Siena Vitalle POV
Eu não fui para casa chorar.
Fui direto para o meu escritório e embalei uma única caixa.
Meu diploma. Uma foto emoldurada dos meus pais. O cacto pequeno e resiliente que Giulia me deu.
Deixei os arquivos. Deixei as listas de contatos. Deixei as soluções para os problemas que eu sabia que Valéria criaria em uma semana.
Digitei minha carta de demissão formal no celular enquanto esperava o elevador.
Tinha duas frases.
Com o rastro digital estabelecido, marchei de volta para o escritório de Dante.
Sua secretária tentou me parar, levantando-se parcialmente da cadeira.
"Ele está em uma reunião com a Sra. Rossi", ela gaguejou.
Passei por ela e abri a porta com um empurrão.
Valéria estava empoleirada na beirada da mesa dele, rindo.
Eles pararam no momento em que entrei.
Dante parecia irritado, a irritação cintilando em suas feições.
"Estamos discutindo estratégia, Siena."
Aproximei-me da mesa e coloquei meu celular, mostrando a ele o e-mail que acabara de enviar.
"Eu me demito."
Dante revirou os olhos. Ele pegou uma caneta e a girou entre os dedos, entediado.
"Pare com o drama, Siena. Você está chateada com a promoção. Tire uma semana de folga. Vá ao spa."
Ele não acreditou em mim.
Ele achava que eu era um acessório. Uma luminária que podia ser movida, mas nunca removida.
"Não estou chateada", eu disse, minha voz estranhamente calma. "Eu cansei."
Tirei a cópia impressa que havia preparado mais cedo do meu bolso.
"Assine."
Ele olhou para mim, olhou de verdade, pela primeira vez naquele dia.
Ele viu a falta de emoção nos meus olhos. Ele viu o vazio onde sua assistente leal costumava estar.
Ele arrancou o papel, assinou com um rabisco afiado e raivoso, e o empurrou de volta pela mesa de mogno.
"Tudo bem", ele estalou. "Se você quer fazer birra, vá em frente. Você voltará implorando pelo seu emprego em um mês."
Peguei o papel.
"Obrigada", eu disse.
Virei-me para sair.
"Ah, e Siena?", Valéria chamou, sua voz escorrendo falsa doçura. "Deixe seu cartão de acesso na mesa."
Deixei o cartão de plástico cair no carpete.
Não olhei para trás.
Peguei um táxi direto para a cobertura.
Liguei para um corretor de imóveis especializado em transações discretas e somente em dinheiro para o submundo.
"Quero que seja vendido", eu disse a ele. "Hoje."
"Mas Sra. Vitalle, o mercado está-"
"Não me importo com o preço", interrompi, cortando-o. "Eu quero que desapareça."
Duas horas depois, uma empresa de fachada de propriedade da Máfia Russa o comprou.
Eles pagaram vinte por cento abaixo do valor de mercado.
Eu não me importei.
Fiz uma mala.
Roupas. Meu passaporte. O dinheiro da venda.
Meu celular vibrou no balcão.
Era uma mensagem da Giulia.
Siena, por favor, venha à Gala hoje à noite. É meu aniversário. Eu sei que você o odeia agora, mas faça isso por mim. Por favor.
Olhei para a mala.
Olhei para o apartamento vazio, despojado de sua alma.
Uma última noite.
Uma última performance.
Eu iria. Eu me despediria da única Moretti que já me tratou como um ser humano.
E então, eu desapareceria.