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FAMÍLIA BRAGANÇA: PELO BEM MAIOR
img img FAMÍLIA BRAGANÇA: PELO BEM MAIOR img Capítulo 8 Pandora tira Ezequiel do sério
8 Capítulo
Capítulo 10 Irmãos De Alma img
Capítulo 11 O Escândalo img
Capítulo 12 Que sua Vida Seja Um Inferno img
Capítulo 13 O símbolo da Família img
Capítulo 14 Pandora será a futura princesa herdeira img
Capítulo 15 Não Uma Rainha Mais Uma Concubina Imperial img
Capítulo 16 Um jogo de poder img
Capítulo 17 Sou uma Bragança img
Capítulo 18 Marcas de paixão img
Capítulo 19 Presentes preciosos img
Capítulo 20 O luxo de um casamento Real img
Capítulo 21 Um ataque img
Capítulo 22 Ezequiel se preocupa com a segurança de Pandora img
Capítulo 23 Indo Embora img
Capítulo 24 De Volta Pra Casa img
Capítulo 25 Reunião dos Jovens Nobres img
Capítulo 26 Um Duelo img
Capítulo 27 O Duque Alaric Montenegro img
Capítulo 28 UMA ALIANÇA img
Capítulo 29 Provocação img
Capítulo 30 Um Presente Nada Inocente img
Capítulo 31 Um Beijo Inesperado img
Capítulo 32 O Caos Antes Do Casamento img
Capítulo 33 Invasão Ao Palácio img
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Capítulo 8 Pandora tira Ezequiel do sério

O encontro ocorreu longe de olhos curiosos.

Longe de corredores.

Longe de protocolos.

Josephine aguardava sob o pavilhão de mármore nos jardins externos, envolta pela serenidade enganosa que sempre precedia decisões perigosas.

O Príncipe de Valença chegou em silêncio.

Mas havia algo diferente em seu olhar.

Mais atento.

Mais cauteloso.

- Você pediu urgência.

Josephine virou-se lentamente.

O sorriso que ofereceu era impecável.

Treinado.

Mas carregado de algo inquietante.

- Porque meu plano exige precisão.

O príncipe permaneceu imóvel.

Observando.

- Estou ouvindo.

Josephine aproximou-se.

Sem hesitação.

Sem sombra de dúvida.

- Dentro de alguns dias haverá um baile.

Silêncio.

- E nesse baile...

Ela sustentava o olhar dele com intensidade perturbadora.

- ... nós seremos encontrados na cama.

O príncipe congelou.

Literalmente.

- Encontrados?

- Por meus pais.

Uma pausa.

- E pela família real.

O silêncio tornou-se denso.

Quase brutal.

- Você está sugerindo um escândalo calculado.

Josephine inclinou levemente a cabeça.

- Estou sugerindo uma inevitabilidade política.

O príncipe estreitou os olhos.

- Continue.

- Uma herdeira desonrada.

A voz dela vinha calma.

Fria.

Cirúrgica.

- Um casamento rompido.

Outra pausa.

- Uma substituição necessária.

O ar pareceu ficar pesado demais.

- Pandora.

A palavra saiu dos lábios dele como constatação inevitável.

- Pandora assumirá meu lugar.

Silêncio absoluto.

O príncipe a encarava como se estivesse diante de algo fascinante...

E profundamente alarmante.

- Você pretende incendiar Alcântara.

- Pretendo forçar os Bragança.

Josephine respondeu sem emoção.

- Meus pais jamais permitirão que uma filha Bragança deixe de se tornar rainha.

- Isso é uma aposta brutal.

- Isso é compreender minha família.

O príncipe caminhou lentamente ao redor dela.

- E por que eu aceitaria algo dessa magnitude?

Josephine virou-se suavemente.

- Porque você deseja uma aliança com os Bragança.

- Eu poderia simplesmente casar com Pandora.

A resposta veio rápida.

