- Essa menina teve muita sorte, não só por você ser o doador compatível mas por estar apto a doar sabendo do seu histórico - brinca o médico e ele dá um sorriso.
- Eu sabia que parar de beber me ajudaria em algo mas não sabia que ajudaria literalmente a salvar uma vida - levanta da cadeira - Ela vai demorar muito para sair daqui ?
- Não mas, agora ela já está em um quadro estável mas ainda não é o momento de ficarmos cem por cento tranquilos, sempre tem aquela porcentagem chata de dar algo errado então... - a enfermeira abre a porta e entrega um prontuário a ele.
- Algum problema com ela ? - indaga Arthur preocupado.
- Não, é com outro paciente. Não mexe o braço bruscamente e evite fazer o que você gosta muito de fazer hein - brinca dando um abraço, ele abre a porta e Arthur sai com a mão no braço, Maris vem ao seu encontro preocupada.
- Tome - entrega uma bandeja ao rapaz - Coma para repor as suas energias... Ela vai ficar bem ?
- Provavelmente - tenta abrir o pote porém não consegue - Eu não sou canhoto Maria.
Ela abre o pote e ele consegue com comer com a outra mão, os dois ficam lá por toda a noite e nos dias seguintes Arthur ficava pela manhã e Maria pela noite.
Ao chegar em casa a tarde o rapaz estava cansadissimo, literalmente o pó porém havia alguém que queria que ele melhorasse instantâneamente.
- Arthur o que aconteceu com o seu braço ? - questiona Vanessa preocupada.
- Nada demais... Eu já te falei pra não vir aqui sem que eu te chame. Eu não pago um apartamento milionário pra você ficar parasitando a minha mansão - repreende subindo as escadas.
- Mas Arthur você sumiu por dias... Nem me deu notícias e também atrasou o pagamento... Eu não vim aqui por isso você sabe bem - olha de forma maliciosa para o rapaz.
- Eu preciso descansar e ficar de repouso então eu vou subir e tomar um banho... Pode ir embora que eu farei a sua transferência Jajá - continua a subir degrau porém a garota insiste em ficar.
- Arthur você não vai ficar aqui sozinho com o braço machucado... Seria egoísmo meu deixar você aqui...
- E deixar uma criança de quatro anos sem a mãe também não ? Ele ainda é uma criança e eu já sou um homem... Eu não preciso de uma mãe nem ao menos de uma babá Vanessa. Vai pra casa por favor, eu não quero brigar com você - repete e ela bufa de raiva.
Ela desce as escadas brava e pega sua bolsa no sofá, indo embora logo em seguida e o rapaz se sentiu vencedor em ter conseguido fazer ela sair de lá sem gritar com ela ou a tratar mal.
O rapaz segue para o seu quarto onde toma um banho com uma certa dificuldade, era um homem enorme porém a dor era chata e isso estava o deixando impaciente.
Ele sai do banho com uma toalha na cintura e se deita na cama, logo em seguida liga para Maria para perguntar como a garota estava :
- Maria ? Ela está bem ? - questiona se sentando na cama.
- Eu já ia te ligar Arthur - afirma a senhora com a voz embargada - Ela acabou de acordar e está bem... Mas ela quer muito falar com você - afirma emocionada.
- Como assim ? Ela está bem mesmo ? - confirma indo até o closet procurar algo para se vestir.
- Está sim... Relativamente bem não é ? Mas ela acordou e quer muito te ver. Se puder vir hoje acho que seria bom por que os médicos não querem que ela se agite - insiste enxugando as lágrimas.
- Eu já estou indo - desliga o celular e veste algo rapidamente.
Ele desce as escadas correndo e estava tão ansioso que nem liga para dor no braço, entra no carro e segue para o hospital o mais rápido possível e sobe correndo até o andar onde ela estava.
Nem com o médico e Maria ele fala direito, vai diretamente no quarto da garota e entra cuidadosamente, estava ansioso e nervoso porém não queria assustar ela.
Ele se aproxima vagarosamente da cama, ela estava com o respirador naquele momento porém com os olhos abertos e muito mais corada e viva do quando ele a resgatou.
Tinha olhos azuis como o dele só que mais claros, cabelos negros e ondulados que estavam macios, sua pele estava viçosa e macia como um pêssego e os seus lábios em um tom levemente rosado, não mais seco e pálido como antes.
Ele fica um pouco emocionado com a mudança da garota em alguns meses, estava feliz e se sentindo orgulhoso por ter arriscado sua vida para salvar a tal menina, ele estava feliz por ter salvado mais uma vida.
Ela põe as mãos no respirador lentamente, provavelmente para tentar tira-lo porém ele a impede e diz com uma voz calma :
- Eu acho que não pode... Eu vou chamar o médico e se ele deixar você tira ok ? - sugere indo até a porta.
Ela balança a cabeça lentamente em sinal afirmativo e a enfermeira vem até ela, checa algo no respirador e também na bolsa de soro e tira com cuidado o respirador, logo em seguida ela a deixa sentada na cama e sai deixando eles a sós.
