Gênero Ranking
Baixar App HOT
Casei com o Irmão Mais Velho Implacável do Meu Ex-Noivo
img img Casei com o Irmão Mais Velho Implacável do Meu Ex-Noivo img Capítulo 5
5 Capítulo
Capítulo 11 img
Capítulo 12 img
Capítulo 13 img
Capítulo 14 img
Capítulo 15 img
Capítulo 16 img
Capítulo 17 img
Capítulo 18 img
Capítulo 19 img
Capítulo 20 img
Capítulo 21 img
Capítulo 22 img
Capítulo 23 img
Capítulo 24 img
img
  /  1
img

Capítulo 5

Elena Vitti POV

O ar no Pico do Jaraguá era rarefeito, roubando a umidade dos meus pulmões a cada respiração ofegante.

Dante caminhava à minha frente. Ele carregava a mochila pesada com a facilidade de um soldado, seus músculos se movendo sob a camisa em uma cadência rítmica e hipnótica.

Por algumas horas, o mundo pareceu pequeno. Era apenas o barulho do cascalho sob nossas botas e o som sincronizado de nossa respiração.

Era uma nostalgia perigosa.

Fez-me lembrar por que eu o amava. Ele nem sempre foi o Capo que quebrava promessas. Ele era o garoto que costumava enfaixar meus joelhos ralados com mãos gentis.

Pisei em uma pedra solta. Meu tornozelo virou.

A terra inclinou-se violentamente enquanto a gravidade me reivindicava.

"Elena!"

Dante se moveu mais rápido que o pensamento. Ele largou o equipamento e se lançou, seu corpo atingindo o chão para amortecer minha queda antes que eu pudesse atingir as pedras pontiagudas.

Caímos com força. Aterrissei em seu peito.

Ele gemeu, um som agudo e gutural que vibrou contra minhas costelas.

"Você está bem?" Suas mãos estavam instantaneamente em meu cabelo, procurando por sangue. Seus olhos estavam arregalados, frenéticos.

"Estou bem", sussurrei. Olhei para baixo. A perna da calça dele estava rasgada. Sangue escorria pelo jeans, manchando-o de preto no crepúsculo. "Seu joelho."

"Está tudo bem", ele disse entre dentes, sentando-se. Ele não me soltou.

Por um segundo, éramos apenas nós. A história entre nós pairava pesada no ar, um fantasma que se recusava a ser exorcizado.

Ele olhou para os meus lábios.

Eu me afastei. Levantei-me, limpando a poeira das minhas roupas para esconder o tremor em minhas mãos.

"Deveríamos voltar", eu disse. "Você está sangrando."

"Não." Dante se levantou, testando seu peso. Ele fez uma careta, mas forçou um sorriso. "Eu te prometi a chuva de meteoros. Vamos ficar."

Montamos acampamento no cume. O vento açoitava a barraca de nylon.

Os meteoros vieram. Rastros de fogo branco rasgando a tela preta do céu.

Dante deitou-se de costas, olhando para cima.

"Faça um pedido, El", ele sussurrou.

Eu não fechei os olhos. Encarei as estrelas moribundas.

Eu não desejava mais por ele. Eu não desejava por amor.

Eu desejava pela força para queimar tudo até as cinzas.

Adormeci ao som de sua respiração. Costumava ser minha canção de ninar. Agora era apenas barulho.

Quando acordei, o saco de dormir ao meu lado estava frio.

Rastejei para fora da barraca. O sol sangrava no horizonte, pintando as rochas em tons de roxo machucado.

Dante não estava no acampamento.

Ouvi uma voz. Febril. Alta.

Segui o som até a beira do penhasco, onde ficava a famosa "Árvore dos Amantes". Uma cerca de arame envolvia um velho carvalho, coberto por milhares de cadeados enferrujados.

Dante estava lá. Ele segurava o celular, com o FaceTime ativo.

"Viu?", ele disse, sua voz triunfante. "Eu te disse, amor. Está bem aqui."

Ele deu zoom em um cadeado de latão enferrujado. Dante & Sofia Para Sempre.

Meu estômago despencou. Parecia que eu tinha engolido uma pedra.

"Meu Deus!", a voz de Sofia veio metálica e estridente. "Eu me lembro! Nós jogamos a chave do penhasco!"

"Sim", Dante riu. Ele parecia aliviado. Desesperado. "Nós jogamos. Nada pode quebrar este cadeado, Sofia. Nada."

Ele não subiu a montanha para se desculpar comigo.

Ele não levou o golpe no joelho para cumprir uma promessa a mim.

Ele precisava verificar uma memória para ela. Ele precisava provar sua devoção ao fantasma que estava tentando ressuscitar.

Eu era apenas a desculpa. Eu era a acompanhante de sua viagem pela estrada da memória.

Ele se virou, ainda sorrindo para a tela. Então ele me viu.

O sorriso morreu.

"Tenho que ir, Sof", ele murmurou, desligando.

Ele enfiou o celular no bolso. Parecia culpado. Como uma criança pega com a mão no pote de biscoitos.

"Ela ligou", ele disse. "Ela estava em pânico."

"Você me trouxe aqui para encontrar o cadeado", eu disse. Não era uma pergunta.

"Não." Ele deu um passo em minha direção. "Elena, não seja assim. A viagem foi para nós. O cadeado foi só... já que estávamos aqui..."

"Vou descer", eu disse.

"Espere." Ele me alcançou. "Deixe-me desmontar a barraca. Meu joelho está duro, preciso de um minuto."

"Desmonte você mesmo", eu disse.

Virei as costas para ele.

Desci a montanha sozinha.

Cada passo enviava uma pontada de dor pelo meu tornozelo torcido, mas eu não parei. A dor física era uma distração que me mantinha no chão.

Não esperei por ele no início da trilha. Chamei um carro.

Mandei uma mensagem para Matteo.

Estou doente.

Desliguei meu celular.

Eu não queria ouvir as desculpas de Dante. Eu não queria ouvi-lo dizer que me amava enquanto construía santuários para outra mulher.

Ele chegou em casa quatro horas depois.

Ele não me procurou. Ele presumiu que eu estava emburrada.

Deitei na cama e o ouvi assobiando no chuveiro.

Ele estava feliz. Ele havia garantido seu passado.

Ele não percebeu que acabara de perder seu futuro.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022