3 Capítulo
Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

/ 1

Ponto de Vista de Carolina:
Gustavo estava prestes a dizer algo mais, alguma instrução de despedida, quando Roberto, seu assessor, apareceu ao seu lado, sussurrando com urgência. A expressão de Gustavo mudou de preocupação fingida para aborrecimento genuíno. Ele lançou um olhar afiado para Roberto, depois apertou minha mão. "Mais tarde, meu amor. Eu prometo."
Ele me deu um sorriso misterioso, quase travesso, e então pegou minha mão, me conduzindo em direção às grandes portas duplas que se abriam para os vastos jardins da propriedade. "Venha, tenho uma surpresa para você."
Meu coração martelava contra minhas costelas, um tambor surdo e frenético. Uma surpresa? Esta noite? Depois de tudo? Eu queria resistir, me afastar, mas precisava manter a fachada. Precisava que ele acreditasse que eu ainda era sua.
Ele me parou na soleira, suas mãos cobrindo gentilmente meus olhos. "Sem espiar, minha linda Carolina. Isso é algo especial. A maneira perfeita de terminar um dia difícil e de te lembrar do nosso futuro." Sua voz era suave, sedutora, uma canção de ninar ensaiada.
Senti sua respiração na minha orelha enquanto ele começava a contagem regressiva. "Cinco... quatro... três... dois... um!"
Ele levantou as mãos, e eu pisquei, meus olhos se ajustando ao brilho suave das luzes do jardim. Acima de nós, suspensos contra a tela escura do céu noturno, centenas de drones se acenderam, mudando e girando, formando padrões intrincados. Eles dançaram, um balé de luz hipnotizante, até que finalmente, se uniram em uma única imagem de tirar o fôlego: meu nome. CAROLINA. Brilhava, radiante e etéreo, um testemunho de seu poder, sua riqueza, seu amor performático.
Ele me abraçou por trás, me puxando contra seu peito. "Feliz aniversário, meu amor," ele sussurrou, seus lábios roçando o lóbulo da minha orelha. "Sete anos desde que nos conhecemos. Sete anos da maior história de amor que conheço. A cada ano, tento me superar, para te mostrar o quanto você significa para mim."
Sete anos. Sete anos em que acreditei nesta fantasia cuidadosamente construída. Sete anos de mim, a garota ingênua, me apaixonando pelo político carismático que me prometeu a lua. Eu costumava olhar para surpresas como esta e sentir meu coração inchar de amor, de gratidão. Agora, parecia uma piada cruel. Uma gaiola dourada.
Lembrei-me da garota que eu era há sete anos. Cheia de esperança, transbordando de ambição, mas disposta a deixar tudo de lado pelo homem que eu acreditava ser minha alma gêmea. Eu tinha sido tão sincera, tão dedicada. Eu me afastei da minha própria carreira política em ascensão, do caminho que meu pai meticulosamente traçou para mim, para apoiar a dele. Para ser sua estrategista, sua confidente, sua força silenciosa nos bastidores. Eu tinha sido uma tola. Aquela garota se foi, substituída por uma mulher fria e calculista.
"E a cada ano, eu consigo," ele riu, sua voz grossa de orgulho. "Você não merece nada além do melhor, Carol. Sempre mereceu." Ele me virou em seus braços, seu olhar intenso, prestes a se inclinar para um beijo.
Assim que seus lábios tocaram os meus, seu celular vibrou novamente. O zumbido áspero quebrou a ilusão romântica, rasgando um buraco no momento cuidadosamente elaborado. Ele se afastou, sua mandíbula se contraindo de aborrecimento. Ele arrancou o celular do bolso, seus olhos brilhando de irritação.
Mas então ele viu o identificador de chamadas. Sua expressão, tão cheia de romance performático um segundo atrás, perdeu toda a cor. Seus olhos se arregalaram, um lampejo de pânico, depois um desejo cru e descontrolado. Era ela. "Meu Canarinho."
Ele se atrapalhou com o celular, tentando silenciá-lo, escondê-lo. Tarde demais. Eu já tinha visto. Meu coração, já uma bagunça fraturada, se estilhaçou ainda mais. A pura audácia. Ligando para ele agora, no memorial do meu pai, na nossa celebração de "aniversário".
Ele tentou se recompor, uma máscara de desculpa cansada se instalando em seu rosto. "Carol, eu... sinto muito. É uma emergência familiar. Uma crise que tenho que resolver imediatamente." Seus olhos imploravam por compreensão, por crença.
Esperança. Uma faísca minúscula e tola, piscou dentro de mim. Talvez não fosse o que eu pensava. Talvez fosse um mal-entendido. Talvez...
"Está tudo bem, Gustavo?" perguntei, minha voz um fio delicado, quase frágil.
Ele balançou a cabeça, passando a mão pelo cabelo perfeitamente penteado. "Não, minha querida. De jeito nenhum. É... complicado. Minha tia, um problema de saúde inesperado. Preciso ir. Imediatamente." Ele evitou meu olhar, seus olhos correndo em direção aos portões.
Ele estendeu a mão, sua mão segurando suavemente minha bochecha, depois pressionando um beijo suave, quase casto, na minha testa. "Voltarei assim que puder. Por favor, entre, descanse um pouco. Ligo para você assim que estiver livre."
Ele já estava se virando, sua mente claramente em outro lugar. "Não me espere acordada."
"Claro, Gustavo," respondi, minha voz um sussurro suave e complacente. A noiva obediente. A mulher confiante. Era um papel que eu desempenhava bem, anos de prática.
Ele me deu um sorriso rápido e grato, claramente aliviado pela minha fácil aceitação. "Essa é a minha garota." Ele se afastou, sua equipe de segurança se apressando para alcançá-lo. Observei seu sedan preto elegante desaparecer pela entrada, as luzes dos drones ainda formando meu nome no céu, um toque final e zombeteiro de sua ilusão cuidadosamente construída.
Não havia chance de eu entrar. Não agora. Não quando a verdade estava chamando. Rapidamente chamei um carro discreto da equipe de segurança, um que ele não notaria. "Siga-o," instruí o motorista, minha voz baixa e firme. "Mantenha distância. Preciso saber para onde ele está indo."