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FAMÍLIA BRAGANÇA: PELO BEM MAIOR
img img FAMÍLIA BRAGANÇA: PELO BEM MAIOR img Capítulo 5 A volta de Pandora
5 Capítulo
Capítulo 10 Irmãos De Alma img
Capítulo 11 O Escândalo img
Capítulo 12 Que sua Vida Seja Um Inferno img
Capítulo 13 O símbolo da Família img
Capítulo 14 Pandora será a futura princesa herdeira img
Capítulo 15 Não Uma Rainha Mais Uma Concubina Imperial img
Capítulo 16 Um jogo de poder img
Capítulo 17 Sou uma Bragança img
Capítulo 18 Marcas de paixão img
Capítulo 19 Presentes preciosos img
Capítulo 20 O luxo de um casamento Real img
Capítulo 21 Um ataque img
Capítulo 22 Ezequiel se preocupa com a segurança de Pandora img
Capítulo 23 Indo Embora img
Capítulo 24 De Volta Pra Casa img
Capítulo 25 Reunião dos Jovens Nobres img
Capítulo 26 Um Duelo img
Capítulo 27 O Duque Alaric Montenegro img
Capítulo 28 UMA ALIANÇA img
Capítulo 29 Provocação img
Capítulo 30 Um Presente Nada Inocente img
Capítulo 31 Um Beijo Inesperado img
Capítulo 32 O Caos Antes Do Casamento img
Capítulo 33 Invasão Ao Palácio img
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Capítulo 5 A volta de Pandora

Algum tempo depois...

O nome Pandora Bragança voltou a ecoar nos salões do continente.

Não como rumor distante.

Mas como presença viva.

Valdoria despertava sob um céu límpido quando a carruagem Bragança cruzou os portões da propriedade familiar.

Pandora desceu como sempre fazia.

Sem esforço.

Sem cálculo.

Como se o mundo fosse apenas um cenário natural de sua existência.

A pele clara capturava a luz suave da manhã. Os olhos azul-piscina tinham aquele brilho impossível de ignorar - intenso, límpido, quase perigoso em sua inocência.

Os cabelos longos, em um loiro acinzentado raro, deslizavam pelas costas como seda fria.

Ela parecia delicada.

Mas Valdoria sabia...

Pandora jamais fora frágil.

Helena correu para abraçá-la, os olhos marejados.

- Minha filha...

George observava em silêncio, mas o orgulho em seu olhar era evidente.

Noah sorria com genuína ternura.

Josephine...

Josephine mantinha a postura impecável.

Mas algo em seu olhar era impossível de esconder.

Algo escuro.

Algo silenciosamente inflamável.

Dias depois, os Bragança preparavam um baile.

Não apenas uma recepção.

Mas um espetáculo.

- Valdoria precisa vê-la - dizia Helena, radiante.

- O continente precisa lembrar quem são os Bragança - completou George.

Pandora ria, despreocupada.

- É apenas um baile.

Bernarda a observava com aquele olhar rígido e analítico.

- Nada é "apenas" em nossa família.

Na tarde anterior ao evento, Bernarda convocou Pandora e Josephine para seus aposentos.

O ambiente carregava solenidade ancestral.

Veludo.

Retratos.

Silêncio austero.

Bernarda abriu uma caixa ornamentada.

E o brilho que emergiu parecia iluminar o próprio ar.

Um conjunto de joias deslumbrante.

Diamantes delicadamente lapidados, entrelaçados em um desenho clássico e imponente.

Uma peça lendária da linhagem Bragança.

Pandora levou a mão aos lábios.

- Avó...

Até ela parecia sem palavras.

Bernarda aproximou-se lentamente.

- Esta joia sempre pertenceu às mulheres que representam a essência da família.

Josephine enrijeceu.

Porque conhecia aquele conjunto.

Conhecia cada detalhe.

Conhecia cada sonho silencioso que depositara nele desde a juventude.

Sempre acreditara...

Que seria dela.

Bernarda pousou a caixa nas mãos de Pandora.

- Você o usará esta noite.

O silêncio que se seguiu foi quase cruel.

Pandora piscou, surpresa.

- Mas... Josephine...

- Josephine possui o colar da sucessão.

A resposta veio firme.

Definitiva.

- Esta peça exige algo diferente.

