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A noite estava agradável, a temperatura estava amena, mas não chegava a ser frio, era outono. No centro da cidade haveria uma inauguração de um estabelecimento chamado Palace Hotel, enquanto isso Lilian Perez se arrumava no seu quarto simples, ela morava em uma pequena casa no subúrbio da cidade com sua amiga Joyce Gusman.
- Amiga, para onde você vai linda desse jeito? - Joyce que acabava de chegar do trabalho se deparou com Lilian toda impecável de frente ao espelho quebrado da sala, ela estava terminando de passar seu gloss dourado nos lábios, após ouvir as palavras de Joyce, ambas riram.
- Joyce, deixa de bobagem! Eu nem estou tão arrumada assim, mas vamos concordar que eu não combino com estes trajes. - ela se olhou no espelho da cabeça aos pés e deu de ombros. Joyce revirou os olhos e disse:
- Não seja tola! Você está perfeita com este look glamouroso!
Às oito da noite o Palace Hotel estava exalando diversão, muitas luzes coloridas, músicas dançantes, várias mesas para acomodarem os convidados, buffet impecável, decoração luxuosa, e a maioria das pessoas se vestiam de modo sofisticado. Todos comiam, bebiam, dançavam e conversavam, quando Lilian chegou acompanhada de sua patroa Zoe Bianchi, ambas desciam as escadas em direção ao salão de festa quando instantâneamente todos se viraram em sua direção, pois ela estava deslumbrante.
Os cabelos lisos, escuros e longos esvoaçavam com a brisa, seu vestido evasê longo, com fenda lateral de cor preta deixava sua bela perna torneada à mostra. Sua beleza era estonteante.
Lilian sentiu suas bochechas queimarem, pois era tímida e não estava acostumada com tantos olhares. Zoe percebeu, e a acalmou.
- Calma, querida! Está tudo bem! Nossos assentos estão logo ali. Vamos lá? - a senhora de meia idade, de cabelos grisalhos e curtos a orientou. Após, ambas se sentaram, de repente Zoe viu seu filho de costas pra ela, porém ele era reconhecido de longe por ela por causa de suas peculiaridades.
- Lilian, olha! Está vendo aquele rapaz de costas para nós, a uns 3 metros, conversando com aquelas garotas assanhadas? Ele é meu filho, mora no interior com meu marido. Ambos cuidam da fazenda da família. Vou chamá-lo para te apresentá-lo.
- Não, senhora. Eu estou muito desconfortável com esta vestimenta que não tenho costume, me sinto muito envergonhada, todos me olham torto, parece que me menosprezam por eu não ser do mesmo círculo social deles. Aí, nossa! Eu converso demais! Desculpe!
- Sua garota boba! Todos te olham porque você está muito bonita, e aqui ninguém conhece suas origens. E meu filho é maravilhoso, você vai gostar muito dele, ele é muito educado e gentil.
Ao terminar de falar, a senhora entrou no meio da multidão para buscar o seu filho.
Quando Lilian terminou de beber um gole de água na taça de cristal, ela ouviu uma voz.
- Boa noite! - disse o rapaz alto de chapéu e roupa de cowboy.
Quando ela levantou o olhar, seu queixo ficou caído por alguns instantes. Até que Zoe disse:
- Lilian? Você está bem?
- Ah, Ah, sim, senhora! É que acho que já nos vimos!
- Como assim? Onde? Ele chegou hoje da fazenda, havia meses que eu não o via.
O rapaz interviu e disse:
- Lilian, não é? - ela confirmou - mas eu nunca havia te visto antes.
A jovem não entendeu o porquê dele negar que a havia visto, porém ela odeia mentiras e decidiu falar a verdade.
- Hoje mais cedo você foi à mercearia comprar cerveja. - ela disse envergonhada por ter implicado com o filho de sua patroa. O rapaz tentou disfarçar a gargalhada, mas não conseguiu.
- por que você está rindo tanto, meu filho? - Zoe questionou sem entender nada.
- Mãe, essa garota não é a mesma que vi hoje a tarde. Não pode ser. Quando a vi mais cedo ela estava toda descabelada e suada, vestida em uns trapos. Não é a mesma pessoa, não pode ser. Vocês devem estar de brincadeira comigo, não é?!
Lilian franziu o cenho e lançou um olhar intimidador para ele.
- Pois, sou bem eu mesma, porém mais arrumada! - ela disse firmemente, porém tentando não brigar.
- Mas, mãe! O que essa garota esfarrapada e mal educada está fazendo aqui? - o rapaz questionou.
- Olha, aqui! Você me respeite! O que me falta de dinheiro, te falta em educação. Não adianta ter dinheiro e não ter humildade e empatia. - Lilian disse firme fitando-o.
- Garota! Deixa de ser idiota! Você não merece estar em nosso meio, você não deveria estar aqui. Seu lugar é na favela, no subúrbio, não aqui! - ele desdenhou enquanto dava um gole em sua cerveja.
Zoe achou aquilo tudo terrível, pois por mais que amasse o filho e o achasse um príncipe apesar de seus defeitos, naquele momento ela se sentiu muito envergonhada com a atitude dele.
- Paulo, o que você está fazendo? Ela é minha convidada! Eu a contratei há um mês e nos demos muito bem, a convidei para me fazer companhia nesse evento magnífico do meu amigo Álvaro Álvarez.
- Ah, mãe! Você tem mania de fazer caridade, mas eu não vou mais perder meu tempo com essa sem noção. Foi muito bom ver a senhora, breve nos veremos de novo, até mais!
Ele disse e deu as costas se voltando para o meio da multidão.
Lílian não quis ouvir as justificativas e pedido de desculpas de sua patroa, então pediu licença e foi ao banheiro respirar um pouco depois daquela situação desagradável. Quando Paulo viu aquela silhueta voluptuosa se balançando no caminhar de saltos altos, ele ficou louco...
Lilian estava prestes a entrar no toalete quando sentiu uma mão enorme apertar seu braço e puxa-la. Quando ela se virou, lá estava o mesmo que acabara de humilha-la.
- O que você quer, hein? Você não já está satisfeito com o que acabou de me falar? Quer me humilhar mais em quê? - ela disse olhando no fundo dos olhos dele. Ela tinha muita raiva contida dentro de si, porém em seu olhar isso transparecia, e aquilo de certa forma excitou Paulo.
- Você gosta de afrontar, não é? Querida, isso me atrai, gosto de garotas rebeldes, pois assim eu me divirto dominando-as. - disse com um leve sorriso nos lábios - você está ferrada, garota! Você me deixou louco de tesão, agora aguente!
Ele a beijou a força. Ela tentou se afastar, mas ele era muito mais forte, então não conseguiu, porém ao sentir os lábios dele tocando os seus, e a língua dele adentrando sua boca, ela não resistiu e correspondeu o beijo, pois apesar de ser rude, não deixava de ser um homem muito bonito e que beijava muito bem. Quando ele a soltou, ele riu e disse:
- Eu sabia que você ia gostar! Confesso que também gostei! Amanhã te pego as cinco da tarde após seu expediente na mercearia da minha mãe para darmos um passeio - Lilian tentou falar algo, mas ele a interrompeu colocando o dedo indicador sobre os lábios dela, indicando que queria que ela se calasse, então ele continuou a falar - Eu não aceito um "Não" como resposta!
Ele se afastou ainda mais dela, jogou um beijo para ela e piscou o olho fazendo charme, virou de costas e se foi no meio da multidão.