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Sempre foi Você
img img Sempre foi Você img Capítulo 3 A Primeira Fissura na Paz
3 Capítulo
Capítulo 6 A Marca Que Nunca Irá Sumir img
Capítulo 7 O Lugar Onde Nada é Silencioso img
Capítulo 8 Onde a Sombra Aprende a Andar à Luz img
Capítulo 9 Entre a Máscara e o Sangue img
Capítulo 10 A Sombra que Sempre Esperei img
Capítulo 11 A Sombra que Me Encontrou img
Capítulo 12 Do Outro Lado da Porta img
Capítulo 13 O Homem Que Não Podia Desejar img
Capítulo 14 A Manhã em que Quase Fui Normal img
Capítulo 15 O Homem do Corredor img
Capítulo 16 O Vizinho Que Sorriu Primeiro img
Capítulo 17 Linhas que Não Devem Ser Cruzadas img
Capítulo 18 O Ponto Fraco img
Capítulo 19 O Que Ela Nunca Deve Ver img
Capítulo 20 A Confissão Que Não Deveria Ser Feita img
Capítulo 21 Quando o Corpo Reconhece Antes da Razão img
Capítulo 22 O Homem Que Não Está Aqui Para Ensinar img
Capítulo 23 Entre o Anjo e a Sombra img
Capítulo 24 O Primeiro Olhar img
Capítulo 25 Antes da Colisão img
Capítulo 26 Os Olhos Que Eu Nunca Esqueci img
Capítulo 27 O Controle Entre as Palavras img
Capítulo 28 O Peso de Ser Observada img
Capítulo 29 O nome que me Incomoda img
Capítulo 30 Disciplina é Sobrevivência img
Capítulo 31 O Limite do Controle img
Capítulo 32 O Nome Que Me Desarmou img
Capítulo 33 O Limite Que Não Foi Pedido img
Capítulo 34 O Homem Que Não Pode Avançar img
Capítulo 35 O Que Minha Razão Não Consegue Nomear img
Capítulo 36 O Nome Que Quase Foi Dito img
Capítulo 37 O Peso do Nome Que Não Se Pronuncia img
Capítulo 38 A Lâmina Que Escolheu Amar img
Capítulo 39 A Pergunta Que Não Deveria Ser Feita img
Capítulo 40 A Lealdade Que Me Aprisiona img
Capítulo 41 Onde o Corpo Aprende a Trair img
Capítulo 42 O Que Não Se Pode Ignorar img
Capítulo 43 Quando o Olhar Ganha Voz img
Capítulo 44 A Arma Que Não Foi Feita Para Sentir img
Capítulo 45 O Peso do Desejo Vivo img
Capítulo 46 O Corpo que Não Obedece img
Capítulo 47 O Desejo que Não Aceita Trocas img
Capítulo 48 O Corpo Que Trai img
Capítulo 49 A Promessa Que Fere img
Capítulo 50 Entre Confissões e Desejos img
Capítulo 51 O Desejo que Não se Diz em Voz Alta img
Capítulo 52 A Forma Como Homens Medem Território img
Capítulo 53 Antes Que a Luz Dissesse Não img
Capítulo 54 Entre o desejo e a culpa, nasce a verdade. img
Capítulo 55 Coisas que o Corpo Conta Antes da Mente img
Capítulo 56 Onde a Vergonha Aprende o Idioma da Raiva img
Capítulo 57 Quando o Olhar Fala por Mim img
Capítulo 58 O Tipo de Jogo que Irrita o Predador img
Capítulo 59 Onde o Proibido Aprende a Falar em Voz Alta img
Capítulo 60 Onde a Liberdade Vem com Sobrenome img
Capítulo 61 Sombras Não Decidem img
Capítulo 62 O Ronin Não Pede Permissão img
Capítulo 63 Não Há Ordem Para um Ronin img
Capítulo 64 O Ceifador Não Caminha em Vão img
Capítulo 65 Quando o Nome Dela Acorda o Demônio img
Capítulo 66 Antes de Ser Vista img
Capítulo 67 O Risco Que Eu Escolhi img
Capítulo 68 Aquilo Que Nem o Sangue Resolve img
Capítulo 69 Antes Que a Noite Escolha img
Capítulo 70 Onde o Olhar Antecede o Ataque img
Capítulo 71 O Momento Antes do Erro img
Capítulo 72 O Erro Que Aprendeu a Esperar img
Capítulo 73 Onde a Humanidade se Torna Fraqueza img
Capítulo 74 O Idioma Que Apenas o Medo Entende img
Capítulo 75 O Que Meu Corpo Lembrou Primeiro img
Capítulo 76 Onde a Certeza Começa a Doer img
Capítulo 77 Comprovando... img
Capítulo 78 Onde o Silêncio Aprende a Sangrar img
Capítulo 79 Onde o Desejo Aprende a Falar Alto img
Capítulo 80 Decisões img
Capítulo 81 Onde o Destino Já Escolheu img
Capítulo 82 Onde o Corpo Aprende a Lembrar img
Capítulo 83 Onde o Predador Reconhece o Território img
Capítulo 84 Onde o Predador Escolhe o Que é Seu img
Capítulo 85 Onde o Corpo Se Recusa a Esquecer img
Capítulo 86 Onde o Coração Não Reconhece Fronteiras img
Capítulo 87 O Nome Que Desarma o Ceifador img
Capítulo 88 Verdade ou Cerveja img
Capítulo 89 Onde a Cerveja Aprende a Mentir img
Capítulo 90 Onde o Olhar Deixa de Ser Inocente img
Capítulo 91 Onde o Prazer Não Resolve img
Capítulo 92 Onde o Corpo Denuncia img
Capítulo 93 Onde o Desejo Aprende a Falar Alto img
Capítulo 94 A Decisão Substitui o Instinto img
Capítulo 95 Onde o Sangue Volta a Chamar img
Capítulo 96 Onde a Sombra Vem de Dentro img
Capítulo 97 O Preço de estar Sozinha img
Capítulo 98 Os Fantasmas saem a Luz img
Capítulo 99 A Verdadeira Face da Morte img
Capítulo 100 O Passado Me Alcança img
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Capítulo 3 A Primeira Fissura na Paz

