O tempo estava mudando e a Yumna não queria sair dali, acredita em sua cabeça que eles voltariam, entres choro e soluços, a levei a força para casa.
Após chegar em casa, ligo pro meu chefe, avisando que nesses próximos dias eu no ia poder comparecer no trabalho devido o acontecido. Sem muito que pensar, aquele estúpido no queria saber de nada, pensava que eu estava mentindo e zombando da sua cara. Não liguei quando ele disse que eu poderia perder meu emprego por isso, o que mais me importa agora é minha amiga e minha mãe, o emprego, o trabalho, poderiam esperar um pouco mais. Prioridade as coisas importantes.
- Yumna vamos, você precisa descansar. - ela estava segurando o ursinho que os pais a tinham dado no seu último aniversário juntos, ou seja, esse ano. Ele era muito querido, tanto que, ela sempre o levava junto quando ia pra cama.
- Não, eu não quero descansar, eu vou esperar meus pais entrarem por aquela. - Seu sofrimento era notável, seus olhos inchados e vermelhos de tanto chorar, não parava de olhar para a porta.
- Toma isso vai te ajudar a se acalmar. - Dou um calmante para ela poder se acalmar e poder descansar enquanto eu trato de todos os procedimentos pro velório, ela relutantemente recusa, porém eu não tive opção que esmagar e pôr em um suco para fazer ela descansar um pouco.
- Não, eu não estou com vontade de nada e muito menos de dormir e de tomar alguma coisa.
- Mas Yumna, você precisa dormir, o velório vai ser amanhã e você precisa se recompor por nós todas, pelo menos, tome um pouco desse suco, não faça isso por ti se não quiser, mas faça por mim, meu mundo desmorona com seu, sempre que ele cai.
- Eles prometeram ficar aqui, assim que eles voltassem, eles disseram que arranjaram um emprego aqui e que ficaríamos juntos dessa vez, sem viagens a todo tempo. Porquê isso foi acontecer justamente agora? Por quê? - Eu não tinha resposta para essa pergunta, mas eu sabia que tudo isso foi um back muito grande. - Agora toma isso. - Yumna segura no copo, e dá um gole, depois dois e depois mais um e pouco depois cai no sono, deitada em sua cama.
- Não, se preocupe, eles terão um velório digno. - sussurro em seu ouvido antes que ela durma profundamente.
Então saio, para fazer algumas ligações e preparar tudo para amanhã.
...
-Mamãe, eu quero um sorvete, você pode comprar pra mim? - com o parque lotado de crianças brincando, eu me encontrava ali, implorando por sorvete.
- O papai não está aqui, eu tenho que ir atrás dele filha, fique aqui. Não saia, e não chore por favor. Eu volto Jajá, apenas sente aqui. - Mamãe, caminhava pro lado oposto que eu, enquanto eu ia sentar naquele banquinho, ela ia atrás do papai que estava entre a multidão de gente que parecia mais com pessoas sem vida, tristes.
- Não me deixe mamãe, papai, não vão embora não. Eu não quero ficar sozinha, me leva junto. - lágrimas rolavam em meu rosto e o coração apertava demais.
...
3h depois, ouço Yumna falando em desespero no quarto, por um momento pensei que ela tivesse acordado, porém assim que entrei no seu quarto, pude ouvir direito o que ela falava, ou melhor, o que ela murmurava logo depois.
Repetia as mesmas palavras, sem tristeza, sua cara mostrava isso, seu olho derrama uma lágrima do lado direito, enquanto dormia ainda. Eu sinceramente, não sabia se devia acorda-la ou não. Se eu a acordasse, ela estaria igual ou pior que no sonho que está tendo agora. Faço carrinho em seus cabelos por um curto tempo, percebo que ela se acalmou um pouco, então, me levanto e vou até minha mãe na sala.
- Mãe, Yumna está sonhando com os pais a abandonando, eu não sei o que fazer. A senhora poderia ficar um pouco com ela par... ...? - Ela concorda sem antes mesmo que eu terminasse de falar, com um pouco de esforço, ela se levanta e vai até o quarto de Yumna.
Em pouco tempo, eu preparei alguma coisa para que minha mãe comesse, com o tratamento que está fazendo agora, ela não poderia fraquejar. Fui até ela e pedi para que jantasse, assim o fez e eu não parava de pensar no dia de amanhã. Todos estariam lá, seus amigos, vizinhos e nós, para conforta-la, mas todo mundo sabe que com tudo que for a se fazer, nada fará sua dor passar tão rápido. Agora ela teria que aprender a viver sem eles, de uma forma mais diferente, sem nunca mais vê-los.
Para Yumna é mais difícil porque os restos dos seus corpos, seriam cremados lá mesmo e ela só teria as cinzas deles.