O VIÚVO NEGRO
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Capítulo 4 O VIÚVO NEGRO

CAPÍTULO 6

Não sei bem se é sonho ou se escuto o

canto de um pássaro. Abro os olhos, então

percebo que já é dia, o sol já joga seus raios

através dos vidros da janela, fazendo desenhos

furta-cor no piso de madeira do quarto. Estou toda

confusa, tento conciliar meus pensamentos, mas eles estão uma bagunça.

Sento-me rapidamente e quando faço isso, tudo gira. Deus! Vou vomitar! Sem

ter noção do que estou fazendo, levanto-me da cama e o quarto começa a

girar ao redor de mim.

Vou desmaiar!

Procuro algo para me segurar, mas qualquer coisa que vejo parece

estar muito longe. Vou cair no chão duro. E enquanto meus joelhos cedem

meu corpo é erguido.

- Querida, o que pensa que vai fazer? Por que não me chamou?

É a voz de satanás, é ele, conheço sua voz. Rouca, grossa, dura, e

deliciosamente marcante. E o cheiro... Diabo! Esse homem cheira a pecado.

- Volta para o inferno seu cão... - declaro tentando afastá-lo do meu

corpo, não sei por que faço isso, já estou nos seus braços, sendo levada de

volta para cama.

Não!

Eu quero vomitar, satanás!

- Lennox eu, eu quero... - Tarde demais, jogo toda a tranqueira que

estava dentro de mim bem no peitoral do senhor do inferno. - Des...

desculpa! - Por mais que ele mereça, fico envergonhada.

- Pelo quê? Por vomitar em mim? Sou seu marido, e é meu dever

cuidar de você.

Por que ele tem que ser tão gentil?

Cadê o demônio cheio de marra, com sangue nos olhos, querendo me

devorar só com o olhar? Quer dizer, ele continua querendo me devorar com

o olhar, só que agora está bonzinho.

- Lennox, eu sei andar, só me deixe no chão ou vai tomar outro banho

de vômito.

Estou tão enjoada que meu estômago queima e faz reviravoltas.

- Pronto, agora pode vomitar à vontade, eu ajudo. - Ele me deixa

sentada no chão do espetaculoso banheiro, segura meus cabelos enquanto

inclino a cabeça e jogo o que restou em meu estômago para dentro do vaso.

- Consegue ficar um pouquinho sozinha?

Assinto com a cabeça, ele se afasta só para ligar as torneiras da hidro,

joga sais, um pouquinho de sabão e lavanda, sei disso porque faço o mesmo

desde que cheguei aqui.

- Lennox, pode ir, eu posso tomar banho sozinha.

- Safira, adoro quando você fica envergonhada, mas não precisa se

envergonhar, já vi seu corpo nu, e ele é lindo e meu, portanto, pare de

charminho e aceite o carinho.

Até tento afastar suas mãos do meu corpo, mas estou tão fraca, tão

sensível que a luta é em vão. Em poucos segundos estou sem a camisola e

sem a calcinha.

Ele me surpreendeu, pensei que iria me fazer companhia na água, mas

não faz. Se senta na borda, pega uma toalha e começa a me lavar.

- Você mandou me embebedar? - Ele solta uma gargalhada.

- Claro que não, com que propósito? Que graça teria fazer amor com

minha esposa bêbada? - Escutei isso mesmo? Ele disse amor? Acho que

ainda estou sob efeito do álcool. - Não, já sabia do ritual, as mulheres do

vilarejo acham que se embebedar a noiva antes do casal irem para a cama, a

moça não sentirá dor em sua primeira noite, pois caso ela engravide, a

criança não sofrerá o trauma da mãe quando é desvirginada. É tolo, eu sei

que é, mas é uma tradição, e não seria eu a quebrá-la.

- Por Deus! Lennox você contou para todos que sou virgem? Que

ridículo, e agora, com que cara vou olhar para seus empregados? - Ergo a

cabeça e o encaro furiosa.

Bato na água, nervosa, ele não tinha nada que contar algo tão íntimo.

Como ele ousou fazer isso comigo.

- Hey, quer se acalmar? Não contei, não foi preciso, seu vestido e as

flores de laranjeiras disseram tudo. Aqui, na região, só uma virgem se casa

com flores de laranjeiras.

