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Levado por Seu Amor Traiçoeiro
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5 Capítulo
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Capítulo 5

Ponto de Vista de Carolina:

Passei o dia seguinte em um borrão de eficiência calculada, minha mente uma armadilha de aço, completamente desapegada dos destroços emocionais da minha vida. Meu último ato como Carolina Cruz, a noiva leal, seria o mais devastador.

Peguei uma pequena caixa de madeira antiga da minha cômoda, um presente do meu pai no meu décimo oitavo aniversário. Dentro, aninhado em uma almofada de veludo, estava o brasão da minha família, um anel de prata passado por gerações de mulheres Cruz. Deveria ser minha aliança de casamento, um símbolo da minha linhagem se fundindo com a do meu marido. Agora, era uma arma.

Ao lado, coloquei documentos legais cuidadosamente preparados. Um acordo de divórcio abrangente, meticulosamente redigido por um escritório anônimo que Carlos havia recomendado. Era à prova de falhas, deixando Gustavo sem nada meu e dissolvendo qualquer reivindicação que ele pudesse ter sobre meu futuro. Era uma declaração de guerra, disfarçada de rendição.

Embrulhei a caixa em um papel elegante e discreto, amarrando-a com uma simples fita de seda. Parecia inócuo, um presente atencioso. Ele nunca suspeitaria.

Mais tarde naquela noite, enquanto estávamos sentados no escritório, uma pretensão de normalidade pairando pesadamente entre nós, eu lhe apresentei o pacote. "Feliz aniversário, Gustavo," eu disse, minha voz suave, meus olhos grandes e inocentes. "Uma coisinha para marcar nossos sete anos. Uma promessa de muitos mais."

Ele pegou a caixa, suas sobrancelhas se erguendo em surpresa. "Carol, meu amor, você não precisava. Você sabe que meu coração é seu maior presente." Ele me deu seu sorriso mais charmoso, um flash ensaiado de dentes e calor.

"Apenas uma pequena lembrança," insisti, pressionando a caixa em suas mãos. "Algo pessoal. Algo para nós."

Ele inclinou a cabeça, um brilho curioso em seus olhos. "Devo abrir agora?"

"Não," eu disse, um tom brincalhão na minha voz. "É um tipo especial de presente. Você pode abri-lo em dois dias. No nosso aniversário de noivado. Considere uma celebração atrasada." Eu o observei, meu coração um bloco congelado no peito. O dia em que eu terei partido.

Ele riu, encantado com minha suposta sentimentalidade. "Minha doce Carol. Sempre tão atenciosa." Ele colocou a caixa cuidadosamente em seu cofre pessoal, um gesto de profunda confiança. Ele não tinha ideia de que estava trancando seu próprio futuro.

Quando você abrir essa caixa, Gustavo, pensei, não encontrará um presente. Encontrará o fim de tudo que você pensava ter.

Nesse momento, a campainha tocou, um som estridente e insistente que quebrou o silêncio frágil. Gustavo franziu a testa, a irritação piscando em seu rosto. "Quem poderia ser a esta hora?"

Antes que ele pudesse mandar Roberto investigar, as portas se abriram com um estrondo. Helô estava lá, o rosto manchado de lágrimas, seu cabelo loiro geralmente impecável, desgrenhado. Ela segurava um envelope branco, os nós dos dedos brancos.

"Gustavo!" ela gritou, a voz embargada de soluços.

Gustavo praguejou baixinho, sua postura suave instantaneamente substituída por um flash de fúria fria. Ele agarrou o braço de Helô, arrastando-a para fora do escritório e para o jardim de rosas mal iluminado, fora de vista, mas não fora do alcance da audição. Ele nem sequer me lançou um olhar.

Fui até a janela, observando a cena se desenrolar. O rosto de Gustavo era uma máscara de trovão. "Você está louca?" ele sibilou, a voz baixa e perigosa. "Vindo aqui? Agora? Você vai estragar tudo!" Ele a empurrou, sua paciência claramente no fim.

Helô cambaleou para trás, mas rapidamente recuperou o equilíbrio, empurrando o envelope contra o peito dele. "Você acha que eu me importo em 'estragar tudo'?" ela gritou, a voz grossa de desespero. "Olhe para isso, Gustavo! Apenas olhe!"

Ele arrancou o envelope, rasgando-o. Enquanto lia o conteúdo, seu rosto passou de raiva para choque, e então um medo profundo. Meu coração despencou, um pavor frio me invadindo. Eu já sabia.

