6 Capítulo
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Entre a dor e o desejo, o corpo grita primeiro.
CAIO MOREAU BASTIEN
Meu peito colou nas costas dela como se o tempo nunca tivesse passado.
Meus lábios tocaram a curva do ombro, quentes, famintos, e o roupão de seda escorregou como uma mentira antiga sendo arrancada, revelando o corpo que eu lembrava até nos sonhos mais torturantes.
Uma mão tomou posse do seio. A outra invadiu a calcinha sem pedir licença.
Ela gemeu alto, traída pelo próprio corpo, pela memória daquilo que só existia entre nós dois.
- Shhhhh... - sussurrei contra o ouvido dela, mordendo de leve. - Sente. Vai.
Meus dedos mergulharam nela, profundos, certeiros, e o som que ela fez foi um grito contido que se transformou em música.
- Você também quer. - rosnei, com a boca quente no pescoço dela. - Tá sentindo? Você tá molhada pra caralho, Alinna. Tá babando por mim.
Ela gemeu. O corpo tombou pra trás, colado no meu peito, sem resistência.
- Vem... - ela arfou, entre lágrimas e desejo. - Deixa eu amar você como na nossa primeira vez...
O gozo dela explodiu na minha mão. Forte. Inteiro. O corpo dela tremeu, as pernas cederam, e eu a segurei contra mim como quem segura algo que nunca deveria ter perdido.
Mordi o lóbulo da orelha dela, saboreando sua entrega.
- Aposto que nunca gozou com ele assim. - provoquei, com veneno e ternura misturados. - Deixa eu te mostrar o que é gozar de verdade...
Mas ela respirou fundo, pegou o roupão do chão e se cobriu, o rosto marcado por vergonha, raiva e dor.
- Até quando vai me humilhar, Caio?
Fiquei parado, ofegante, sem entender.
- Humilhar? Eu só...
- Você não sabe de nada. - ela me cortou.
A raiva me engoliu.
- Como não sei?! - explodi. - Você até teve um filho dele! O que eu não sei, porra?! ME FALA! ME FALA, CARALHO!
Ela virou pra mim, os olhos em chamas de dor e fúria.
- CAIO. Sai do meu quarto.
Dei um passo à frente.
- SAAAAAAAAAAI! - ela gritou, e o grito dela me atravessou como bala.
Engoli seco. Recuar nunca foi da minha natureza. Mas naquele instante eu entendi que a força dela não era só resistência - era sobrevivência.
Dei dois passos para trás. Fechei a porta com força.
Ela escorregou até o chão. Eu ainda ouvi o choro dela ecoar do outro lado.
Choro de quem carrega pecados que nunca foram seus.
Entrei no meu quarto como quem invade um campo minado.
A porta ficou entreaberta. Meu peito subia e descia sem ritmo. O pescoço latejava com as veias saltadas.
- Porra... o que eu não sei? - rosnei para o nada. - O que mais?
Socando a parede uma, duas, três vezes.
A dor nos nós dos dedos era menos cruel que a dúvida que me corroía.
- Enquanto ela estiver aqui... eu não vou viver. Vou enlouquecer.
Arranquei a camisa. Depois a calça.
Fiquei nu. Sem pensar. Sem respirar.
Entrei no chuveiro. A água quente caiu como punição, queimando a pele e não lavando porra nenhuma.
Meu corpo não obedecia. O pau latejava, duro, pulsando como se ela estivesse ali dentro de mim.
Encostei as costas no azulejo frio, joguei a cabeça pra trás e me toquei.
As mãos fortes, desesperadas, tentando dar vazão ao que me destruía.
- Alinna... porra... - gemi, mordendo o lábio.
A respiração ficou pesada, o peito tremendo, o quadril retesado.
- Caralho... que saudade eu sinto de você...
Fechei os olhos, a boca entreaberta.
- Ah, porra... vem pra mim, Alinna... vem...
Foi quando a vi.
Ela estava parada na porta.
Me viu.
Ouviu.
O meu corpo entregue.
As mãos no meu prazer.
O gemido em homenagem a ela.
Congelei. Trêmulo, molhado, vermelho de desejo e vergonha.
- Desculpa... eu... eu vou explodir. Eu preciso...
Ela deixou o roupão cair. Ficou só de calcinha e sutiã.
As lágrimas brilhando, o corpo em chamas.
Entrou no banheiro sem falar nada.
Eu não recuei.
Ela me beijou. Com raiva. Com desejo. Com saudade.
Eu retribuí como quem bebe água depois de atravessar um deserto.
Minhas mãos foram direto ao fecho do sutiã.
Abri. Soltei.
Os seios dela colaram no meu peito molhado.
Abaixei a calcinha devagar, olhando nos olhos dela.
- Eu não vou fingir que tá tudo bem.
- Nem eu. - ela sussurrou.
Ajoelhei diante dela, no azulejo quente, a água caindo sobre nós dois.
Segurei as coxas dela com força. Abri.
Minha boca foi direto pro centro dela.
O sabor me enlouqueceu.
A língua fazia círculos lentos, depois mergulhava com fome de anos.
Ela gemeu alto, a mão cravada no meu cabelo, o corpo se arqueando contra mim.
- Isso... porra... Caio...
O som dela me incendiava. Misturado à água, aos anos de silêncio, ao instinto que nunca morreu.
Ela veio contra a minha boca, tremeu inteira, e eu lambi cada gota, cada gemido, cada lembrança.
- Eu nunca... nunca deixei ele me tocar assim, com essa verdade depois de você. - ela confessou, entre respirações falhas.
Levantei, o pau duro roçando no ventre dela.
- Agora é minha vez... - sussurrei, mordendo seu pescoço.
Ergui-a nos braços. As pernas dela se enroscaram na minha cintura.
Penetrei-a ali mesmo, contra o azulejo, em pé, sob a água quente.
Ela gritou.
Eu gemia no ouvido dela, repetindo como mantra:
- Você ainda é minha.
- Foda-se o mundo, você ainda é minha.
Cada estocada era confissão de dor.
Cada gemido, lembrança.
Cada gozo, um pedido de socorro.
A levei para a cama como quem carrega uma vida inteira nos braços.
Deitei-a sem delicadeza, porque o desejo vinha misturado de raiva.
Subi sobre ela, olhos cravados nos dela.
- Que saudade, porra. - arfava. - Sete anos desejando você. Sete anos, Alinna. Quantas noites me masturbei chamando seu nome...
E o que restava em mim era apenas isso:
o instinto que ainda vivia.
> Ela não sabia se era ameaça, desejo... ou só o luto gritando mais alto que os dois.