- Você armou pra mim! Por que fez isso? - Eu não sei se gosto, ou

não da novidade.

- Você é virgem, é pura e tem que ser tratada como tal, não é vaidade,

é tradição.

Lennox se levanta, pega um roupão. Estende a mão, e não tenho como

recusar, ainda me sinto um pouco tonta, levanto-me com sua ajuda e sou

embrulhada com cuidado em um tecido fofo e cheiroso. Sem esperar ele me

leva nos braços.

- Você fez o mesmo com sua primeira esposa? - Não sei por que

perguntei isso, talvez queira que saiba que sei sobre ela, embora tenha me

escondido isso.

- Então já lhe contaram sobre isso? - Ele tenta esconder o quanto

está aborrecido, mas noto que seu maxilar travou e as veias temporais se

sobressaltam. - Sim, aconteceu o mesmo com ela.

- Você a matou? Por quê? Ela não fez o que você queria? Fará o

mesmo comigo?

Vejo o anjo se transformar em satanás.

- Querida, não brinque comigo, posso ser o melhor dos homens para

você, ou o pior, então saiba atiçar o melhor de mim. Não sei o que te

contaram, não era para revirar meu passado, mas já que você está sabendo

sobre a infeliz da minha esposa, vou contar o que aconteceu. Talvez seja até

melhor, pois se você ama sua vida, não tentará fazer o mesmo.

Ele volta a me embrulhar com o roupão, joga-me sobre seus ombros, e

sai me carregando para fora do quarto. Começo a gritar, bato em suas costas

com os punhos fechados, mas recebo algumas palmadas doloridas em minha

bunda. Os empregados sequer olham em nossa direção, fingem não nos ver.

Demora alguns minutos para que meus pés sintam o chão. Tento fugir, mas

sua mão forte aperta meu pulso, e meu corpo é puxado para frente do seu. A

palma de sua mão cerca meu maxilar e sou forçada a olhar em direção a

vários túmulos. Estamos em um cemitério particular.

- Eu a matei sim, dei um tiro entre seus olhos e ela está enterrada

bem ali. - Aponta para uma lápide escrita; Dolores Prysthon. Eu a amei,

amei com toda a força do meu coração.

Como se ele tivesse algum, maldito mentiroso.

- Ela me enganou mais de uma vez, por amor perdoei a primeira

mentira, pois pensava que ela era uma vítima. No entanto, quando descobri

tudo, quando descobri que não passava de uma puta safada. - A cada

palavra ele aperta meu maxilar e meu braço, e posso sentir seu ódio. - Meu

raciocínio voltou à ativa, aquela vagabunda, era uma traidora, amante do

meu pior inimigo...

Ele me solta, e enfim volto a respirar, não sei se corro, ou fico para

escutar o restante da história, minhas pernas não me obedecem, não sei o

porquê, mas me arrependo em ter tocado no assunto, isso está o matando, é

como se eu tivesse rasgado uma ferida antiga e agora ela está sangrando.

Fico calada, sentindo o sangue fugir de minha face, continuo parada,

olhando para ele. Mesmo lindo de perder o fôlego, ele parece uma estátua de

bronze com um olhar gélido e diabólico.

- Ficamos noivos por oito meses, oito meses, e respeitei sua pureza,

porque sou um homem de tradição, se a mulher que escolhi para ser minha é

virgem, só faremos amor após a consagração do casamento. Eu me apaixonei

por ela, não porque ela era virgem, mas quando descobri, não tive dúvida,

ela seria minha esposa, a mãe dos meus filhos, a única a me tocar, a única

para sempre. No entanto, enquanto me guardei, pois, todo esse tempo não

fiquei com nenhuma outra mulher, ela, a filha da puta, fodia com meu

inimigo.

- Pare Lennox, não quero mais saber, por mais que os motivos sejam

bizarros, você não tinha o direito de matá-la...

Ele me alcança, segura meus braços e sacode meu corpo.