Lógica.

Josephine sorriu.

Mas era um sorriso afiado.

- Meus pais jamais permitiriam.

Silêncio.

- Pandora é... imprevisível demais.

O príncipe inclinou levemente a cabeça.

- George Bragança também jamais permitiria que Pandora fosse entregue a Ezequiel.

Josephine sustentou o olhar.

Segura.

Convicta.

Perigosa.

- Os Bragança honram sua palavra.

Uma pausa.

- Uma das filhas se tornará rainha.

Agora...

O príncipe silenciou.

Porque ali estava a essência brutal da aristocracia.

Honra.

Dever.

Sacrifício.

- Você está jogando um jogo extremamente arriscado, Lady Josephine.

- Não.

Os olhos dela brilhavam friamente.

- Estou jogando um jogo inevitável.

Silêncio.

Longo.

Pesado.

Calculado.

- Eu pensarei.

Josephine inclinou levemente a cabeça.

- Não pense por muito tempo.

Uma pausa.

- O destino costuma favorecer os ousados.

E ali...

O príncipe partiu.

Carregando consigo uma decisão capaz de incendiar reinos.

Muito longe dali...

O mundo parecia outro.

Diante do rio.

Da cachoeira.

Do som indomável da água.

Pandora estava sentada sobre uma rocha, os pés quase tocando a correnteza, envolta naquela liberdade que parecia pertencer apenas a ela.

Então...

Passos.

Cavalo.

Presença.

Ezequiel.

- Você realmente não consegue ficar longe de problemas.

Pandora virou-se lentamente.

Um sorriso preguiçoso surgiu.

- Eu prefiro chamar de vida.

Ezequiel desmontou.

A postura rígida.

O olhar severo.

- Isso é imprudência.

- Isso é respirar.

- Você é uma Bragança.

- Infelizmente para seus padrões.

O olhar dele endureceu.

- Mesmo sendo nobreza, você não se comporta como uma.

Pandora levantou-se lentamente.

A água rugia atrás dela.

Selvagem.

Quase simbólica.

- E você se comporta como alguém que nunca viveu um único dia sem correntes invisíveis.

- Isso se chama dignidade.

Pandora riu.

- Isso se chama prisão elegante.

O silêncio entre eles tornou-se cortante.

- Você desafia tudo.

- Eu questiono tudo.

- Você ignora consequências.

- Eu ignoro limitações artificiais.

A tensão subiu como fogo.

- Você é imprudente, Pandora.

Ela sustentou o olhar.

Provocadora.

Incendiária.

- Você é insuportavelmente fechado.

E antes que ele pudesse reagir...

Pandora fez algo completamente inesperado.

Algo absolutamente Pandora.

Começou a tirar as luvas.

Depois os adornos.

Depois as camadas do vestido.

Ezequiel congelou.

- O que está fazendo?

Pandora o encarou com um brilho quase selvagem nos olhos.

- Mostrando a você...

Ela livrou-se da última camada.

Sem pudor.

Sem hesitação.

Sem medo.

- ... como se vive de verdade.

E então...

Saltou.

Direto no rio.

A água explodiu em reflexos dourados.

Pandora emergiu rindo.

Viva.

Radiante.

Indomável.

- É assim que se vive!

O eco da voz dela misturava-se ao rugido da cachoeira.

Ezequiel permanecia imóvel.

Completamente chocado.

Mas não era apenas choque.

Era algo muito mais perigoso.

Porque Pandora ali...

Livre.

Molhada.

Rindo como se o mundo fosse pequeno demais para contê-la...

Era a coisa mais devastadoramente viva que ele já vira.

E algo dentro dele...

Algo cuidadosamente trancado por toda uma vida...

Começava a ruir.

Silenciosamente.

Irreversivelmente.

O rio ainda rugia atrás deles.

Pandora permanecia imóvel à margem, a pele cintilando sob a luz dourada, os cabelos molhados caindo em ondas livres.

