Gênero Ranking
Baixar App HOT
Minha Joia: Prisioneira Do Amor
img img Minha Joia: Prisioneira Do Amor img Capítulo 10
10 Capítulo
Capítulo 12 img
Capítulo 13 img
Capítulo 14 img
Capítulo 15 img
Capítulo 16 img
Capítulo 17 img
Capítulo 18 img
Capítulo 19 img
Capítulo 20 img
Capítulo 21 img
Capítulo 22 img
img
  /  1
img

Capítulo 10

Eu estava ajoelhada diante da tela, as imagens de minha intimidade com Fabrício gravadas ali, cada riso, cada sussurro, cada gemido. A humilhação me queimava por dentro. Agarrei meu celular e liguei para meu pai. Minhas mãos tremiam, mas minha voz era firme.

"Pai", eu disse, a voz vazia.

"Taisa? O que você quer?", ele respondeu, com seu habitual tom de impaciência. "Pensei que estivesse em algum buraco, se lamentando."

"Fabrício te ofereceu para me 'punir', não foi?", perguntei diretamente, ignorando o sarcasmo dele. "Ele te propôs me usar, me gravou, me humilhou por sua causa, não foi?"

Um silêncio pesado caiu sobre a linha. Meu pai não respondeu, mas o silêncio era uma resposta por si só. Eu já sabia. A verdade era um soco no estômago.

"Ele me ofereceu um acordo", meu pai finalmente disse, a voz cautelosa. "Ele disse que te faria pagar. Eu não vi mal. Era uma boa forma de te controlar, de te ensinar uma lição."

Desliguei o telefone. Não havia mais nada a dizer. Minha última esperança, a esperança de que talvez houvesse um mal-entendido, de que Fabrício não fosse tão cruel, desmoronou. Ele havia me usado, me destruído, e meu pai foi cúmplice.

Minha risada histérica retornou, misturada com soluços. Eu estava exausta, meu corpo doía, minha mente estava em frangalhos. Mas no meio de toda aquela dor, uma nova clareza surgiu. Eu não era mais a boneca de ninguém. Eu não era mais a "Minha Joia". Eu era uma mulher quebrada, mas não derrotada.

Levantei-me, o corpo tremendo, mas a determinação era inabalável. Peguei minha mala, que estava escondida no armário. Dentro dela, meu passaporte, minha passagem aérea. Eu estava pronta para ir embora. Para sempre.

Olhei para o quarto, para as memórias que eu havia construído com Fabrício. Cada canto daquela casa era uma lembrança da sua traição. Eu não podia deixar nada para trás.

Meus olhos pousaram em um objeto na mesa de cabeceira. Uma pequena correntinha de prata, com um pingente em forma de lágrima. Ele me deu no nosso primeiro aniversário secreto. "Para que você nunca se esqueça de mim, Minha Joia", ele havia dito. Eu sabia agora o verdadeiro significado. Era uma lágrima de humilhação, uma lágrima de posse.

Agarrei a corrente. Não, eu não a deixaria para ele. Eu a levaria comigo, como um lembrete de que nunca mais seria enganada.

Peguei um isqueiro. Com um movimento determinado, acendi o fogo. As chamas lamberam as cortinas, subiram pelas paredes, consumindo tudo o que eu havia compartilhado com Fabrício. As chamas dançavam, refletindo em meus olhos vazios. Eu assistia à destruição, e em cada chama, via a minha própria alma se libertando daquela prisão.

Adeus, Fabrício. Adeus, Taisa ingênua. Eu não era mais aquela mulher. Uma nova Taisa nascia das cinzas.

O som das sirenes se aproximava. Bombeiros, policiais. Eles veriam a mansão em chamas. Eles veriam a destruição. Mas eu já estaria longe.

Saí da casa em chamas, meus passos firmes. Eu estava no meio da rua quando Fabrício chegou, seu rosto pálido de choque e fúria. Ele correu em minha direção.

"Taisa! O que você fez?!", ele gritou, a voz rouca. "Onde você estava? Você está ferida?"

Eu o encarei, meus olhos vazios. Não respondi.

"Por que você fez isso? Por que você queimou a casa?", ele perguntou, sua voz cheia de desespero. "Por que, Taisa? O que eu fiz para você?"

Não respondi. Apenas continuei andando.

Ele me agarrou pelo braço. "Você não vai a lugar nenhum. Você vai voltar para casa comigo. Vamos conversar."

"Não há mais casa", eu respondi, a voz vazia. "E não há mais nada para conversarmos."

Ele hesitou, e o celular dele tocou. Ele atendeu. Sua expressão endureceu. "Sim. Entendido. Eu já estou a caminho." Ele desligou o telefone. "Eu preciso ir. Jessica precisa de mim. Mas eu volto. E você vai me esperar, Taisa."

Eu o encarei. "Eu não espero por ninguém."

Um táxi parou na rua. Eu entrei, sem olhar para trás.

"Taisa!", ele gritou, sua voz cheia de desespero. "Me espere!"

Eu olhei para ele uma última vez. Ele estava ali, parado no meio da rua, a casa em chamas ao fundo, seu rosto contorcido de dor. Ele não sabia o que significava o pingente de lágrima que eu apertava em minhas mãos. Ele não sabia que eu havia cortado o cordão umbilical de nossa ligação para sempre.

"Adeus, Fabrício", eu sussurrei, a voz quase inaudível, mas cheia de uma nova e fria determinação. "Adeus para sempre."

O táxi acelerou em direção ao aeroporto. Eu peguei meu celular e fiz uma transferência. Todo o dinheiro que o advogado havia levantado, enviei para a conta bancária de Fabrício. Eu não lhe devia nada. Eu não queria nada dele.

Então, eu joguei o celular pela janela do táxi. Ele se espatifou no asfalto, quebrando em mil pedaços, assim como meu coração havia se quebrado. Mas, ao contrário do meu coração, ele nunca poderia ser consertado.

Senti um alívio profundo, como se um peso enorme tivesse sido tirado dos meus ombros. Eu estava livre. Livre da dor, da traição, da humilhação.

Cheguei ao aeroporto, o som das chamadas de voo preenchendo o ar. Meu voo estava sendo chamado. Olhei para a pista. Um jatinho particular decolava, levando Fabrício para longe. Ele estava indo para o lugar onde Jessica o esperava. E eu? Eu estava indo para um lugar onde ninguém me esperava. Eu estava indo para um novo começo.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022