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Entre o Crime e a Paixão
img img Entre o Crime e a Paixão img Capítulo 1 Boas notícias
1 Capítulo
Capítulo 20 Mudando de Marcha img
Capítulo 21 Estratégia de Saída img
Capítulo 22 Hora Extra img
Capítulo 23 Alavancagem img
Capítulo 24 Um Tipo Ruim de Bônus img
Capítulo 25 Superpoderes img
Capítulo 26 Proposta de Venda img
Capítulo 27 Estratégia de Saída img
Capítulo 28 Na Corda Bamba img
Capítulo 29 Quebradiça img
Capítulo 30 O Que É Tudo Isso img
Capítulo 31 Pelos Ares img
Capítulo 32 Os Monstros de Sempre img
Capítulo 33 Eu Juro img
Capítulo 34 Uma Dose de Realidade img
Capítulo 35 A Escolha img
Capítulo 36 O Menu img
Capítulo 37 Amor img
Capítulo 38 Quem Está na Chuva... img
Capítulo 39 Dois Dias img
Capítulo 40 Dia Um img
Capítulo 41 Dia Dois img
Capítulo 42 Jogar no Mesmo Nível img
Capítulo 43 Jogo de Poder img
Capítulo 44 Em Casa, Enfim img
Capítulo 45 No Escritório, Enfim img
Capítulo 46 A Vida Nova do Diogo img
Capítulo 47 Jantar a Dois img
Capítulo 48 Fazendo Planos img
Capítulo 49 Sardenha img
Capítulo 50 Sob as Estrelas img
Capítulo 51 Distância img
Capítulo 52 Debaixo da Minha Asa img
Capítulo 53 O que Você Ama img
Capítulo 54 Os Dois Lobos img
Capítulo 55 Sob Pressão img
Capítulo 56 Olhos nos Céus img
Capítulo 57 Termos e Condições img
Capítulo 58 Calibrando img
Capítulo 59 Manipulando as Cartas img
Capítulo 60 O Grande Baile img
Capítulo 61 Porta Afora img
Capítulo 62 Proteção img
Capítulo 63 Vida Doméstica img
Capítulo 64 Rastros de Papel img
Capítulo 65 Pausa Entre as Tempestades img
Capítulo 66 O Pedido img
Capítulo 67 Atenção Dividida img
Capítulo 68 Prioridades img
Capítulo 69 A Verdade, Somente a Verdade img
Capítulo 70 A Chegada img
Capítulo 71 Desencontro img
Capítulo 72 Terreno Comum img
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Entre o Crime e a Paixão

Autor: Zee Roe Nyx
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Capítulo 1 Boas notícias

Eu precisei olhar para o chão do elevador enquanto segurava o pequeno envelope apertado contra o peito. Eu sabia que, se olhasse para a Sarah, ia desabar em lágrimas. E eu não queria perder o controle na frente de todo o escritório. Ou mesmo na recepção. Por isso, quando as portas se abriram com aquele "ping" alegre, eu quase corri para dentro do café e me sentei na última mesa, lá no fundo.

Sarah veio atrás de mim e se sentou do outro lado da mesa. Com as costas voltadas para a entrada e para todo mundo, finalmente consegui agradecê-la.

- Sarah, eu quero... - comecei a dizer.

Mas foi o máximo que consegui. Meu peito arfou e as lágrimas levaram todas as palavras embora. Tudo o que eu consegui fazer foi chorar, chorar e chorar diante da Sarah sorridente. Parecia que tinha chovido sobre o envelope que eu segurava.

Ela esticou o braço por cima da mesa e segurou minhas mãos trêmulas, e mesmo assim eu não consegui dizer uma palavra por vários minutos. Talvez ela tenha se cansado do meu pranto, porque se levantou e voltou com dois lattes. Quando se sentou de novo, eu ainda não tinha conseguido parar de chorar, mas pelo menos já conseguia respirar e murmurar algumas palavras.

- Esse é o dia mais feliz da minha... - tentei dizer, mas comecei a soluçar de novo.

- A gente sabe, Carla, a gente sabe. Você merece isso - ela me garantiu.

- Eu não mereço... eu não mereço amigas como você! Eu vou pagar, cada centavo.

- Shhh... calma. Tá tudo bem. Todo mundo ajudou. Até o chefe!

- Mas... é demais!

