Dante olhou para mim por cima do ombro dela. Seus olhos imploravam. Apenas diga. Termine a cena.
"Desejo a vocês a eternidade", eu disse.
As palavras tinham gosto de cinzas.
Então o mundo ficou laranja.
Uma explosão sacudiu o chão, vibrando pelas solas dos meus sapatos.
Alguém havia armado o gazebo. Ou talvez fosse uma linha de gás. Não importava a causa; o efeito foi uma devastação imediata.
O fogo irrompeu da base da estrutura. As vinhas secas pegaram fogo instantaneamente, transformando o arco romântico em uma jaula de chamas.
O calor atingiu meu rosto, queimando meus cílios.
O pânico explodiu. Os convidados gritaram, um lamento coletivo de terror.
Eu estava bem ao lado de Dante.
O fogo rugia, uma besta viva consumindo o oxigênio. Uma viga do teto do gazebo rachou e desceu com um gemido de madeira se partindo.
Dante se lançou.
Ele agarrou o braço da mulher ao seu lado.
Eu.
Ele me puxou com força, arrastando-me dois passos em direção à saída, seu aperto dolorosamente forte.
Então Sofia gritou. "Dante!"
Ele congelou.
Ele olhou para mim. Ele olhou para sua mão agarrando meu braço.
A percepção surgiu em seus olhos - um lampejo de horror. Ele me agarrou por instinto.
Mas instinto não era amor.
Ele me empurrou.
Não foi um empurrão gentil. Ele plantou as mãos no meu peito e me jogou para trás, para longe da segurança, de volta para a estrutura em colapso, como se meu toque o queimasse.
"Sofia!", ele rugiu, mergulhando de volta na fumaça.
Eu tropecei. Meu salto prendeu em uma raiz. Caí com força.
Meu tornozelo torceu com um estalo doentio.
Tentei rastejar, arranhando a terra.
A multidão estava em debandada. Convidados em pânico pisoteavam minhas pernas, minhas costas, seus sapatos cravando em minha carne.
Um pedaço de madeira em chamas caiu do teto. Atingiu minha omoplata esquerda.
Gritei, mas o som se perdeu no rugido do fogo.
O cheiro de tecido queimado me sufocou. O cheiro de pele queimada veio em seguida.
Olhei para cima através da fumaça, lágrimas escorrendo pelo meu rosto por causa do calor.
Eu vi Dante. Ele tinha Sofia em seus braços. Ele estava protegendo o rosto dela com sua jaqueta, carregando-a através da parede de fogo, correndo em direção à luz.
Ele não olhou para trás.
Ele me deixou para queimar.
Fechei os olhos.
Quando os abri, a luz era ofuscantemente branca e o ar cheirava a antisséptico.
Eu estava me movendo. Uma maca.
"A Sala de Trauma Um está preparada!", gritou uma enfermeira. "Temos duas vítimas do incêndio."
"Só temos uma suíte estéril disponível para enxerto imediato!", um médico gritou de volta. "A outra está ocupada."
Virei a cabeça. Foi uma agonia, uma pontada de dor branca e quente descendo pelo meu pescoço.
Dante corria ao lado da outra maca. Sofia chorava, segurando a mão. Uma pequena queimadura marcava seu antebraço.
"Ela precisa da suíte!", Dante gritou para o médico. "Ela é atriz! A pele dela é a vida dela! Sem cicatrizes! Você me ouve? Sem cicatrizes!"
"Senhor, a outra paciente-" o médico apontou para mim, sua expressão frenética. "Ela tem queimaduras de terceiro grau nas costas. Ela precisa mais do ambiente estéril ou pode entrar em choque."
Dante olhou para mim.
Encontrei seu olhar.
Vi a hesitação. Vi a culpa.
Mas também vi a decisão.
"Salve Sofia primeiro", ele disse. Sua voz quebrou, mas a ordem permaneceu. "Conserte-a."
O médico hesitou, praguejou baixinho e então assentiu. Eles levaram Sofia para a sala de trauma principal.
Eles me empurraram para um leito separado por cortinas.
Eu não gritei. Eu não lutei.
Uma única lágrima escorreu do canto do meu olho. Deixou um rastro na fuligem do meu rosto.
Foi a última lágrima que eu derramaria por Dante Moretti.
Deixei a escuridão me levar.