Gênero Ranking
Baixar App HOT
Entre o Crime e a Paixão
img img Entre o Crime e a Paixão img Capítulo 4 Venha até a minha casa
4 Capítulo
Capítulo 20 Mudando de Marcha img
Capítulo 21 Estratégia de Saída img
Capítulo 22 Hora Extra img
Capítulo 23 Alavancagem img
Capítulo 24 Um Tipo Ruim de Bônus img
Capítulo 25 Superpoderes img
Capítulo 26 Proposta de Venda img
Capítulo 27 Estratégia de Saída img
Capítulo 28 Na Corda Bamba img
Capítulo 29 Quebradiça img
Capítulo 30 O Que É Tudo Isso img
Capítulo 31 Pelos Ares img
Capítulo 32 Os Monstros de Sempre img
Capítulo 33 Eu Juro img
Capítulo 34 Uma Dose de Realidade img
Capítulo 35 A Escolha img
Capítulo 36 O Menu img
Capítulo 37 Amor img
Capítulo 38 Quem Está na Chuva... img
Capítulo 39 Dois Dias img
Capítulo 40 Dia Um img
Capítulo 41 Dia Dois img
Capítulo 42 Jogar no Mesmo Nível img
Capítulo 43 Jogo de Poder img
Capítulo 44 Em Casa, Enfim img
Capítulo 45 No Escritório, Enfim img
Capítulo 46 A Vida Nova do Diogo img
Capítulo 47 Jantar a Dois img
Capítulo 48 Fazendo Planos img
Capítulo 49 Sardenha img
Capítulo 50 Sob as Estrelas img
Capítulo 51 Distância img
Capítulo 52 Debaixo da Minha Asa img
Capítulo 53 O que Você Ama img
Capítulo 54 Os Dois Lobos img
Capítulo 55 Sob Pressão img
Capítulo 56 Olhos nos Céus img
Capítulo 57 Termos e Condições img
Capítulo 58 Calibrando img
Capítulo 59 Manipulando as Cartas img
Capítulo 60 O Grande Baile img
Capítulo 61 Porta Afora img
Capítulo 62 Proteção img
Capítulo 63 Vida Doméstica img
Capítulo 64 Rastros de Papel img
Capítulo 65 Pausa Entre as Tempestades img
Capítulo 66 O Pedido img
Capítulo 67 Atenção Dividida img
Capítulo 68 Prioridades img
Capítulo 69 A Verdade, Somente a Verdade img
Capítulo 70 A Chegada img
Capítulo 71 Desencontro img
Capítulo 72 Terreno Comum img
img
  /  1
img

Capítulo 4 Venha até a minha casa

Não houve outra ligação. Em vez disso, uma nova mensagem apareceu na tela:

"aperte o ícone de casa."

Na tela, entre todos aqueles ícones piscando, setas, números e luzes, havia de fato um pequeno ícone com uma casinha. Fiquei sinceramente ofendida quando o sujeito achou necessário mandar outra mensagem explicando:

"é o ícone da casinha branca."

Por acaso ele achava que eu era idiota?

Com o dedo suspenso no ar, hesitei. Eu estava prestes a apertar um comando dentro do carro de um sujeito extremamente suspeito - que, diga-se, praticamente roubou o meu carro! Mesmo tendo deixado outro incrivelmente caro no lugar... seria o certo fazer o que ele mandava? Quem era esse cara, afinal? E por que ele precisava do meu carro pra fugir da polícia, se tinha essa máquina incrível?

Lembrei da arma, dos passaportes, do dinheiro e de outras coisinhas suspeitas, e cheguei à conclusão de que aquelas não deviam ser as únicas ilegalidades ali dentro.

Meu Deus... tem um corpo no porta-malas!

Imediatamente tirei o dedo da tela e pisei com tudo no freio. A máquina poderosa parou seca. Fiquei ali, agarrada ao volante, com os nós dos dedos brancos.

Isso me tornava cúmplice de assassinato. Se a pessoa no porta-malas tivesse sido assassinada. Se houvesse mesmo alguém lá. Mas é claro que havia. Por que outro motivo ele abandonaria o carro e levaria o meu?

A situação parecia sombria.

O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço??

Calma, Carla. Respira. Vamos pensar.

Se esse cara é um assassino de machado, é o pior do mundo - porque dar um carro esportivo de luxo pra alguém é a pior forma possível de atrair uma vítima. Então talvez ele não queira matar ninguém. Talvez só queira o carro de volta. Talvez.

Ou talvez ele esteja metido em alguma coisa muito estranha - e o motivo disso tudo esteja bem aqui, dentro desse carro. Nesse caso, eu sou cúmplice de... seja lá o quê.

