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Capítulo 4 Leve os dois

Passeando de um lado para o outro na pequena sala de estar, o homem finalmente pegou um cartão e o jogou sobre a mesa desgastada. "Duzentos mil dólares. Considere isso como um pequeno gesto de gratidão por ter cuidado do meu filho."

Sem sequer fazer uma pausa, ele se virou para Lucas. "Comece a fazer as malas. O motorista está lá embaixo esperando por nós." Cada palavra carregava o peso de um homem acostumado à obediência imediata.

Mesmo assim, Lucas permaneceu parado.

Então, a irritação se estampou no rosto do homem, e ele agarrou o braço do menino. "Não vale a pena levar nada neste lugar. Vou comprar tudo novo para você."

Nesse momento, Allison e Lucas se moveram juntos, correndo para os braços um do outro e se abraçando como se nada mais importasse.

Allison nunca se sentiu tão abalada em sua vida. Nada se comparava a essa dor impotente, nem durante negociações comerciais de alto risco, nem durante as noites sem dormir no trabalho.

Enquanto o homem os observava, seu rosto se contorceu como se a cena pertencesse a alguma peça ridícula, o frio em seu olhar fazendo Allison hesitar, então, ele soltou uma risada breve e sem humor. "E o que tudo isso significa? Não me diga que você nunca contou a verdade a ele, que você não é..."

De repente, ele interrompeu a frase, pois o olhar dela disse-lhe tudo o que precisava saber.

Ela não era ingênua, de forma alguma, mas ele não se interrompera por causa dela, apenas se recusava a aborrecer seu próprio filho. A ideia de uma criança ser forçada a deixar a única mãe que conhecia há quatro anos passou pela sua cabeça.

Lutando para manter a voz firme, Allison implorou, sua voz trêmula: "Deixe-me ficar com ele por mais um tempo. Por favor... só mais um pouco..."

A promessa que ela havia feito há muito tempo - de devolver Lucas se sua família biológica aparecesse - parecia sem sentido agora. Todos aqueles dias e noites, as conquistas, os joelhos ralados, as primeiras palavras, carregá-lo durante as febres... nada disso poderia ser apagado.

Ela nunca compartilhava as fotos dele, com medo de que um dia alguém pudesse ver e reconhecer o menino que não era realmente dela.

Ela não o havia dado à luz, mas o encontrara. A verdade sobre o garoto de quatro anos era conhecida apenas por Tricia, sua amiga mais próxima.

Agora, a ideia de deixá-lo ir parecia impossível.

A impaciência se infiltrou na voz do homem, que perguntou: "Você quer mais dinheiro?"

Balançando a cabeça, Allison não disse nada, seus braços apertando Lucas com mais força.

O rosto do homem se contraiu, e uma ameaça surgiu em sua voz: "Talvez você prefira resolver isso com um teste de DNA agora mesmo?!"

Nesse momento, a verdade atingiu Lucas de uma só vez. Esse tal "pai" queria levá-lo embora.

Tudo aquilo que ele acreditava representar a essência de um pai desfez-se diante de seus olhos. Mal chegando à altura da cintura da mãe, Lucas se colocou à frente dela, de braços abertos, tentando protegê-la.

"Não vou embora! Você não pode me tirar da minha mãe!", ele gritou, seu tom desafiador.

Mantendo um tom suave, o homem se ajoelhou até a altura de Lucas, talvez na esperança de conquistá-lo. "Filho, sou seu pai. É hora de ir para casa comigo."

Em seguida, ele desviou sua atenção para Allison. "Você realmente pode oferecer mais a ele ficando com ele? Pode prometer um futuro melhor, uma escola melhor, melhores oportunidades? Não quero ofender, mas é óbvio que você está passando por dificuldades financeiras."

Allison não podia negar a verdade em suas palavras. Ela se lembrou de ter conhecido a sobrinha de Kyle, uma garotinha que conseguia recitar sonetos de Shakespeare de cor.

Enquanto isso, Lucas, já com quatro anos, passava as tardes brincando ao ar livre. Ela o enchia de amor, mas o resto estava em falta.

Mal conseguindo falar, Allison sussurrou: "Tudo bem."

Um suspiro exagerado escapou dos lábios do homem. "Era isso que eu esperava de alguém sensato."

Nada passou despercebido por Lucas. Ele ouviu cada palavra, e ficou claro que sua mãe estava deixando esse homem levá-lo.

Lucas sempre se gabava para os meninos do bairro que os caras durões não choravam. No entanto, agora as lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto ele se agarrava desesperadamente à perna de Allison.

"Mãe! Por favor, não deixe ele me levar! Quero ficar com você!"

Allison também desabou. Ajoelhando-se, ela o abraçou com força. "Querido, me ouça. Vá com seu pai por enquanto, está bem? Prometo que vou te visitar. Você não queria aquele carrinho que você pode dirigir? Ele vai comprar para você. Por favor, confie em mim e vá..."