"Estou grávida, Gustavo," Helô sussurrou, a voz falhando. "Seis semanas. O médico disse que é de alto risco. E é seu. Nosso bebê." Ela fez uma pausa, depois acrescentou, a voz se elevando em um apelo desesperado: "Seu primeiro filho, Gustavo! Seu herdeiro!"

As palavras me atingiram como um golpe físico. Meu peito parecia oco, como se uma mão invisível tivesse entrado e arrancado meu coração. Meu próprio teste de gravidez, ainda guardado no meu bolso, parecia uma piada cruel. Ele tinha um filho. Com minha irmã. Enquanto eu também carregava seu filho.

Lembrei-me de suas desculpas, suas evasivas sobre começar uma família, sempre dizendo "ainda não, Carol, vamos focar na minha carreira". Ele nunca quis um filho comigo. Ele só queria meu silêncio. Minha complacência. Minha mente estratégica para construir seu império.

Gustavo ficou ali, em estado de choque. Seu mundo cuidadosamente construído estava desmoronando ao seu redor. Uma Helô grávida. Seu primeiro herdeiro. Vi as engrenagens girando em sua mente, o político implacável calculando os ângulos.

Sua raiva se dissipou, substituída por uma estranha mistura de aceitação resignada e algo parecido com orgulho. "Meu... meu herdeiro," ele murmurou, a voz mais suave, quase reverente. Ele olhou para Helô, sua expressão mudando de desdém para uma preocupação possessiva. "Por que você não disse nada antes? Você está bem? Já foi a um médico?"

"Acabei de descobrir!" Helô soluçou, suas lágrimas agora misturadas com alívio. "Estou com tanto medo, Gustavo! O que vamos fazer?" Ela o alcançou, a mão agarrando seu braço.

Ele gentilmente, quase inconscientemente, se afastou. "Nós vamos resolver isso. Você precisa descansar. Vou providenciar os melhores especialistas. Você ficará na casa de hóspedes. Ninguém deve saber sobre isso. Ainda não." Ele olhou para ela, os olhos frios e autoritários. "Sua prioridade é a criança. Nada mais."

O rosto de Helô se iluminou, um sorriso triunfante rompendo suas lágrimas. Ela se inclinou, tentando beijá-lo, mas ele se moveu sutilmente, oferecendo a bochecha.

"Não force a barra, Helô," ele avisou, a voz baixa. "Esta é uma situação delicada. Você precisa ser inteligente. Pelo bebê." Ele deu um tapinha displicente em seu ombro. "Agora vá. Roberto vai te acompanhar até a casa de hóspedes. Vejo você de manhã." Ele se virou, um sorriso sardônico brincando em seus lábios, como se saboreasse o caos que havia criado.

Afundei de volta na cadeira, minha cabeça girando. Seis semanas. Isso significava que ele esteve com Helô mais ou menos na mesma época em que esteve comigo, quando eu concebi. As datas batiam perfeitamente. Outra criança. Dele. E minha.

Toquei minha barriga lisa, uma onda de profunda tristeza me invadindo. Eu estava carregando seu filho. E ele já tinha outro a caminho, com minha irmã. Sinto muito, pequeno, pensei, um pedido de desculpas silencioso à vida que crescia dentro de mim. Você merece muito mais do que este mundo quebrado.

Alguns minutos depois, Gustavo voltou ao escritório, o rosto composto, sua máscara de político de volta no lugar. "Carol, sinto muito, querida. Aquilo foi... uma crise imprevista." Ele passou a mão pelo cabelo, fingindo exaustão. "Minha tia, ela teve uma recaída. Tive que providenciar transporte médico imediato. É tudo muito delicado. Preciso sair por alguns dias para supervisionar seus cuidados."

Outra mentira. Outra performance. Esta noite, ele estava realmente se superando.

"Claro, Gustavo," eu disse, minha voz suave, totalmente desprovida de emoção. "Assuntos de família são sempre primordiais." Levantei-me, ajeitando meu vestido.

Ele caminhou até mim, colocando a mão na minha bochecha. "Preciso que você fique aqui, Carol. Mantenha as coisas funcionando sem problemas. Sem drama. Sem perguntas. Você pode fazer isso por mim?" Seus olhos continham um aviso sutil.

"Você sabe que posso, querido," respondi, um pequeno sorriso de conhecimento brincando em meus lábios. "Estarei aqui. Esperando."

Ele pressionou um breve beijo na minha testa, depois se virou e saiu, seus passos ecoando pelo grande salão. Ouvi seu carro se afastar, o som desaparecendo na noite. Fui até o calendário pendurado na parede, meu dedo traçando a data. Dois dias. Então, ele abriria seu "presente". E Carolina Cruz teria desaparecido para sempre.

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