2 Capítulo
Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

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Ponto de Vista de Carolina:
Sua voz, afiada e exigente, cortou o silêncio dos meus pensamentos quando voltei para a sala de jantar. "Carolina, onde você esteve?"
Virei-me, um sorriso educado já fixo no meu rosto. Era uma máscara que eu havia aperfeiçoado anos atrás, a ferramenta mais essencial de uma esposa de político. "Apenas tomando um ar, querido. Minha cabeça estava um pouco tonta com todas as lembranças do papai." Toquei minha testa, fingindo uma leve tontura. Era uma desculpa crível, dada a ocasião.
Seus olhos se estreitaram, examinando meu rosto, procurando por qualquer sinal. Ele era bom, mas eu era melhor. Minha cara de pôquer foi herdada de um homem que conseguia extrair a verdade de qualquer um com seu charme, e esconder a sua com igual habilidade. Eu sabia como jogar este jogo. Eu vinha aprendendo com o mestre a minha vida inteira.
Ele não deve ter encontrado nada, porque suas feições se suavizaram. Ele me puxou para perto, seu braço uma faixa possessiva em volta da minha cintura. "Você me preocupou, meu amor. Sabe como é perigoso para uma mulher andar sozinha, especialmente esta noite." Ele pressionou um beijo no meu cabelo. "Eu não conseguiria viver se algo acontecesse com você. Nós pertencemos um ao outro. Para sempre."
As palavras pareciam veneno, queimando minha garganta. Para sempre. Como era fácil para ele proferir tais votos enquanto seu coração, ou o que passava por isso, pertencia a outra. À minha irmã. Ele era um mestre da performance. E eu, sua plateia involuntária, finalmente tinha visto através do ato.
"Não consigo imaginar uma vida sem você, Carol," ele continuou, me segurando mais forte. "A ideia de te perder... eu desmoronaria." Ele enterrou o rosto no meu cabelo, expirando profundamente. "Você é minha âncora. Minha rocha. Meu tudo."
Suas mentiras eram tão ousadas, tão descaradas, que quase me fizeram rir. Senti uma onda de fúria fria. Este homem, que estava destruindo minha vida, estava fingindo estar loucamente apaixonado. Ele era um insulto ao próprio conceito de fidelidade.
"Então," comecei, minha voz suave, quase brincalhona, "se hipoteticamente, eu fosse... desaparecer, ou, digamos, te trair, o que você faria, Gustavo?"
Ele se afastou abruptamente, seus olhos brilhando com raiva genuína, não do tipo performático. "Carolina! Nem brinque com essas coisas." Seu aperto no meu braço era forte, machucando. "Traição é o pecado supremo. Lealdade é tudo." Ele olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava ouvindo muito de perto. "Minha família sempre defendeu isso. Nos traia, e você se arrependerá."
Ele olhou para mim, seu olhar intenso, quase ameaçador. "Você conhece o código da minha família. Lealdade é sagrada. E eu, Carolina Cruz, juro pela honra da minha família, que nunca te trairei."
Suas palavras ecoaram na sala elegante, uma promessa vazia que zombava da verdade que eu acabara de descobrir. Ele jurou pela honra de sua família. Pela sua família. A mesma honra que ele estava pisoteando com a minha irmã.
"Eu sei, querido," eu disse, um sorriso plácido no rosto. Bati em sua mão, forçando-me a relaxar em seu toque. "Eu estava apenas sendo boba. Claro que você não faria."
Ele relaxou, uma satisfação presunçosa se espalhando por seu rosto. Ele beijou minha testa, seus lábios demorando. "Você é minha, Carol. Sempre foi, e sempre será. Estamos destinados à grandeza juntos. Ninguém pode ficar entre nós." Seus olhos tinham um brilho possessivo. "Se alguém tentasse te tirar de mim, eu juro, eu faria essa pessoa se arrepender do dia em que nasceu." Ele se inclinou, sua voz um rosnado baixo. "E se você me deixasse, Carol, eu te caçaria até os confins da terra. Você não pode escapar de mim."
Fechei os olhos brevemente, um arrepio percorrendo minha espinha. Você não pode escapar de mim. Ele estava certo. Ou, ele pensava que estava. Ele não tinha ideia de que a mulher que ele estava segurando já tinha partido. Meu coração, que antes batia apenas por ele, era agora um deserto estéril. Eu não sentia nada além de uma resolução fria e ardente.
Afastei-me gentilmente dele, meu sorriso nunca vacilando. "Gustavo, querido, eu realmente preciso de alguns minutos de silêncio. Estarei no escritório, apenas organizando meus pensamentos."
Ele franziu a testa, mas seu celular de repente vibrou no bolso. Ele olhou para a tela, e sua expressão confiante vacilou, substituída por um lampejo de irritação, e então outra coisa. Algo como... pânico. E desejo.
Meus olhos, afiados e perceptivos, captaram o nome no identificador de chamadas antes que ele rapidamente afastasse a tela. "Meu Canarinho." O apelido da minha irmã. Helô.
Ele murmurou algo sobre um assunto familiar urgente, uma crise repentina que ele precisava resolver. Seus olhos, agora cheios de um falso arrependimento, encontraram os meus. "Sinto muito, Carol. Não pode esperar. Você entende, não é?"
"Claro, querido," eu disse, minha voz doce, compreensiva. "A família sempre vem em primeiro lugar." A ironia era um gosto amargo na minha boca.
Ele se inclinou, pressionou um beijo rápido na minha testa. "Voltarei assim que puder. Espere por mim, meu amor. Suba para a nossa suíte, descanse."
Eu assenti, interpretando a noiva obediente, a parceira compreensiva. Ele sorriu, aliviado, e saiu apressado da sala, sua equipe de segurança seguindo-o. Observei suas costas se afastando, um fantasma de sorriso nos meus lábios. Ele pensava que estava escapando. Ele estava apenas caindo na minha armadilha.
Assim que seu carro partiu, eu me movi. Não para a suíte, mas para a entrada de serviço. Meu plano estava traçado. E minha presa, alheia, já estava me levando exatamente para onde eu precisava ir.