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Meu Rim Pela Amante Dele: Nunca Mais
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Capítulo 3

A cobertura estava silenciosa, um mausoléu reluzente de vidro e aço.

Eu não chorei. Acho que deixei minhas últimas lágrimas no chão da clínica. Em vez disso, movi-me com uma eficiência fria e mecânica.

Tirei uma mala do armário. Não guardei as roupas de grife que Dante me comprou. Não guardei as joias, diamantes frios destinados a comprar silêncio.

Guardei meus jeans, meus suéteres confortáveis e meu passaporte.

No fundo de uma gaveta, enterrada sob camadas de lenços de seda nunca usados, minha mão roçou em algodão macio.

Eu congelei.

Eu o tirei. Um macacãozinho de bebê amarelo.

Tinha três anos. Eu o comprei no dia em que descobri que estava grávida. Antes de Dante me dizer que era "inconveniente".

Antes de ele me dizer que Sofia era "sensível" a crianças porque não podia conceber.

Antes de ele me levar à clínica e esperar no carro, checando o relógio, enquanto eles raspavam seu herdeiro de dentro de mim.

Levei o pequeno pedaço de tecido ao nariz. Cheirava a lavanda e sonhos mortos.

Fui até a cozinha e o joguei no compactador de lixo. Apertei o botão.

O som de trituração quebrou o silêncio. Foi o som mais satisfatório que eu tinha ouvido em anos.

Em seguida, dirigi até a sede dos Moretti.

Os sentinelas na recepção se endireitaram quando entrei. "Senhorita Elena. O Don não está aqui."

"Eu sei", eu disse.

Entrei no meu escritório - o escritório ao lado do de Dante. Coloquei meu cartão de acesso, meu celular da empresa e o tablet criptografado que continha os segredos de todo o submundo de São Paulo sobre a mesa.

Escrevi um único bilhete em papel timbrado oficial:

Eu me demito. Efetivo imediatamente.

Eu saí.

Meu celular vibrou no meu bolso. Era Dante.

"Onde você está?", ele exigiu. Sem olá. Sem desculpas pelo baile.

"Estou indo embora, Dante", eu disse, minha voz firme. "Eu me demiti."

"Não seja infantil", ele retrucou. "Sei que você está chateada com ontem à noite. Sofia teve um episódio de rejeição. Era vida ou morte."

"É sempre vida ou morte com ela", eu disse. "Você pegou o anel?"

"O quê?"

"O anel que você deixou cair no chão. Você o pegou, ou os faxineiros o varreram com o lixo?"

"Elena, pare com isso. Estou ocupado. Te vejo em casa esta noite."

"Me dá comida, Dante", uma voz suave e manhosa veio do lado dele da linha. "Eu quero as uvas."

Dante cobriu o telefone, mas não o suficiente. "Só um segundo, cara."

Ele voltou à linha, a impaciência cortando seu tom. "Conversamos mais tarde."

Ele desligou.

Eu chequei o Instagram. Lá estava. Uma foto postada há dois minutos na conta de Sofia. A mão de Dante, reconhecível pelo anel de sinete, segurando uma uva descascada em seus lábios.

Legenda: Meu Rei sempre cuida de mim.

Bloqueei a conta dela.

Dez minutos depois, meu telefone tocou novamente. Era Matteo.

"Elena, você precisa vir para o hospital. Agora."

"Não vou, Matteo. Cansei."

"É o Dante", disse Matteo, sua voz tensa de pânico. "Ele estava saindo do hospital para te encontrar. Ele percebeu que você não estava blefando. Um tiroteio de carro. Ele levou dois tiros no peito. Está sangrando até morrer."

Minha mão agarrou o volante até meus nós dos dedos ficarem brancos. "Ele tem guardas."

"Eles não pegaram o atirador. Ele precisa de sangue, Elena. Ele é B-negativo. O hospital está com pouco estoque. Sofia se recusou."

Eu ri. Um som seco e sem humor que arranhou minha garganta. "Claro que ela se recusou."

"Ela disse que está muito fraca da cirurgia. A cirurgia para a qual você deu um rim a ela. Elena, por favor. Ele vai morrer."

Eu deveria tê-lo deixado morrer. Teria sido justiça poética.

Mas a velha Elena, a garota estúpida que o amou por dez anos, ainda não estava completamente morta. Ela deu um último chute patético contra minhas costelas.

"Estou indo", eu disse.

Dirigi até o hospital. Passei pelos guardas. Sentei na cadeira ao lado de seu corpo inconsciente.

Deixei a enfermeira enfiar uma agulha no meu braço, tirando a vida de mim para bombeá-la para ele.

Minha visão ficou turva. Eu ainda estava me recuperando. Estava anêmica.

"Já chega", disse a enfermeira, parecendo preocupada. "Você vai desmaiar."

"Leve", sussurrei, observando meu sangue vermelho fluir pelo tubo. "Leve tudo. Esta é a última coisa que ele vai receber de mim."

O mundo ficou preto antes que a bolsa estivesse cheia.

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