- Sim, faculdade é cara. A gente sabe. Alguns de nós já passaram por isso. Por sorte, tivemos pais para ajudar. E o Diogo tem você.

Eu ainda custava acreditar no que via. Abri o envelope agora salpicado de lágrimas e tirei o cheque, feito em nome do Diogo. Era mais dinheiro do que eu jamais sonhei. Li o valor de novo, através da máscara de cílios borrada. Sarah me deu um guardanapo para limpar, mas eu tinha medo de soltar o cheque - parecia que, se eu deixasse, ele ia voar ou eu ia acordar de novo no meu apartamento de um quarto que eu dividia com meu filho recém aprovado na faculdade.

Diogo agora tinha 18 anos e, contra todas as probabilidades, fora aceito em uma boa faculdade local. A gente não precisaria se preocupar com moradia, mas ele ia passar mais horas no metrô do que em qualquer outro lugar, indo da faculdade pro trabalho e de volta.

- Eu não sei como te agradecer, Sarah. Nem o pessoal do escritório... Como é que eu vou encarar todo mundo?

- Só diz "obrigada" e segue em frente, Carla. Tá todo mundo torcendo pelo Diogo. Ele é um garoto especial!

- Isso ele é - respondi, tentando limpar os olhos sem soltar o cheque, nem o manchar com maquiagem ou café.

- Mas foi o máximo que deu pra juntar. Mal cobre o semestre. O que você vai fazer com o resto? Tem os livros, ele não vai poder trabalhar tanto... - Sarah falava quase pedindo desculpas por ela e os colegas não poderem pagar tudo.

- Eu não sei. Vou continuar tentando bolsas e auxílio do governo. Talvez a gente consiga cortar alguns gastos.

- Cortar o quê? No último happy hour você só tomou água!

- Talvez eu arrume um segundo emprego... ou um terceiro.

Sarah riu disso. Desta vez fui eu quem segurou a mão dela.

- Mas, sério, é demais. Você tem certeza que todo mundo...

- Carla, chega! A gente te adora e queria poder fazer mais, mas...

Sarah parou de falar no mesmo instante em que o sino pendurado na porta do café tocou e a porta se abriu com força. Virei-me para seguir o olhar dela até o homem que entrou decidido e veio em nossa direção. Naquela parte da cidade, não era incomum ver homens elegantes, em ternos sob medida, desfilando em seus carros esportivos. Os prédios estavam cheios de escritórios de advocacia de alto nível e magnatas das finanças.

Mas esse cara era diferente. O cabelo perfeitamente penteado, a pele impecável, o terno escuro de três peças e a gravata vermelha contrastavam com o olhar feroz que ele trazia. Ele examinou o café como quem entra em um campo de batalha. E foi justamente no canto mais discreto desse campo de batalha, longe dos olhares de todos, que eu tinha me escondido pra chorar.

Quando nossos olhares se cruzaram, ele lembrou como se sorri, e - como um velho amigo prestativo - sentou-se na mesa ao lado.

- Oi - cumprimentou, com algumas mechas rebeldes escapando do exagero de gel e caindo na testa, os olhos azuis cravados nos meus. - Isso vai parecer muito estranho, eu sei, mas é uma coisa boa. Eu realmente, realmente preciso trocar de carro com você. Só dessa vez.

Ele levantou um cartão preto e brilhante, com um logo reluzente que eu mal reconheci. Acho que devo ter feito uma cara esquisita, porque ele sorriu mais, inclinou-se na minha direção e tentou pegar minha mão. Eu queria tanto proteger aquele cheque que me afastei.

- Não precisa ter medo. É uma boa notícia. Pode até ser divertido! - Ele pegou minha mão livre, colocou o cartão nela e fechou meus dedos. - Aqui. Essas são as chaves do meu carro. Você pode ficar com ele se me deixar pegar o seu emprestado. Só hoje, eu prometo.

Fiquei olhando nos olhos azuis dele, sem saber o que fazer.

- Estou estacionado aqui no prédio mesmo. Terceiro andar, vaga B12. E você?

- Uh... segundo... acho. Em frente ao elevador.

- Certo. Eu o encontro. Obrigado. Muito obrigado.

E ele foi embora sem olhar pra trás, com as minhas chaves na mão - tiradas da minha bolsa, ou do meu bolso, eu nem sei.

- Que diabos acabou de acontecer? - perguntei.

            
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