Eles estavam perto da orquestra, reinando.
Valéria usava um vestido vermelho que exigia atenção. Ela estava rindo, a mão repousando possessivamente no peito de Dante.
Ele parecia... contente.
Ele parecia um homem que tinha tudo o que queria.
Meu pai estava lá, conversando com o Don. Eles estavam rindo.
Eles ainda não sabiam.
Eles não sabiam que a aliança estava morta.
Encontrei Giulia perto da fonte de chocolate.
"Siena!", ela gritou, quase me derrubando em um abraço apertado. "Você veio!"
"Feliz aniversário, G", sussurrei, colocando uma pequena caixa de veludo em sua mão.
Era um par de brincos de diamante que eu mesma desenhei. A última coisa que criei antes de perder a memória.
Ela abriu e ofegou.
"São lindos. Mas... por que você parece estar se despedindo?"
"Porque eu estou."
Seu rosto se abateu.
"Siena, não faça isso. Dante está sendo um idiota. Ele vai voltar ao normal."
"Ele não vai", eu disse, minha voz oca. "E eu não quero que ele volte."
O barulho da festa começou a aumentar, me sufocando.
"Preciso de ar", eu disse a ela.
Retirei-me para um dos quartos de hóspedes no segundo andar. Estava quieto aqui.
Sentei-me na beirada da cama, ouvindo o som abafado da música vinda de baixo.
A porta rangeu ao se abrir.
Eu esperava Giulia.
Era Valéria.
Ela entrou e girou a fechadura com um clique seco.
"Se escondendo?", ela perguntou, sua voz zombeteira.
Levantei-me.
"Saia, Valéria."
Ela caminhou em minha direção, passando a mão pela cômoda antiga.
"Sabe", disse ela, pegando um pesado candelabro de prata. "Eu sempre te odiei. Mesmo quando meu marido estava vivo."
"Por quê?", perguntei. "Eu nunca te fiz nada."
"Porque você era perfeita", ela cuspiu. "A princesinha Vitalle perfeita. E eu era apenas a esposa de um soldado."
Ela se aproximou.
"Mas agora? Agora eu tenho tudo. Eu tenho seu emprego. Eu tenho seu homem."
"Ele não é um prêmio, Valéria", eu disse calmamente. "Ele é um trabalho. E você pode ficar com ele."
Seus olhos se estreitaram.
"Você se acha melhor que eu?"
"Eu acho que estou livre", eu disse.
Ela riu, um som áspero e quebradiço.
"Você não é nada. Você é apenas um investimento fracassado."
Ela me empurrou.
Eu tropecei para trás, batendo nas cortinas pesadas.
"Não me toque", avisei.
Ela me empurrou de novo, com mais força.
Agarrei seu pulso.
Ela gritou e balançou o candelabro.
Ele atingiu meu ombro com um baque surdo de dor.
Eu a empurrei para trás.
Ela tropeçou, seus saltos prendendo no tapete.
Ela se debateu, perdendo o controle do pesado objeto de prata.
Ele caiu no chão.
As velas acesas rolaram para as pesadas cortinas de veludo.
Com um silvo aterrorizante, o tecido pegou fogo instantaneamente. As chamas lamberam o material seco, famintas e rápidas.
"Fogo!", Valéria gritou.
Ela correu para a porta.
Estava trancada. Ela se atrapalhou com a fechadura, o pânico a tornando desajeitada.
O quarto se encheu de fumaça acre.
Eu tossi, meus olhos ardendo.
Movi-me para ajudá-la com a porta.
Ela olhou para mim, seus olhos arregalados de malícia.
Ela me empurrou para trás, em direção às cortinas em chamas.
"Fique aí!", ela gritou.
Ela conseguiu abrir a porta e escapuliu.
Antes que eu pudesse segui-la, a porta bateu e a fechadura se encaixou.
"Dante!"