Ezequiel a encarava como se ela fosse uma afronta viva à própria ordem do mundo.

- Você perdeu completamente o juízo.

Pandora inclinou levemente a cabeça, a água cintilando sobre a pele clara.

- Não. Eu apenas não o uso como corrente.

O maxilar dele travou.

- Sua ousadia ultrapassa qualquer limite aceitável.

Ela sorriu.

Provocadora.

Perigosamente despreocupada.

- Aceitável para quem?

O silêncio explodiu.

- Para qualquer pessoa que compreenda dignidade.

Pandora riu novamente.

Mas dessa vez...

Havia desafio puro.

- Dignidade não é sinônimo de repressão, Alteza.

Ezequiel avançou alguns passos.

A tensão agora quase física.

- Se você não fosse uma Bragança...

A voz saiu baixa.

Carregada de fúria contida.

- ... eu já teria mandado chicoteá-la por tamanha ousadia e falta de pudor.

O mundo pareceu congelar.

O som da cachoeira.

O vento.

Tudo desapareceu.

Pandora o encarou lentamente.

Sem choque.

Sem medo.

Apenas algo frio.

Perigosamente frio.

- Então ainda bem que sou uma Bragança.

O golpe foi seco.

Cortante.

Ela saiu da água com calma irritante, passando por ele sem a menor pressa.

Sem submissão.

Sem intimidação.

- Porque homens que precisam de chicotes para impor respeito...

Uma pausa.

Olhar direto.

- ... normalmente não possuem autoridade real.

O silêncio entre eles queimava.

Mas agora...

Não era apenas confronto.

Era algo muito mais pessoal.

Muito mais perigoso.

Porque Pandora não apenas o desafiava.

Ela o desmontava.

Dias depois.

Salão menor Bragança.

Conversa privada.

Tensão inevitável.

O Príncipe de Valença aguardava junto à janela quando Pandora entrou.

Elegante.

Serena.

Com aquela aura natural que parecia deslocar o equilíbrio de qualquer ambiente.

- Alteza.

- Lady Pandora.

O olhar dele carregava algo diferente agora.

Menos charme.

Mais intenção.

- Espero não estar sendo inconveniente.

Pandora sorriu levemente.

- Essa frase costuma anteceder inconveniências.

O príncipe quase riu.

Quase.

- Serei direto.

Silêncio.

- Desejo pedir sua mão novamente.

Nenhuma surpresa.

Nenhuma hesitação.

Nenhuma dúvida.

Pandora suspirou suavemente.

- Alteza...

- Pandora.

A voz dele saiu mais baixa.

Mais pessoal.

- Valença lhe ofereceria liberdade. Poder. Influência.

Ela sustentava o olhar com serenidade inabalável.

- Liberdade condicionada nunca é liberdade.

- Seria uma união estratégica magnífica.

- Para Valença.

O príncipe estreitou levemente os olhos.

- E para você.

Pandora inclinou levemente a cabeça.

- Eu não desejo ser princesa.

Silêncio.

Pesado.

Definitivo.

- Nem rainha.

Outra pausa.

Ainda mais cortante.

- Nem peça diplomática.

O príncipe a encarava em silêncio.

Visivelmente frustrado.

Mas também...

Intrigado.

- Você recusa algo que muitos matariam para possuir.

Pandora sorriu.

Mas era um sorriso calmo.

Quase gentil.

- Porque muitos confundem coroa com felicidade.

Silêncio.

- Eu não.

O príncipe respirou fundo.

- Você realmente não teme nada, não é?

Pandora sustentou o olhar.

Suave.

Inquebrável.

- Eu temo viver uma vida que não escolhi.

O silêncio que se seguiu foi longo.

Carregado.

Irreversível.

Porque agora...

Ficava claro.

Pandora Bragança não era negociável.

E isso...

Era exatamente o que a tornava tão perigosamente desejável.

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