vejo a hora de morar aqui perto e poder vir andando todo dia.

Thais sorriu, observando a amiga com carinho.

― Você fala isso agora, mas quando estiver morando aqui vai reclamar do barulho da rua e da falta de vaga pra estacionar...

Natane revirou os olhos, fingindo impaciência.

― Ah, mas pelo menos não perco a chance de ver um "gostoso" desses entrando no consultório.

Thais suspirou, tentando manter a seriedade, mas não conseguiu esconder o sorriso.

― Pois é... só que, diferente do que você imagina, ele não veio aqui pra desfilar charme. Veio porque está quebrado por dentro e muito.

O comentário deixou Natane em silêncio por alguns segundos. A leveza da conversa se misturou com a percepção de que, por trás da fama e da aparência impecável, Caio Leone carregava algo muito mais pesado.

― Estranho ele não ter ido para um retiro nos alpes suíços, né? Procurou uma psicóloga na Vergueiro pra se tratar sendo que a família dele toda é mais rica do que Deus.

― Também achei bem esquisito..., mas não importa, acho que ele nem volta mais. Parece que toquei no calcanhar de Aquiles do bonitão. ― Thais mordeu o lábio, lembrando-se que sua secretária estava sempre ativa nas fofocas. ― Aí, o que aconteceu com o noivado dele?

Natane se agitou. Ficou rapidamente em pé para se inclinar por inteira sobre o balcão, podendo cochichar para a chefe o que viria a seguir.

― A garota traiu ele com o melhor amigo e os dois estão desfilando por aí como se o Caio nunca tivesse existido na vida deles.

― Nossa... isso explica muita coisa. ― Thais arregalou levemente os olhos, surpresa. ― Não é só raiva, é humilhação.

Natane assentiu, mordendo o lábio como quem saboreava a revelação.

― E você nem viu nada. O bonitão virou piada em todos os sites de fofocas porque levou chifre da modelo. Fizeram até meme.

― Tadinho...

― Xi, menina. Relaxa. Seu gostoso estava comendo o Brasil inteiro pra se vingar depois ― Natane riu da forma que falou e voltou a se sentar em sua cadeira para digitar algumas coisas. Tinha visto alguém vindo do corredor, então logo voltou ao trabalho.

― Bom dia, meninas! ― O rapaz tinha uma bag de entregas nas costas. ― Quem é Thais Almeida?

Natane, rápida como sempre, apontou discretamente para a chefe.

― Essa gostosa aí na sua frente.

― Entrega para a senhora. ― Ele segurava uma quentinha nas mãos e realmente tinha o nome da mulher escrito no recibo preso com um grampo na sacola.

Thais franziu a testa, intrigada. Não lembrava de ter feito nenhum pedido.

― Ué, ainda não pedi comida.

Natane, curiosa, inclinou-se sobre a mesa.

― Ih, doutora... isso tem cara de presente. Será que é do bonitão?

Thais suspirou, sem saber se ria ou se se preocupava.

O rapaz apenas deixou a entrega com as garotas e saiu sem dizer mais nada. Era fato que alguém tinha feito o pedido pelo aplicativo e ele nada saberia dizer sobre o cliente por trás daquela encomenda. Thais pegou a comida desembrulhando-a para saber o que poderia ser e se deparou com o prato do dia.

Um picadinho de carne com arroz, feijão e batata assada pronto para ser degustado. Natane deu um meio sorriso ao notar o que tinha ali.

― Certeza que é do bonitão. Todos os seus clientes sabem que você é vegana ― ironizou a garota já pegando o almoço que claramente ficaria para ela.

― Bom apetite, vou descer e te comprar uma Coca-Cola.

― Melhor chefe do mundo! ― comemorou Natane já com a boca cheia, sem se importar com a falta de elegância.

Thais balançou a cabeça, divertida, e saiu pelo corredor.

Por sorte, a batida não passou de um contratempo que nem arranhou a pintura. Por isso, não fazia o menor sentido o assistente do homem ter enfiado notas de cem na mão de Thais.

Quando contou o dinheiro, já depois que os dois partiram às pressas, deparou-se com mil e trezentos reais. Precisava devolver aquilo o quanto antes. O problema era que não fazia ideia de onde o homem morava, mas julgava que seria, provavelmente, em alguma área nobre da cidade. Teria que recorrer à sua secretária, sempre bem-informada, para descobrir alguma pista. Se Caio e Jonathan não voltassem, aquele bolo de dinheiro não poderia simplesmente ficar com ela.

― Deviam era ter feito um pix, porra ― resmungou.

― O que vai pedir hoje, Tata? ― a voz do atendente a arrancou de seus pensamentos.

Só então ela percebeu que já estava diante do balcão da padaria ao lado do consultório. O rapaz, que a conhecia de outros carnavais, aguardava paciente, acostumado com o jeito distraído dela. Sabia que, vez ou outra, precisava esperar a psicóloga voltar da sua "terra de pensamentos" para finalmente escolher o pedido do dia.

― O que tem pra mim hoje? ― questionou ela finalmente. Thais abriu a geladeira ao lado do balcão para pegar a garrafa de 600ml de refrigerante.

― Vamos ver o que nosso especialista fez hoje ― ele se abaixou para analisar os pães recheados disponíveis. ― Tem pão integral com abobrinha, o clássico de berinjela e... olha só, saiu fresquinho o de cogumelos.

Ela apoiou o refrigerante no balcão e arqueou uma sobrancelha.

― Você já sabe que vou acabar escolhendo o...

― Clássico de berinjela ― respondeu ele, divertido. ― Mas eu sempre faço suspense, vai que um dia você resolve me surpreender.

Thais riu, balançando a cabeça.

― Surpresas não são muito a minha praia.

O atendente embalou o pão e entregou com naturalidade, como quem já fazia parte da rotina dela.

― E aí, temos novidades na fábrica de loucos? Vi o carrão parado lá fora mais cedo.

― Na verdade foi um acidente ― não quis entrar em detalhes, apenas suspirou. ― Um idiota bateu no meu carro que estava parado, acredita Juca?

O rapaz arqueou a sobrancelha e o piercing em uma delas se moveu junto.

― Deu prejuízo?

Thais soltou um suspiro cansado, apoiando o refrigerante no balcão.

― Pior que não... e ainda me enfiaram um bolo de dinheiro na mão, como se fosse resolver a loucura.

O atendente riu baixo, balançando a cabeça.

― Dinheiro vivo? ― Thais afirmou. ― Nossa, esse povo não conhece o Pix?

― Exatamente o que eu pensei ― respondeu ela, com ironia. ― Bom, quanto deu aí?

― A coca e o pão. Oito reais.

― Tem troco pra cem? ― Perguntou a mulher erguendo a nota com um sorrisinho sem graça no rosto.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022