Fabrício apareceu do nada, o rosto pálido de raiva e choque. Ele correu para Jessica, que estava caída no chão, chorando histericamente. "O que você fez, Taisa?", ele rosnou, o olhar assassino fixo em mim.
"O que eu fiz?", eu respondi, com uma risada amarga. "Eu apenas mostrei a ela o que acontece quando se brinca com fogo, Fabrício. Você deveria saber disso melhor do que ninguém, não é? Afinal, você foi meu mentor."
Ele me alcançou, agarrando meu braço. "Você enlouqueceu? Atacar Jessica? Você está fora de controle!"
"Fora de controle? Eu? Ou você, Fabrício? Que trouxe sua amante e sua filha para me humilhar? Que leiloou o colar da minha mãe? Que me traiu, me usou, me jogou fora como um lixo?" A raiva me consumiu. "Você sabia de tudo, não sabia? Você é parte do plano do meu pai. Você sabia que aquele colar seria leiloado, e você me deixou lutar por ele, apenas para me ver perder. Você é um monstro."
Ele me soltou, seus olhos arregalados de surpresa. Ele não esperava que eu soubesse.
"Eu sei de tudo, Fabrício", eu disse, a voz baixa e perigosa. "Sei sobre a vingança do meu pai, sei sobre a sua dívida com Jessica. Sei sobre o vídeo da minha mãe sendo destruída. Você quebrou tudo em mim. Mas eu não vou me quebrar. Eu vou te destruir."
"Você está louca", ele disse, a voz fria. "Você é violenta. Você é perigosa."
Naquele momento, algo se quebrou dentro de mim. A última barreira, a última esperança de que ele pudesse, de alguma forma, se importar. As lágrimas vieram, quentes e amargas, escorrendo pelo meu rosto sem controle. "Sim, Fabrício. Eu sou perigosa. E agora, o que você vai fazer? Vai me punir? Como você sempre faz?"
Ele me olhou, seus olhos escuros hesitando por um instante. Pela primeira vez, vi um vislumbre de dor em seu rosto. Mas então, a máscara de frieza retornou, mais intensa do que nunca.
"Chame a polícia", ele disse, a voz gélida, virando-se para um de seus homens. "Prendam Taisa Leitão."
Aquelas palavras me atingiram como um raio. Prisão. Ele estava me entregando à polícia. O homem que eu amei, que me chamava de "Minha Joia", estava me jogando aos lobos. A última parte do meu coração se estilhaçou.
Eu não resisti. Deixei que os policiais me algemassem, me levassem para fora. Meu olhar encontrou o de Fabrício uma última vez. Ele estava abraçando Jessica, que chorava em seus braços, um sorriso de triunfo em seus lábios por cima do ombro dele.
Fui levada para uma delegacia, para uma cela fria e escura. Eu estava sozinha, novamente. Algemas apertavam meus pulsos, e a dor em minha mão cortada era um lembrete constante da minha raiva.
Na cela, fui confrontada por um grupo de mulheres, olhares duros e famintos. "Olha só, a patricinha", uma delas zombou. "Trouxeram uma joia para nós."
"Vocês vão precisar me pagar para me tocar", eu respondi, a voz rouca, sem medo.
A líder delas riu. "Não temos dinheiro, boneca. Mas temos outros meios de pagamento." Elas me cercaram. Uma delas jogou um balde de água fria em meu rosto. Eu tremi, mas não gritei.
Na comida que me deram, encontrei um pedaço de vidro. Eu sabia o que significava. Eu não estava apenas presa, eu estava sendo torturada.
Então, elas me atacaram. Socos, chutes, meu corpo se tornou um saco de pancadas. Eu caí no chão, a dor dilacerando cada osso.
"Isso é para você aprender, patricinha", a líder disse, cuspindo no meu rosto. "Fabrício Rolim nos mandou uma mensagem. Disse para te ensinar uma lição."
Fabrício. Ele havia feito isso. Ele havia me entregue àqueles monstros. Ele queria me quebrar. Ele queria me destruir. Eu não era apenas uma peça em seu jogo, eu era o alvo de sua crueldade.
Dias se arrastaram naquele inferno. Eu estava quebrada, meu corpo coberto de hematomas, minha alma em pedaços. Então, um dia, a porta da cela se abriu. Fui libertada.
Saí da delegacia, cambaleando, o corpo dolorido, a mente embaçada. Caí no chão, a chuva batendo em meu rosto. Eu não tinha para onde ir. Eu não tinha mais nada.
Acordei em outra cama de hospital. Fabrício estava lá, sentado ao meu lado, os olhos escuros e frios. "Você aprendeu a lição, Taisa?", perguntou ele, a voz monótona.