Yuna Takayama

Dizem que o silêncio protege.

Mentira.

O silêncio apenas dá espaço para que o perigo respire. Para que ele se arraste, se aproxime, se esconda atrás de tradições e paredes centenárias, que observe você antes que você o veja.

Já faz dez anos.

Dez anos desde o fogo, desde os sinos soando como luto, desde a fumaça tomando o céu como uma ferida aberta no destino da minha família.

Dez anos desde que eu deixei de ser filha para ser oficialmente herdeira, símbolo, promessa. Agora estou prestes a completar dezenove anos.

Me tornei uma mulher, ou pelo menos é assim que o mundo me vê.

O templo estava calmo naquela manhã, calmo demais. O cheiro de incenso antigo se misturava ao ar frio e cortante, criando aquela sensação estranha de que o tempo ali não passava, apenas observava. As lanternas filtravam a luz como se fossem guardiãs daquilo que não deveria ser exposto por completo.

Eu me ajoelhei diante do altar, como fiz todas as manhãs desde que aprendi a andar.

- Pai... mãe... - minha voz saiu baixa, íntima, quase uma confissão. - Continuem me guiando.

A madeira polida do altar refletia a chama das velas e minha própria imagem e por um instante, eu não soube se estava rezando ou tentando lembrar quem eu era antes de tudo.

Quando abri os olhos, Akio estava ali.

Meu primo, meu quase irmão. A única pessoa deste templo que me olha como se eu ainda fosse humana e não uma peça estratégica em um tabuleiro invisível. Desde que meus pais foram mortos, meu tio e ele voltaram do ocidente para cuidar de mim.

Logo depois do ocorrido, era Akio quem segurava minha mão para que eu não chorasse

Aiko parecia uma imagem viva de disciplina. A postura ereta, quimono impecável, expressão controlada, mas seus ombros traziam um peso. Algo que de alguma forma, eu sentia que tinha a ver comigo.

- Está tudo bem? - perguntei, tentando manter a voz neutra.

