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Yassira
O dia estava frio, começamos logo, indo buscar as cinzas deles para o velório. Yumna queria que eles ficassem junto aos seus avós.
- Já está na hora amiga. -olho para Yumna que estava com a cara inchada e pronta para a última despedida.
- Sim. Vamos. - Estava um pouco mais calma, seus olhos não conseguiam mais derramar lágrimas.
Seguimos em frente, saímos e subimos o carro preto que nos foi oferecido pela empresa pelos danos, o que foi o mínimo, nada do que fizessem, iria trazer eles de volta. Apenas eu, Yumna, minha mãe e alguns vizinhos estávamos presentes. Foi algo extremamente curto, não havia muito o que fazer, apenas uma missa e orações, terminado isso, muitos se despediram de Yumna. Quando praticamente todos já haviam ido embora daqui, Yumna finalmente se levantou e colocou a caixinha com as cinzas no seu lugar.
Depois de um tempo, quando já estavámos saindo do cemitério, Yumna esbarra com seu ex-namorado que a alguns anos atrás jurou nunca o abandonar. Na verdade eu não sei o motivo pelo qual eles terminaram se, se amavam tanto naquele época.
- Oi - disse ele, levantando o olhar pra mim, como se fosse uma forma de dizer, poderia nos deixar a sós?
- Eu vou deixar vocês dois conversarem. Pode ser? - pergunto a Yumna.
- Não, não vá. Tudo que ele quiser dizer pra mim, ele pode falar com você aqui comigo.- Yumna estava seca e fria.
- Claro amiga. - A abraço de lado.
- Como você quiser ternura. - Ele olha no fundo dos seus olhos e pausa por alguns segundos, deixando seus olhos conversarem. - Eu sinto muito por toda essa dor, eu sei como perder alguém importante como os pais. - Baixa a cabeça. - Eu sinto muito por não estar do seu lado todo esse tempo que passou, eu quero que saiba que pode contar comigo e se precisar de algo não exite em ligar pra mim, estarei 24/24h pra você. - Segura sua mão. - Eu sei que você está sofrendo, mas por favor, não se castigue, você não tem culpa e eu acredito que seus pais não gostariam de vê-la assim, tão pálida e com a cara inchada.
- O que está fazendo aqui? - Yumna arqueia a sombrancelha tirando sua própria conclusão.
- Eu estava trocando flores você deve imaginar onde. Bem, eu soube por alguém em comum o que tinha acontecido e eu de alguma forma queria que você se sentisse apoiada por mim, porém eu não sabia se você gostaria que eu estivesse tão perto, por isso, decidi assistir tudo de longe e escondido.
- Tudo bem. - sua voz estava sem nenhuma emoção.
- Bom, eu queria ter conversado sozinhos, mas parece que não você não me perdoa por aquilo. - Eu ainda estou vivendo naquela mesma casa, e ainda vou naquele lugar onde a gente sempre ia para se esconder de todo mundo. E esse é o meu novo número. - Ele entrega seu cartão, porém Yumna não queria receber, mas como eu sabia que ela ia se arrepender depois, eu o recebi. - Espero que ligue pra mim, temos muito que falar, e me perdoe por falar disso logo aqui. Até logo! Se cuida.
- Tchau. - Assim que ele saiu, Yumna desatou a chorar.
- Porquê ta chorando tanto assim, o que ele fez que você nunca me contou? - yumna evitava falar do ex sempre que eu tentava tocar no assunto de término deles.
- NADA. Ele no fez nada de errado com ele próprio, mas comigo sim. Ele partiu meu coração e eu não estou afim de falar dele agora.
- Está bem! Vamos pra casa, vai ser melhor.
- Está bem, mas eu não quero ficar sozinha e hoje eu decidi uma coisa muito importante sobre onde vou morar. - Isso me preocupa, será que ela iria embora do bairro ou da cidade?
- O que decidiu? - de uma vez por todas, pergunto para tirar essa dúvida, enquanto caminhavámos para fora.
- Decidi que vou vender a casa, e morar com vocês. Claro se vocês quiserem compartilhar pra sempre vossa casa comigo. - fico de boquiaberta, essa decisão foi muito rápida, principalmente depois de tudo isso.
- É claro que sim, Yumna.. Você é sempre bem vinda e aquela casa também é sua. Mas é a casa dos seus pais? Ela é importante pra você e fazendo isso, você pode não ter como voltar atrás após vender ela. Não quero que pense que não estou te apoiando, mas que estou pensando em ti antes de tudo. Lá estão todas as lembranças, os momentos bons e ruins, o cheio, a decoração deles, as coisas deles, tudo que fazia parte de vocês três, e eu não quero que deixe tudo isso pra trás.
- Eu sei. Por essa mesma razão que preciso fazer isso. Não quero deixar tudo para trás, eu quero vender para podermos ter dinheiro suficiente para a quimioterapia da sua mãe e outras coisas. Ela e você, são a única família que tenho agora. E fazer isso, não me faz sentir melhor, mas não fazer, irá me matar. Sua mãe, sempre a considerei minha também.
- Eu acho que você precisa pensar muito bem nisso, é muito legal e nobre da sua parte, mas fazer isso, não seria como se desfazer das coisas dos seus pais? Eu não quero que faça isso.
- Eu vou vende-la. Assim não ficamos com dívidas. É avançamos com o tratamento da tua mãe logo, além do mais, as lembranças, os momentos, tudo, está aqui em mim, nada nem ninguém irá tirar essa preciosidade em mim. Eles sempre estão comigo e acredito que eles sentiriam orgulho de mim, me vendo fazer isso. Por favor, não me negue isso.
Eu sabia que Yumna não mudaria de ideia, apenas concordei e fomos pra casa, ajudei ela com as coisas dos seus pais e depois com suas coisas. Não toquei no assunto de novo, muito menos queria lembrá-la disso. Ficamos aí, em meio a toda bagunça, cansadas e pensativas.