Josephine sentiu o golpe como uma lâmina invisível.

- Diferente... como? - perguntou, suavemente demais.

Bernarda a encarou.

- Vida.

A palavra caiu no ar como sentença.

Pandora permanecia imóvel.

Constrangida.

Josephine sorria.

Mas seus olhos...

Seus olhos queimavam.

Naquela mesma tarde...

Ezequiel Alcântara cavalgava pelos limites da propriedade Bragança.

Visita diplomática.

Formal.

Calculada.

Como tudo em sua vida.

Até que a viu.

Pandora.

Ela surgia ao longe, cavalgando livremente sobre um cavalo negro de porte imponente.

Os cabelos soltos dançavam ao vento.

O vestido leve contrastava com a força do animal.

Não havia postura ensaiada.

Não havia elegância estratégica.

Apenas liberdade em movimento.

Ezequiel desacelerou.

Observando.

Silencioso.

Analítico.

Mas algo estranho aconteceu.

Algo raro.

Algo quase incômodo.

Ele não conseguiu desviar o olhar.

Pandora ria enquanto cavalgava, completamente entregue à sensação do vento, da velocidade, da vida.

Sem perceber que era observada.

Sem perceber o impacto que causava.

Ezequiel permaneceu imóvel.

Por longos segundos.

Talvez minutos.

Mas não se aproximou.

Não chamou.

Não interferiu.

Apenas observou.

Porque algo naquela cena o atingia de forma desconfortavelmente inédita.

Pandora não se movia como alguém moldado pelo dever.

Movia-se como alguém moldado pela própria existência.

E isso...

Isso era perigosamente fascinante.

À distância, Josephine observava da varanda.

Pandora.

O cavalo negro.

Os cabelos soltos.

O vento.

A joia recém-conquistada.

E, agora...

O olhar silencioso de Ezequiel.

Josephine sentiu algo se retorcer em seu peito.

Não ciúme simples.

Algo muito mais profundo.

Muito mais antigo.

Muito mais destrutivo.

Porque Pandora não precisava lutar.

Não precisava disputar.

Não precisava sequer tentar.

E ainda assim...

Tudo parecia naturalmente gravitar em torno dela.

Inclusive olhares que jamais deveriam vacilar.

Josephine sorriu lentamente.

Mas agora...

O sorriso não carregava elegância.

Carregava promessa.

E naquela noite, sob lustres, música e diamantes...

Valdoria não testemunharia apenas um baile.

Testemunharia o início de algo muito mais perigoso.

Porque certas guerras não começam com espadas.

Começam com olhares.

E corações em chamas.

O crepúsculo já tingia Valdoria em tons dourados quando Pandora caminhou pelos corredores silenciosos da ala leste.

Nas mãos, uma pequena caixa revestida em veludo.

Seus passos eram suaves.

Quase hesitantes.

Josephine encontrava-se em seus aposentos, imóvel diante do espelho enquanto damas ajustavam cada detalhe de seu traje.

Perfeição.

Sempre perfeição.

A porta abriu-se sem alarde.

Pandora entrou como um sopro leve de vida em meio à atmosfera rígida.

- Posso entrar?

Josephine encontrou o reflexo da irmã no espelho.

E por um breve segundo...

Aquela presença sempre causava o mesmo efeito incômodo.

Pandora parecia brilhar sem esforço.

- Claro - respondeu, serena.

Pandora aproximou-se.

Os cabelos loiro-acinzentados caíam em ondas suaves. O vestido ainda não completamente ajustado revelava uma elegância natural, despretensiosa.

Ela estendeu a caixa.

- Trouxe algo para você.

Josephine arqueou levemente a sobrancelha.

Curiosidade contida.

Ao abrir, o ar pareceu desaparecer do ambiente.

Uma pulseira em diamantes rosa.

Delicada.

Rara.

Deslumbrante.

Exatamente a peça que Josephine admirara meses atrás em uma joalheria estrangeira.

A peça que desejara.

A peça que nunca mencionara em voz alta.

Josephine ergueu lentamente o olhar.

- Pandora...

Havia algo estranho naquela expressão.

Algo entre surpresa e desconforto.

- Eu me lembrei de você quando vi - disse Pandora, com simplicidade genuína.

Sem cálculo.

Sem malícia.

Josephine tocou a joia com dedos quase reverentes.