Ele deveria sorrir, fazer uma piada, ou simplesmente responder que sim. Apesar de sua postura séria diante de todos do conselho, sempre quando estávamos sozinhos, ele era normal. Mas ele não disse nada e o seu olhar, aquele olhar que sempre foi certeza, estava dividido entre dever e preocupação.

Akio tocou meu rosto com cuidado. Como se eu fosse algo precioso demais, ou prestes a quebrar.

- Nada demais - respondeu. - Apenas... cansaço.

Cansaço não fazia veias saltarem no pescoço, nem sua mandíbula travar como uma porta sendo fechada por dentro. Cansaço não colocava tempestades no olhar.

Mas eu me permiti acreditar na mentira. Porque às vezes verdades ditas cedo demais destroem antes de proteger.

O templo continuou vivo no ritmo lento e constante que me criou.

Portas deslizando, os monges recitando sutras, o som distante do bambu tocando o vento.

Mas naquele dia... havia algo diferente. Como se o ar estivesse segurando a respiração.

Enquanto caminhava pelos corredores, vi uma porta entreaberta ao final do salão cerimonial. Uma brecha pequena, mas suficiente para a luz escapar e, com ela, a sensação de que alguma decisão estava sendo feita ali dentro.

Me aproximei com passos lentos, não porque eu tivesse medo, mas porque o próprio destino parecia pedir silêncio.

No interior da sala estavam três homens.

Meu tio sentado no centro, com a postura de quem carrega um país inteiro nas costas. À frente dele, o General Hayato, rígido como aço, com mãos firmes atrás do corpo e olhos que já viram coisas que o mundo prefere esquecer.

E Akio estava diante dos dois com o corpo tenso como uma lâmina prestes a se quebrar ou atacar.

Eu não ouvi o que diziam, a porta abafava as palavras, mas o silêncio entre eles era ainda mais revelador.

O general falava, meu tio escutava e Akio reagia.

Ele deu um passo à frente de repente, rápido, impulsivo. Sua expressão era furiosa e impotente. Foi quando meu tio levantou apenas uma mão e ele parou. Como se aquele gesto fosse uma autoridade maior do que qualquer argumento.

O general continuou falando algo, meu tio assentiu uma única vez como quem confirma um destino e foi então que percebi o quarto homem.

Eu não o vi entrar.

Não ouvi seu movimento.

Não senti sua presença até aquele instante.

Ele estava parado nas sombras, imóvel, impecável, invisível para qualquer um que não soubesse procurá-lo. Mas eu vi. E algo dentro de mim estremeceu.

E quando o olhar dele cruzou o de meu tio, percebi o ar ficar mais denso, pesado e frio. Meu tio falou alguma coisa, e aquele homem apenas assentiu, como quem aceita uma missão antiga, ou como quem esperava por isso há muito tempo. Akio desviou o olhar, não em discordância mas em resignação. E a decisão, fosse ela qual fosse, estava selada.

A porta foi fechada logo depois e o templo permaneceu tão silencioso quanto antes, mas o silencio carregava uma sombra. Uma que tinha forma, propósito e destino.

E de alguma maneira eu sentia que tinha algo a ver comigo.

Naquela noite, voltei ao altar.

Não por disciplina, mas porque algo dentro de mim tremia e buscava respostas.

- Pai... mãe... - sussurrei, com a respiração falhando. - O que está acontecendo?

O vento entrou pela janela frio, preciso, quase consciente. E naquele instante, eu soube que não estava sozinha. Que desde a morte dos meus pais, desde aquela promessa, nunca estive. Apenas não tinha percebido... até agora.

Algumas horas depois, quando voltei ao meu quarto, encontrei algo sobre minha cama.

Não havia selo, nem dobradura cerimonial.

Apenas um pedaço de papel colocado com precisão cirúrgica sob meu travesseiro.

Uma única linha.

"Durma. Nada pode alcançá-la enquanto eu vigio."

Meu coração acelerou, minha pele arrepiou.

Apaguei a luz, deitei na cama, fechei os olhos e adormeci sabendo que em algum lugar nas sombras... meu anjo estava ali. Me protegendo.

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