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Yumna
Quando meus pais saíram fiquei aí só, sem vontade de fazer mais nada. Então fui comer alguma coisa e depois de algumas horas fui ver TV, já estava tarde, meus pais já deviam estar naquele avião indo prós estados unidos. Assim que pensei neles, uma dor na boca do estômago me invadiu, era primeira vez que isso acontecia, ou talvez a primeira vez que eu percebo. Pego no cell e ligo várias vezes para eles, eu sabia que seus celulares estariam desligados, mas eu tinha uma pitada de esperança que eles já tivesse descido, mas só dava caixa postal, então deixo uma mensagem de voz.
- Mamy, papy, assim que chegarem nos EUA, me liguem, preciso saber se estão bem..
Depois disso deixo o celular na cómoda, enquanto assistia alguma coisa, quando apareceu de última hora a tempestade que se fazia sentir na zona que meus pais possivelmente estavam. Meu peito estava apertando demais e eu não sabia o que fazer, tentei me acalmar pensando positivo, pois eu não conhecia nenhuma zona lá e muito menos como as coisas funcionam no avião. Em meio a tudo isso, me pego orando para que tudo não passe de um pesadelo e que eu possa acordar logo, minutos depois, sinto meus olhos pesarem e acabo dormindo.
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Yassira.
7pm
Após muito trabalho revisando aqueles documentos, eu já estava saindo, quando alguém me faz parar para atendê-lo.
- Senhor, me desculpe mais estamos fechando.
- Eu chego aqui a hora que eu quiser. - Disse rude.
- Espere eu anuciá-lo ao senhor Turco. - pego no telefone, já ligando mas a chamada não completa porque o mesmo desliga. Sem muito a dizer, o olho incrédula, esse homem só podia estar de brincadeira.
- Eu não espero por ninguém, eu sou Zambrano e eu faço o que quiser. Acho que seu chefe já te falou de mim, ou não? Não me falte com respeito. O homem parecia de pedra, com aquele bigode estranho, fazia ele parecer ainda mais estranho. - Ele entra na sala do Sr. Turco, porém o acompanho.
- Senhor, o meu trabalho termina por aqui, até amanhã. - seu amigo me olha fulminante.
- Não. espere! Se você vai ficar aqui até às 8pm, terá uma graninha pra levar pra casa. - ele me tenta e eu aceito. Na verdade eu estava precisando da grana, fiquei e assim que já tinha se passou o tempo previsto, fui ter com ele e saí, deixando ainda os dois conversando misteriosamente.
A rua estava deserta, poucos carros e mal tinha pessoas passando por aqui. Eu estava com medo, sem pensar saí correndo até chegar na vizinhança, estava sem fôlego de tanto correr. Estava me sentido fora de perigo já, caminhei um pouco mais até avistar minha casa, adentro e vou até minha mãe.
- Mãe, tudo bem com a senhora?- deixo as chaves na mesa e dou um abraço nela.
- Sim. - respondeu.
- E aí a Yumna mãe? Ela não veio hoje? - estranho ela não ter vindo pra cá hoje.
- Não filha. - Ela boceja e eu já sabia que ela precisava ir pra cama.
Vou lavar as mãos e aquecer a comida que ela havia preparado, pro almoço. Servi para ela e em seguida fui tomar banho. Eu estava preocupada com Yumna, ela estava estranha, não me escreveu nem estava aqui para saber como foi o meu primeiro dia trabalhando para alguém diferente. Mamãe jantou e logo depois foi para cama, quando terminei de tomar banho, fui vestir algo leve, jantei e fui conversar um pouco com ela, e contar tudo como foram as coisas. Com o tanto das coisas mamã acabou dormindo e eu de jeito, puxei o lençol e a cobri. Sai do seu quarto e fui até a porta da casa de Yumna.
Bato na porta e depois giro a maçaneta, a porta estava aberta, entro e encontro minha amiga jogada no chão, não me parecia nada bem, a TV estava ligada, vou até ela e a acordo.
- Acorda Yumn, que bicho te mordeu criatura? - Tentei várias vezes, em tentativas falhadas, então levanto e pego um pouco de álcool na cozinha e aproximo do seu nariz, aos poucos, foi recuperando a consciência.
- Amiga. O que aconteceu?- Assim como ela, estávamos querendo respostas, quando vi seu semblante mudar totalmente.
- O que foi Yumn? Não me assuste mais. Você quase me matou de susto.
- Nada demais, só estou me lembrando aqui que eu apaguei pouco depois de sentir aquela dor estranha na boca do estômago. - Suspira. - Eu estava vendo notícias na TV e me veio a cabeça os meus pais, parece que há uma tempestade lá, ou muito próximo de lá e eu tentei ligar várias vezes pra eles e nada, até deixei uma mensagem na caixa postal.
- Não esquenta, eles devem estar bem, se quiser podemos ver TV, pra ver as notícias do dia, ou mesmo pegar um táxi com o dinheiro que recebi para o aeroporto para saber se o avião já aterressou. Topa?
- Melhor vermos a TV antes. Eu estou me sentindo péssima Yassira.
Ligo a TV e nos posicionamos na cadeira, para ver as notícias de última hora.
" O avião que sai daqui para Estados Unidos caiu essa noite, causando morte a todos os que se encontravam aí."
Depois de escutar essa tragédia, tanto Yumna quanto eu, desabamos a chorar, era inevitável, eles eram como meus segundos pais. Eu sabia que devia ser mais forte para consolar minha amiga, mas foi impossível, a sensação de perder meu pai, voltou novamente, a for era incessante.
- Ya..ss..ira, me di..z que is..so não é ver..da..de.- em meio a soluços, ela tentava ter uma esperança de que eles tivessem escapado.
A abraço minha amiga sem forças para mais nada. Pego seu celular, na cómoda, ligo para o NR que eles haviam deixado para caso ela precisasse de alguma coisa.
Tento mais de 30 vezes, e nessas vezes estava tudo ocupado. Deixo yumna um pouco para pegar água para ela, quando me viro para onde ela estava sentada, ouço a porta bater.
- Yumna. - falo alto pra mim mesmo, ainda com os olhos cheios de lágrimas.
Corro atrás dela até a alcançar, em 40 min já estávamos no aeroporto pedindo informações dos pais delas.
- Eu sinto muito, mas eles não sobreviveram.- com essas palavras vindo daquele senhor, minha amiga desaba, segundos depois minha amiga cai desmaiada no chão.
- Ajuda por favor. - por sorte tinha uma ambulância por perto com médicos, que imediatamente a atenderam.
- Amiga, por favor. Não faz isso. Eles pediram para reconhecer os corpos apartir de algumas fotos, e eu não sei se seria sensato deixar você ir comigo. Você está muito fraca, precisa descansar.
- Não, são meus pais. E eu não deixarei você vê-los sozinhas.
Como o esperado, fomos reconhecer os corpos (as fotos) seus corpos não estavam em condições de voltar para cá, então eles mandariam as cinzas deles dois juntos, eram eles, minha amiga gritava e eu não sabia o que fazer pra confortá-la, meu coração estava em pedaços, todo destroçado.
Levei ela pra casa, passamos a noite em claro, ela não parava de chorar, a mamãe, estava desesperada com tudo isso, com tantos problemas, ouviu com os vizinhos o que havia acontecido.