- Não querida, está enganada, tenho todo o direito, não sou um

homem perfeito, tampouco normal, faço minhas próprias leis, e ela sabia

disso. Aquela maldita arquitetou tudo junto com Brian Martin. E sabe qual

foi a desculpa que ela me deu quando percebi que ela não era virgem? Que

foi violentada. No dia em que a conheci, no hospital, ela estava de alta

médica, eles fizeram tudo direitinho, eu voltei ao hospital para confirmar a

informação, e realmente constava no seu histórico, estupro. Mas o médico

que a atendeu não trabalhava mais lá, não importava, eu estava cego de

amor, e acreditei, até desconfiar de suas saídas, de suas mentiras.

Ele continua me segurando, encara-me com um olhar frio.

- Contratei o melhor detetive particular, até que ele descobriu tudo,

fotos, áudios, filmagens, o que você puder imaginar. Dei bastante corda para

ela se enforcar. Descobri o que o Brian queria, que era ficar a par de todos

os meus passos nas próximas descobertas das minas de esmeralda. Então dei

uma pista falsa, fiz com que a cachorra escutasse uma conversa minha com

um dos meus engenheiros, e eles caíram.

"Querida, dei a ela a chance de falar a verdade, contudo, preferiu

negar, até que esfreguei as provas nas fuças dela. Eu não ia matá-la, sequer a

toquei, bem que aquela puta merecia uns tabefes, mas não sou homem de

bater em mulher. A mandei ir embora, e quando ela começou a arrumar as

malas, foi demais. Ela me chifrou, e ainda queria levar tudo o que comprei.

Pedi aos meus empregados para pegar tudo e fazer uma enorme fogueira,

tudo foi queimado. E o que não estava aqui, também foi queimado em uma

fornalha."

"A filha da mãe ficou puta. Eu não estava nem aí pela quantia que

queimei, dinheiro eu ganho em um piscar de olhos, só não queria que ela

ficasse com nenhum centavo meu. Chamei o helicóptero e quando ele chegou,

antes de sair do nosso quarto, ela olhou para mim, e com um sorriso ardiloso

cuspiu as piores palavras em minha cara. Disse que os quinze dias que falou

estar menstruada por causa do tratamento para fertilidade, na realidade foi

de um aborto que ela fez, pois não queria um filho meu, que ela só

engravidaria do homem que amava. Nem pisquei, puxei a arma do coldre e

atirei entre seus olhos. Eu fiz, Safira, e faria quantas vezes ela surgisse na

minha frente, não me arrependo. Ela abortou um filho meu, foi por isso que a

matei, satisfeita? Sou o que sou, sou um maldito filho da mãe. Mato qualquer

um que atravessar meu caminho, e o seu pai seria minha próxima vítima, ele

foi salvo por você, eu me apaixonei assim que a vi, e isso o salvou"

Ele me solta.

- Sabe o dia em que ele morreu? Fui até lá para dizer que estava

proibido de jogar em meus cassinos, pois não queria que você descobrisse o

que ele andava fazendo com o dinheiro que era seu por direito. Seu pai

gastou todo o dinheiro do dote que paguei para me casar com você em uma

só jogada, e pediu o dobro em empréstimo. Como meu gerente sabia que ele

era meu futuro sogro, autorizou, e ele perdeu tudo na mesma noite. Seu pai

não ia parar, por isso fui até lá, pretendia interná-lo em uma clínica de

reabilitação. Não, não me olhe assim... - Franzo a testa e o encaro com um

olhar dúbio. - Não sou bonzinho, sou um empresário duro e cruel, mas

Andrew era seu pai, e eu não permitiria que ele a magoasse, faria isso por

você. Já estava abrindo a porta para ir embora, quando seu pai começou a

passar mal, liguei para a emergência e enquanto esperava eles chegarem,

tentei salvá-lo, mas seu pai, estava bem mal, seu coração estava bem ruim.

Eu não matei seu pai, se é isso que pensa.

Ele passa por mim como uma ventania congelante. Fico aqui, parada,

olhando para a lápide esculpida em bronze.

Ele é um assassino! Meu marido é um assassino, frio e cruel. No

entanto, ele tentou me proteger.

Um arrepio percorre meu corpo, não é frio, apesar de a manhã estar

fria, é um daqueles arrepios medrosos. Lennox, julgo Feral, faz jus ao nome,

ele é realmente um homem sombrio, e com pessoas assim não se deve

subestimá-los. Preciso manter minha calma e tentar não o aborrecer, o

melhor a fazer é me fingir de morta e ficar o mais longe possível.

            
            

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