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Minha Joia: Prisioneira Do Amor
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Capítulo 3

Fabrício não esperou por uma resposta. Ele me pegou pelo braço, a força fria e inegável, e me arrastou para o carro. Eu não resisti. Não tinha forças. Não tinha para onde ir. Ele me levou para a sua mansão, o mesmo lugar onde eu passara tantas noites, o mesmo lugar que se tornou a prisão dos meus segredos.

Enquanto o carro percorria as ruas iluminadas, eu olhava pela janela, a mente em turbilhão. Ele me salvou? Por quê? Por que ele, que me traiu de forma tão cruel, estava agora me estendendo a mão? Meu coração estava em pedaços, sangrando por cada mentira, por cada gesto falso de carinho. Eu o odiava, mas a parte mais sombria de mim ainda ansiava por sua presença, por seu toque. A contradição me rasgava por dentro.

Chegamos à mansão. Ele me guiou para dentro, seus homens, os mesmos que eu via em nossas noites secretas, observavam em silêncio. Ele me levou ao quarto de hóspedes, não o nosso quarto, o quarto que eu acreditava ser 'nosso'. "Você pode ficar aqui. Por tempo indeterminado", disse ele, a voz desprovida de emoção.

"Não", eu respondi, a voz rouca. "Duas semanas. É o tempo que preciso." Eu não ficaria ali um dia a mais do que o necessário. Meu casamento com Leandro estava se aproximando, e eu precisava me preparar, não me afundar ainda mais na teia de Fabrício.

Eu passei o resto da noite e o dia seguinte trancada no quarto. A comida era trazida à porta, mas eu quase não tocava nela. Eu só conseguia pensar nas duas semanas que restavam.

Na manhã seguinte, desci para o café, a contragosto. Fabrício já estava lá, sentado à mesa, lendo um jornal. Jessica estava ao seu lado, enfiando torradas na boca, os olhos brilhando para ele.

"Bom dia, Taisa", Fabrício disse, sem desviar os olhos do jornal.

"Bom dia", eu respondi, a voz gélida. Olhei para Jessica. "Então, você finalmente se instalou aqui, não é, irmã?" O sarcasmo pingava em cada palavra.

Jessica engasgou com a torrada, seus olhos marejando. Fabrício a encarou. "Não comece, Taisa."

"Oh, não estou começando nada. Apenas curiosa. Afinal, vocês dois parecem tão... próximos. É ela a 'obrigação' agora, Fabrício? Ou ela sempre foi o 'meu amor'?" Eu sorri sem humor.

Fabrício largou o jornal, seus olhos negros encontrando os meus. "Jessica é minha responsabilidade. Ela estava em perigo e eu a trouxe para cá. É uma dívida de vida, Taisa. Você não entenderia."

"Uma dívida de vida", eu repeti, o ceticismo evidente em minha voz. "É sempre uma dívida, não é? Nunca amor, nunca escolha. Apenas a conveniência."

"Não se atreva a falar com ela assim", Fabrício rosnou, sua voz baixa e perigosa. "Jessica é frágil. Ela passou por muita coisa."

Eu ri, uma risada quebrada e amarga. "Frágil? Ela é uma víbora, Fabrício. Uma víbora que se deleita na minha dor, assim como você."

"Basta, Taisa!", Fabrício bateu na mesa. "Não quero mais uma palavra sua contra Jessica. Ela não tem culpa de nada. Se você não consegue se comportar, volte para o seu quarto."

Eu apertei os lábios. Não adiantava discutir. Ele nunca me daria razão. Eu me levantei, a dor da traição corroendo cada célula do meu corpo. "Como quiser." Voltei para o quarto, trancando a porta atrás de mim, o peito apertado pela humilhação.

Passei o dia sozinha, a comida trazida à porta, intocada. À noite, a insônia me assombrava. Eu me lembrava das suas mãos em meu cabelo, dos seus lábios em meu pescoço, de como ele me abraçava apertado depois do sexo. Agora, ele não estava lá. Ele estava no quarto ao lado, talvez com Jessica, cumprindo suas "obrigações" ou, pior, vivendo seu "amor". A ironia me matou um pouco mais por dentro.

No dia seguinte, Fabrício entrou no meu quarto sem bater. "Vista-se. Vamos a uma festa." Não era um convite, era uma ordem.

Eu o encarei. "Não estou com vontade."

"Você vai", ele disse, a voz inflexível. "Ou eu te arrasto para lá. Não quero você trancada aqui, definhando."

Eu suspirei. Pelo menos eu sairia daquela prisão. "Tudo bem", eu disse, me levantando. "Mas não espere que eu seja uma convidada agradável."

Ele me levou a um clube privado, um lugar opulento e exclusivo, cheio de figuras sombrias da alta sociedade. A decoração era exagerada, os lustres de cristal brilhavam sobre um mar de rostos desconhecidos. Havia algo no ar, uma tensão estranha, que não parecia de uma festa comum.

Assim que entramos, Jessica veio correndo ao encontro de Fabrício, os olhos brilhando. Ela o abraçou apertado, como se não o visse há anos. "Fabrício, meu amor! Que bom que você veio!" Ela então me notou, e sua surpresa pareceu genuína. "Taisa! Você também está aqui? Que coincidência!"

Coincidência? Uma faixa enorme foi estendida no salão principal, revelando a verdade: "Bem-vinda de volta, Jessica!" Era a festa dela. Meu sangue gelou. Ele havia me trazido para a festa de boas-vindas da minha "irmã", a mulher que me roubara tudo.

Eu queria correr, gritar, destruir tudo. Minha garganta estava seca. Jessica me lançou um olhar de pena. "Oh, Taisa, você deve estar tão chateada. Primeiro seu pai te deserdou, agora Fabrício me traz para a festa. Você sempre foi tão... dramática." Ela suspirou, como se eu fosse um fardo. "Talvez se você não fosse tão impulsiva, as coisas não teriam chegado a este ponto."

Minhas mãos se fecharam em punhos. "Impulsiva? Eu sempre fui a única a ter coragem de enfrentar a hipocrisia desta família, Jessica. Você é a falsa, a manipuladora. A frágil que sempre conseguiu o que quis com suas lágrimas de crocodilo."

Jessica começou a chorar, um choro alto e estridente. Ela se jogou nos braços de Fabrício. "Fabrício, ela está me atacando! Eu não fiz nada!"

Fabrício me encarou, seus olhos escuros cheios de raiva. "Taisa, eu te avisei. Deixe Jessica em paz." Ele a abraçou, beijou seu cabelo, seus olhos transmitindo uma preocupação que eu nunca vi dirigida a mim. Aquela ternura, aquele cuidado, era dela. Não meu. Nunca meu. Meu coração se estilhaçou novamente.

Eu me virei, cega de dor, e peguei uma garrafa de champanhe de uma bandeja que passava. O vidro se espatifou contra a parede, o barulho ensurdecedor quebrando a música e os risos. Os seguranças se aproximaram, mas eu estava em outro mundo. Meu corpo tremia, minhas mãos se estenderam, sentindo a dor do vidro cortando a palma da minha mão. A dor física era um alívio perto da tortura emocional.

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