Capítulo 5

Então Caio voltou. Não Caio Mendes, meu marido. Mas Caio Mendes, o primeiro amor de Catarina Sampaio. O homem que a abandonou quando ela estava em seu ponto mais baixo e pobre.

Quando ele voltou para a cidade, Catarina se trancou em seu escritório por dias, emergindo com olhos inchados e um olhar distante. Logo depois, ela começou a chegar tarde em casa, suas explicações vagas, seu celular sempre fora do meu alcance.

Arthur também começou a mudar, lenta e sutilmente.

Eu estava em uma viagem de trabalho quando Caio se mudou. Entrei em minha casa depois de quase um mês fora, e lá estava ele, sentado no sofá, ajudando Arthur com o dever de casa. Arthur, que raramente sorria, mesmo para mim, estava rindo. Uma risada genuína e desinibida que revirou meu estômago. Meu filho, cujas pernas eu passei anos tentando consertar apenas para que ele pudesse andar sem dor, estava rindo com Caio.

Tudo desmoronou depois disso. Nossa família, meu mundo cuidadosamente construído, foi estilhaçado pela presença de Caio.

Confrontei Catarina. Discutimos, brigamos como estranhos. Ela negou tudo, é claro. "Não há nada entre nós, Elisa," ela dizia, a voz tensa, defensiva. "Somos casadas. Por que você está com tanto ciúme? Ele é apenas um colega, aqui a trabalho." Ela alegava que Caio estava apenas "ajudando-a com o escritório".

Arthur também se afastou de mim. Ele começou a se ressentir da minha disciplina, das minhas tentativas de guiá-lo. "O Caio nunca me diz o que fazer!" ele reclamava, seus olhos cheios de acusação. "Você é tão chata, mãe!"

Então, as palavras que cortaram mais fundo que qualquer lâmina. "Eu queria que o Caio fosse meu pai," ele disse, seu rosto jovem contorcido de raiva. "Ele me compra tudo que eu quero! Você nunca compra!"

O vidro quebrado do porta-retrato havia cortado meu dedo. Um corte profundo e irregular. O sangue brotou, espesso e escuro, manchando o branco imaculado do rostinho sorridente de Arthur. A família perfeita, sangrando no chão.

Aquela foto foi tirada no quinto aniversário de Arthur. Eu ainda me lembrava de seu desejo, sussurrado no meu ouvido enquanto ele soprava as velas. "Eu queria que fôssemos uma família para sempre, mãe. Que nunca mudasse."

Um sorriso amargo torceu meus lábios. Para sempre.

Peguei a foto manchada de sangue, os cacos de vidro ainda grudados nas bordas, e a joguei na lata de lixo transbordando. Ela caiu com um baque surdo, desaparecendo sob os detritos da minha vida quebrada.

Naquele exato momento, meu celular vibrou. Uma notificação de mensagem de texto piscou na tela.

            
            

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