Era perfeita.

E isso doía.

Porque Pandora não apenas possuía aquilo que Josephine queria.

Ela entregava como se fosse algo trivial.

Como se não soubesse o peso simbólico.

Como se não compreendesse.

- É... magnífica - murmurou.

Pandora sorriu, satisfeita.

Mas Josephine então a encarou de forma diferente.

Mais analítica.

Mais profunda.

- Posso te fazer uma pergunta?

Pandora inclinou levemente a cabeça.

- Sempre.

Josephine sustentou o olhar.

- Você nunca pensou em se tornar rainha?

O silêncio que se seguiu pareceu deslocado.

Pandora piscou, surpresa genuína.

- Rainha?

Josephine levantou-se lentamente.

- Você poderia.

A voz vinha suave.

Perigosamente suave.

- Bastaria pedir aos nossos pais. Um casamento com Ezequiel...

Pandora ficou imóvel.

Como se a ideia fosse completamente absurda.

- Josephine...

Ela soltou uma pequena risada incrédula.

- Eu jamais faria isso.

Josephine observava cada microexpressão.

Cada reação.

- Por quê?

Pandora respondeu sem hesitar.

Sem diplomacia.

Sem filtro.

Como sempre.

- Porque eu nunca me casaria com a realeza.

A resposta caiu firme.

Definitiva.

- Eu odeio as intrigas. Os jogos. As máscaras. A política constante...

Seus olhos azul-piscina carregavam algo intenso.

Algo visceralmente verdadeiro.

- Eu prefiro mil vezes viver livre do que presa em um trono dourado.

Josephine permaneceu em silêncio.

Pandora continuou, quase inconscientemente cruel em sua honestidade.

- Você nasceu para isso, Josephine. Eu não.

Não havia desprezo.

Mas havia algo pior.

Certeza.

Pandora aproximou-se e segurou suavemente as mãos da irmã.

- Você será uma rainha magnífica.

Josephine sorriu.

Um sorriso impecável.

Treinado.

Indecifrável.

- Talvez...

Mas algo em seus olhos...

Algo agora queimava com nova intensidade.

Porque Pandora não desejava o trono.

E ainda assim...

Era perfeitamente capaz de tomá-lo.

A noite caiu.

E com ela...

O baile.

Os salões Bragança resplandeciam sob lustres de cristal, reflexos dourados e música majestosa.

Carruagens chegavam incessantemente.

Realeza.

Nobreza.

Poder.

Vestidos luxuosos deslizavam como ondas de seda. Uniformes militares cintilavam sob medalhas e insígnias.

O continente reunido.

Observando.

Calculando.

Comparando.

Então...

Ela surgiu.

Pandora Bragança.

O salão literalmente silenciou.

O vestido impecável moldava-se com elegância etérea. Os diamantes rosa reluziam em contraste delicado com a pele clara. Os cabelos longos caíam como cascata prateada-dourada.

Mas não eram as joias.

Nem o vestido.

Era ela.

A beleza rara, quase perturbadora em sua naturalidade.

Pandora não entrava como alguém que buscava atenção.

Entrava como alguém que inevitavelmente a possuía.

Os olhares convergiram como força gravitacional.

Sussurros nasceram instantaneamente.

- Pandora Bragança...

- Extraordinária...

- Irreal...

Josephine observava do topo da escadaria.

Radiante.

Majestosa.

Perfeita.

Mas invisível por um breve e cruel instante.

Porque Pandora não competia.

Ela simplesmente existia.

E isso era devastador.

Entre os convidados...

Ezequiel Alcântara.

O olhar firme.

Controlado.

Impenetrável.

Até vê-la.

O tempo pareceu sofrer uma ruptura silenciosa.

Pandora movia-se pelo salão com leveza despreocupada, sorrindo, conversando, alheia ao caos que provocava.

Ezequiel sentiu algo raro.

Algo perigosamente humano.

Algo que não combinava com reis.

Não combinava com dever.

Não combinava com ele.

E Josephine percebeu.

Claro que percebeu.

Porque Josephine sempre percebia tudo.

E naquele instante...

Sob música, diamantes e rivalidades silenciosas...

O jogo mudava.

De forma irreversível.

Porque Pandora odiava tronos.

Mas tronos...

Pareciam inevitavelmente inclinados a ela.

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