O desespero tomou conta da voz do menino ao gritar: "Não... quero ficar! Quero você, mãe! Não deixe ele me levar embora!"

Sentado no sofá, a paciência do homem se esgotou à medida que o choro se prolongava, mas ele se forçou a esperar, deixando a tempestade passar.

Não demorou muito para Lucas perceber que implorar a Allison era inútil.

Ele atravessou a sala correndo e encarou o homem. "Não me leve para longe da minha mãe. Quanto você quer? Posso te pagar!"

Isso fazia sentido para ele, já que o homem havia tentado usar dinheiro para separá-los.

Lucas tinha sua própria coleção de moedas e notas amassadas escondidas. Talvez se ele oferecesse suas economias, esse homem desistiria.

O homem soltou um suspiro cansado, como se estivesse atendendo à esperança ingênua de uma criança. "Tudo bem, faremos do seu jeito."

Os olhos de Lucas se arregalaram de esperança. Será que poderia ser tão simples assim?

Mas então, o homem deu uma ordem fria que mudou tudo: "Leve os dois."

Sem dizer mais nada, ele foi em direção à porta.

Seus homens, que estavam prontos no corredor, abriram a porta para ele.

Em seguida, três homens robustos entraram, um deles pegando Lucas e o carregando no ombro, sem se importar com os chutes, socos e gritos enquanto o levava escada abaixo.

Allison lutou para segurar seu filho, mas nada a preparou para o momento em que ela também foi forçada a ir com ele.

Dois homens altos se aproximaram, um de cada lado, e a levantaram como se ela não pesasse mais do que um saco de farinha.

A mulher mal conseguiu respirar antes que a colocassem no banco de trás de um carro que esperava. A porta se fechou atrás dela com um baque forte e a trava se encaixou.

Enquanto isso, um grupo de vizinhos se reuniu na calçada, atraídos pelo barulho e pela visão de Allison e Lucas chorando dentro de um sedã preto brilhante. Os murmúrios começaram imediatamente.

Recostado com displicência contra o carro, o homem manteve o cigarro preso aos lábios enquanto um de seus capangas aproximava o isqueiro e sustentava a chama.

Ele deu uma tragada profunda, soltou uma nuvem de fumaça no ar e olhou para os curiosos com um sorriso preguiçoso e zombeteiro. "Qual é o problema? Vocês nunca viram um casal discutir antes?"

Depois de jogar o cigarro fora, ele entrou no carro e o comboio seguiu pela rua.

Os vizinhos trocaram olhares, montando sua própria versão da história.

Então, era esse o marido de Allison - rico, bonito e, claramente, a razão pela qual ela podia usar roupas elegantes e nunca trabalhar.

Ao chegar a uma enorme propriedade, Allison foi levada para dentro. Lá, ela encontrou o homem esperando por ela, com as pernas cruzadas, um café em uma mão e um tablet na outra, completamente à vontade.

Tudo isso parecia surreal. Há apenas alguns dias, ela estava pensando em voltar para Streley. Nunca em seus sonhos mais loucos ela imaginou esse desfecho.

A casa era enorme e estranhamente silenciosa. Ela percorreu o local com o olhar, procurando por qualquer sinal de Lucas. Com os olhos vermelhos e desesperados, ela perguntou: "Onde está meu filho?"

Colocando seu iPad sobre a mesa, o homem fez um gesto frio para que ela se sentasse.

Anos de negociações difíceis o ensinaram quando pressionar - justamente quando a outra parte se sentia mais impotente.

Recusando-se a se mover, Allison permaneceu parada, esperando por uma resposta.

"Allison Wade. 29 anos. Já trabalhou como gerente de marketing na Acme Inc. Se divorciou há quatro anos e se estabeleceu em Blirson logo depois." As palavras calmas do homem fizeram a raiva dela diminuir, sendo substituída pela inquietação.

Sem perder o ritmo, ele continuou: "Você pegou Lucian quando ele era um bebê, com menos de três meses de idade. Disse a todos que ele era seu filho do seu primeiro casamento. Você nunca contou a ele a verdade sobre a origem dele."

Ouvindo isso, o rosto de Allison se empalideceu. Parada na casa luxuosa, ela percebeu o quão pouco poder tinha em comparação a ele.

O tom do homem permaneceu suave ao acrescentar: "Como você cuidou dele nesses quatro anos, não vou levar isso para o tribunal. Mas não se iluda. Ele foi roubado pela babá dele, que te viu pegá-lo perto das lixeiras. Você sempre soube que ele não é seu."

Nesse momento, suas palavras ficaram mais incisivas, não rudes, mas frias. "Você está aqui porque Lucian se importa com você. Não quero magoar meu filho mais do que o necessário. Ajude-o a se adaptar, a aceitar quem é sua família de verdade, e então você estará livre para ir."

Após uma breve pausa, ele completou, os lábios curvando-se em um leve sorriso: "Ou, se preferir desaparecer agora mesmo, também funciona. As crianças choram por alguns dias, depois a vida segue."

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