Preciso me livrar disso. Rápido.

O oceano não fica longe... Mas será que eu conseguiria dirigir até lá e jogar o carro na água? E se eu me afogar? E se alguém me vir? Ou e se eu tacar fogo nisso?

Para, Carla! Ele sabe quando eu estou dentro do carro. Sabe quando eu estou dirigindo. E provavelmente sabe onde eu estou! Não faço ideia de que tecnologia tem nessa coisa, mas, no mínimo, um GPS superavançado deve ter. E eu não quero esse homem vindo atrás de mim. Ele sabe onde eu trabalho!

Argh, eu odeio esse cara! Nem o conheço e já odeio.

- Carla, garota, sua melhor opção é devolver o carro, pegar o seu de volta e ir pra casa descontar esse cheque! - falei em voz alta, pra mim mesma.

Eu precisava desse empurrão.

Então, plenamente consciente de que minha vida não ia melhorar depois daquilo, apertei o ícone de "casa".

Uma voz eletrônica suave sussurrou:

"Em duzentos metros, vire à esquerda."

E, sem muita escolha, eu fui.

Argh, eu não sei, e te odeio! Odeio!

Acelerei pelas ruas e avenidas, rezando pra não ser parada pela polícia. Também rezei pra que, se houvesse um corpo no porta-malas, eu não estivesse deixando um rastro de sangue. Essa não era uma história que eu pudesse explicar ao detetive Valentine. Ou a ninguém, na verdade.

Mas os bancos de couro aquecidos e o controle perfeito do carro deixavam a viagem estranhamente agradável.

O GPS me guiou até a maior casa que eu já tinha visto. O portão era de ferro trabalhado, cheio de arabescos. Diante dele, dois brutamontes armados com metralhadoras me observavam se aproximar.

O portão se abriu suavemente. Dirigi pela estrada que subia o morro onde a mansão ficava. Mesmo no escuro, reconheci quadras de tênis, uma piscina, um jardim florido e até um labirinto de arbustos.

A entrada da casa moderna parecia um museu.

Num dos muitos níveis de concreto, intercalados por varandas e jardins, uma porta enorme estava aberta. A noite era fria, e a luz quente que vazava de lá dentro parecia convidativa. Mais homens armados me orientaram a seguir até ela.

Encontrei-me num corredor amplo, com uma ópera tocando alto nos alto-falantes ao longe. Segui a voz da mulher italiana, que cantava suas dores, e entrei numa cozinha moderna e imensa. Panelas ferviam sobre o fogão. O cheiro era hipnotizante. Um molho borbulhava numa panela, e de outra saía uma coluna de vapor. Claramente ele não era quem lavava a louça depois.

- Oh! Olá! - a voz dele surgiu do nada, sobrepondo-se à da cantora.

Virei-me e o vi saindo da despensa, uma garrafa de vinho em uma mão e um pedaço de pão na outra.

- A viagem até aqui foi tranquila? O carro dirige suavemente, não é?

Ele usava as mesmas calças e sapatos pretos de antes, mas havia tirado o paletó e a gravata. As mangas da camisa branca estavam dobradas até os cotovelos - e manchadas de sangue.

Ele percebeu meu olhar fixo nelas. Eu não lembrava de tê-las visto antes.

- Ah, isso? Não se preocupe. É só molho de carne.

Aham. Aposto. E aposto que o dono desse "molho" tá no seu porta-malas.

Devia ter entregue seu cartão pro policial.

- Aqui, você deve estar faminta. - Ele me ofereceu um pedaço de pão com um naco daquele molho.

Devo ter recuado um pouco, porque ele insistiu:

- Vamos lá... Passei quase uma hora cozinhando isso. - Pegou minha mão e colocou o pedaço nela. - É delicioso. É uma receita que aprendi com... com um amigo na Itália. A gente estava no iate dele, na costa da Sardenha. Mar azul lindíssimo! E ele passou a tarde toda cozinhando isso. O segredo, me dizia ele, não está nem nas dúzias de ervas nem no vinho que ele usava... Está no... Ah, desculpe, estou aqui tagarelando. Deveria deixar você provar primeiro.

Enquanto falava, abriu a garrafa de vinho, serviu duas taças e me entregou uma.

O aroma da carne no pão, quente em minhas mãos, fez minha boca salivar. Cheirava como o paraíso depois de um dia infernal.

- Vamos, é seguro, eu juro. É o mínimo que posso fazer depois de você ter me ajudado tanto hoje. - disse, com a voz mais suave e convincente do mundo.

E, deixando claro que não aceitaria um "não", ele me fez dar uma mordida.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022