"Fabrício, meu amor! Você não vai acreditar no que aconteceu!", a voz de Jessica veio do telefone, chorosa e frágil. Ela estava manipulando-o, eu sabia.
A frieza no rosto de Fabrício derreteu, substituída por preocupação. "O que houve, Jessica? Você está bem?" Sua voz era suave, cheia de carinho. Aquela era a voz que eu nunca havia escutado direcionada a mim.
Ele se levantou, seus olhos ainda em mim, mas sua mente já estava longe. "Eu preciso ir. Jessica precisa de mim." Ele se virou para sair. "Reflita sobre suas ações, Taisa. Pense no que te trouxe até aqui." E ele se foi, me deixando sozinha novamente.
Alguns minutos depois, a porta se abriu novamente. Jessica entrou, mancando, com um curativo vistoso na mão, mas seus olhos brilhavam de triunfo. Ela me olhou com uma falsa compaixão.
"Oh, Taisa, você parece tão mal. Fabrício está tão preocupado comigo. Ele é um homem tão bom."
Eu a encarei, meus olhos vazios. Não havia medo, nem raiva, apenas um vazio profundo.
"Você quer ouvir uma história, Taisa?", ela perguntou, com um sorriso cruel. "Uma história sobre você e Fabrício?"
Eu virei o rosto para a janela. "Não."
"Mas você vai ouvir", ela disse, a voz cheia de veneno. "Porque é importante. É a história de como Fabrício te puniu. A história de como ele te usou para se vingar do seu pai."
Meu coração começou a bater forte, um tambor de dor em meu peito. A história...
"Fabrício e eu éramos amantes há muito tempo", ela começou, a voz melosa. "Ele me prometeu casamento. Mas seu pai, seu querido pai, o proibiu de se casar comigo. Ele me considerava indigna, entende? Então, Fabrício foi forçado a me deixar. Mas ele nunca me esqueceu. Ele sempre me amou."
Ela se inclinou mais perto, seus olhos fixos nos meus. "Então, seu pai, que é um manipulador, pediu a Fabrício para te 'disciplinar'. E Fabrício, para se vingar de seu pai, aceitou. Ele te usou, Taisa. Ele te seduziu, te fez acreditar que te amava. Mas era tudo uma farsa. Ele me contava tudo. Cada beijo, cada toque. Ele zombava de você para mim."
Meu sangue gelou. As palavras dela eram um veneno lento, corroendo o último pedaço de minha alma.
"Ele te puniu por causa do seu pai. Por causa de mim. Ele prometeu que te destruiria. E ele fez. E cada vez que você o irritava, cada vez que você fazia algo que ele não gostava, eu ligava para ele. Eu reclamava de você. E ele fazia você pagar. Naquela delegacia? Sim, fui eu que liguei para ele. Pedi para ele te dar uma lição. E ele deu. Porque ele me ama."
Eu não conseguia respirar. Aquela era a verdade. Cruel, brutal, desumana. Fabrício me odiava. Ele me usou. Ele planejou tudo.
"E tem mais", Jessica disse, um sorriso diabólico em seus lábios. "Sabe todas as vezes que você esteve com ele? Cada sussurro, cada toque, cada momento íntimo? Ele gravou tudo. Tudo. Ele queria ter provas da sua 'loucura'. E se você ousar me irritar novamente, eu vou vazar tudo. Para o mundo inteiro."
Meu mundo desabou. Eu estava nua, exposta, humilhada. Ele me gravou. Ele me usou. Ele me destruiu.
Jessica se levantou, satisfeita. "Ele nunca te amou, Taisa. Nunca. Ele só me usou para te machucar. E agora, você não tem mais nada. Nem seu pai, nem seu amor, nem sua reputação. Você está sozinha. E se você não se comportar, eu farei questão de que todos vejam o quão patética você é." Ela saiu do quarto, deixando-me em um silêncio mortal.
Fiquei ali, imóvel, por um longo tempo. As palavras de Jessica ecoavam em minha mente, uma tortura sem fim. As filmagens. As traições. A crueldade.
De repente, uma força desconhecida me dominou. Eu arranquei os fios dos aparelhos médicos, me levantei da cama, a dor em meu corpo ignorada. Corri para fora do quarto, ignorando os gritos das enfermeiras. Eu precisava sair dali. Precisava agir.
Peguei um táxi, as mãos tremendo. "Para a mansão de Fabrício Rolim", eu disse, a voz firme. Ele tinha que ter os vídeos lá. Ele tinha que ter as provas.
Com a chave reserva que ele me dera, entrei na mansão que um dia chamei de lar secreto. Eu sabia onde encontrar. Ele tinha um escritório particular, um lugar que ele considerava impenetrável. Lá, eu sabia, estaria a verdade.
Encontrei o escritório. Parecia o mesmo, mas algo estava diferente. Uma estante de livros que eu não lembrava de ter visto antes. Empurrei-a. Revelou-se uma sala secreta. Um monitor de computador brilhava no centro da sala. Um sistema de vigilância.
Com meus conhecimentos de hackeamento, que Fabrício tolamente pensou que eu havia esquecido, acessei o sistema. Encontrei uma pasta criptografada. "Minha Joia", era o nome. Eu a abri.
As imagens apareceram na tela. Eu. Com Fabrício. Em nossos momentos mais íntimos. Cada beijo, cada toque, cada gemido. Tudo gravado. Tudo exposto. Meu corpo começou a tremer, e eu caí de joelhos.
Jessica havia dito a verdade. Ele me gravou. Ele me usou. Ele me humilhou de uma forma que eu nunca imaginei ser possível. Eu não conseguia mais conter. Comecei a rir, uma risada histérica, sem som. E então as lágrimas vieram, um dilúvio de dor, de desespero, de raiva.