- Está bem ? - questiona se aproximando.
- Sim e você ? - responde com uma voz doce e quase sussurada. Esta que lhe causou um certo sentimento no peito.
- Feliz por que você está bem... Pode me dizer o seu nome ? - se senta na outra ponta da cama.
- Me chamavam de Vitória mas eu não quero esse nome mas... Me lembra aquele lugar e eu não quero mais lembrar de lá - explica olhando para Arthur.
- Ok... Então eu vou ter que escolher um nome para você... O que acha de Analu ? - sugere e ela pensa um pouco e diz :
- Eu gosto desse nome... Qual que o seu ? - indaga com curiosidade.
- Arthur - responde e ela pensa um pouco e diz :
- Começam com as mesmas letras... Como me encontrou ? - puxa a coberta para mais perto de si.
- Digamos que o monstro que te prendeu roubou uma coisa bem valiosa minha e eu estava procurando e achei outra coisa valiosa... Você - se levanta e ela dá um sorriso.
- O que ele roubou de você ? - questiona e ele pensa em uma forma boa de dizer aquilo para ela.
- Ele roubou a única lembrança que eu tinha da minha mãe - responde a olhando.
- Ele roubou todas as minhas lembranças... Será que quando você conseguir a que ele roubou de você eu irei recuperar as minhas ? Eu sinto como se a minha memória estivesse vazia - explica um pouco triste.
- Eu vou fazer do possível para você se lembrar de tudo que for bom está bem ? Mas se não conseguir eu ficarei feliz em te ajudar a construir novas lembranças boas - faz um carinho no rosto dela.
- Obrigada por me resgatar... Mas, não tem nenhuma possibilidade dele me encontrar denovo ?
- Ele pode tentar mas não vai conseguir te tirar de perto de mim - jura olhando nos olhos dela - Pode ficar tranquila, ele não vai tocar um dedo em você nunca mais.
- Muito obrigada - agradece novamente e a porta se abre.
Era o doutor com uma enfermeira, eles iriam dar alguns remédios venosos porém ela parecia não ter boas lembranças de coisas daquele tipo.
Ela tem um surto e fica extremamente nervosa ao ver as agulhas, ela dizia que não queria que eles a machucassem por que os homens de Felippo além de baterem nela a dopavam com substâncias nas veias.
- Deixa eu conversar um pouco com ela... Depois vocês dão esse remédio - idealiza Arthur e o doutor aceita.
Ele se aproxima dela que estava com a cabeça baixa próxima aos joelhos, trêmula e chorando ele toca no ombro dela que pergunta :
- Eles já saíram ?
- Sim... Pode se sentar eles não vão coloca nada nas suas veias... Pode confiar em mim Analu - afirma e ela levanta a cabeça, olhando ao redor ela confirma se eles realmente haviam saído e aí ver que sim ela se aproxima de Arthur.
- Olha os meus braços - estende e ele vê algumas manchas roxas, marcas e também algumas feridas - Essas marcas redondas são das agulhas que eles colocavam em mim e essas são de quando eles me batiam... Ele que mandava e não pedia para eles pararem. Doía muito - explica chorando e ele sente uma angústia no peito ao imaginar a cena.
- Eles não vão mais te machucar ok ? Nunca mais - vira o rosto dela para o dele e olha nos seus olhos, limpando as suas lágrimas com os dedos - Eles nunca mais vão tocar em você ok ? Eu vou te proteger - jura dando um abraço nela.
Ele fica lá até que ela durma e quando isso acontece o médico volta para colocar as medicações, algumas eram com calmantes então ela dormiria a noite inteira tranquilamente.
Arthur sai da sala perturbado e com ódio, a cada podridão que ele descobria de Felippo mais ódio do homem ele tinha e mais sede para mata-lo.
- Arthur - o médico chama o tirando de seus pensamentos - Como não tem informações sobre conseguimos descobrir com os exames que ela dezoito anos, não tem como determinar data exata do nascimento mas já é muita coisa. Ela te contou algo que se lembre ? - se senta ao lado do rapaz.
- Ela se chama Vitória porém não quer que a chamem assim, a chamem de Analu... Ela só falou isso - afirma o rapaz o médico pensa por um tempo e diz :
- Não lembro de nenhuma Vitória desaparecida ou algo parecido... Eu acho que esse não é o nome real dela - levanta e Arthur percebe que realmente Felippo poderia ter mentido.
- Realmente... Mas agora eu não quero focar nisso. Quero apenas que ela melhore e saia logo daqui.
- Ela irá melhorar o mais rápido possível e ela tem muita sorte de estar com você... Eu vou até o outro bloco e se quiser pode dormir lá com ela, o sofá é mais confortável e qualquer coisa é só me chamar - se despede com um sorriso.
Ele até tenta dormir do lado de fora porém não resiste e vai até o quarto dormir no sofá que havia lá, já Maria estava na capela do hospital rezando e quando volta para o corredor decide dar uma passada no quarto de Analu para ve-la... A mulher fica extremamente feliz vendo o rapaz dormindo lá junto com a garota.