Gênero Ranking
Baixar App HOT

Capítulo 5 Correndo para o hospital

O que mais apavorava Allison era a ideia de que, após alguns dias de choro, ela simplesmente desapareceria da memória de Lucas, como se nunca tivesse existido.

Acalmando-se com uma respiração profunda, ela colocou o cabelo atrás da orelha e se sentou na poltrona à frente do homem. Seus olhos se aguçaram, da mesma forma que faziam durante as negociações mais difíceis. "Vou pensar no que você disse, mas não farei mais nada até ver Luc."

Apesar de sua decisão de devolver Lucas à família, ela sentia uma preocupação persistente por ele agora. Afinal, eles nunca haviam se separado.

"Ele chorou até dormir há pouco tempo. Descanse um pouco. Conversaremos novamente quando você se recuperar."

"Não vai me explicar a situação da sua família?" Seus olhos se aguçaram, da mesma forma que faziam durante as negociações mais difíceis.

Sem hesitar, ele respondeu: "Sou Derek Lawson. A mãe de Lucian morreu no parto. A babá a quem o confiei, irritada com minha repreensão, o levou embora. Ela não queria ficar com ele - queria apenas me causar dor. Dois dias atrás, eu finalmente a encontrei."

A verdade atingiu Allison como um golpe seco e irrefutável. A mãe de Lucas partira antes mesmo de ele dar o primeiro suspiro, lançando-o ao mundo na mais absoluta solidão, e ela, por sua vez, jamais poderia conceber um filho.

Logo, uma empregada preparou um quarto de hóspedes para Allison, que não se opôs desta vez. O banho quente aliviou um pouco do cansaço, e o sono a dominou assim que sua cabeça tocou o travesseiro.

Desde a chegada de Derek, ela estava tensa, e a longa viagem a deixou mal conseguindo manter os olhos abertos. O descanso era um luxo que ela não podia recusar, pois precisava de forças para enfrentar o que estava por vir.

O tempo passou até que uma batida forte na porta a acordou.

"Senhora Wade, Luc está chorando. Pode vir vê-lo?", uma funcionária perguntou, preocupada, do corredor.

As paredes à prova de som abafavam tudo, então Allison não havia percebido que Lucas estava chorando.

"Mãe... quero você, mãe!" Os gritos de Lucas ecoavam pela fresta da porta.

Sem pensar duas vezes, Allison passou pela funcionária e correu para as escadas. "Estou aqui, Luc. Estou bem aqui!"

Lágrimas manchavam o rosto de Lucas. No momento em que a viu, ele se afastou da funcionária e correu para os braços de Allison. "Onde você foi, mãe?"

Allison o pegou no colo, enxugando suas lágrimas. "Estou aqui. Só precisei descansar um pouco. Não chore, está bem? Estou aqui."

Desde que completara três anos, Lucas raramente agia assim. Ele sempre dizia que agora era um menino grande e que meninos grandes não choravam.

"Mãe, você não me quer mais? Prometo que vou me comportar. Não vou implicar com ninguém de novo. Só não me entregue..."

Sua mente voltou ao momento em que aquele homem apareceu e o levou. Como sua mãe não lutou para ficar com ele, ele imaginou que talvez tivesse feito algo imperdoável e ela não o quisesse mais.

Diante das súplicas do filho, o coração de Allison se apertou. Lucas podia chorar para extravasar a frustração, mas o que ela poderia fazer para aliviar a dor que sentia?

"Não vou a lugar nenhum, meu amor. Tente ser corajoso agora, ou as outras crianças podem zombar de você."

"Está bem, mãe. Por favor, fique comigo. Não vou chorar mais", Lucas disse, piscando para conter as lágrimas e tentando controlar a respiração, com medo de que mais choro a afastasse.

Segurando o filho nos braços, Allison ergueu os olhos e viu Derek observando da porta, com os braços cruzados e os olhos indecifráveis.

Nenhum dos dois suportava ver Lucas chorar, e o som disso partia os corações deles.

De repente, a mão de Allison pousou na testa de Lucas, depois na dela, e o pânico a invadiu. "Por que ele está tão quente?"

A princípio, ela pensou que as bochechas vermelhas do menino eram por causa do choro, mas o calor irradiava da pele dele - ele estava com febre.

Ao ouvir a preocupação na voz dela, Derek se aproximou. "Rita, pegue o termômetro."

Em questão de segundos, a empregada obedeceu.

Os números piscaram no aparelho: 38, 3 graus.

Allison colocou a mão por baixo da camiseta de Lucas e percebeu que as roupas dele estavam encharcadas.

"Por que ninguém percebeu que ele estava suado? A camiseta dele está completamente molhada. Por que ninguém o trocou?" Em meio ao pânico, Allison nem sabia com quem estava gritando.

No caminho para Streley, apenas homens cuidaram de Lucas, fazendo o possível para acalmá-lo no carro. Quando finalmente chegaram, o menino se recusou a deixar os funcionários da casa ajudá-lo, e a camiseta encharcada de suor passou despercebida, deixando-o com calafrios.

Sem perder tempo, Derek exclamou: "Vamos para o hospital!" Então, ele olhou para Rita Flynn, sua empregada. "Prepare o carro."

"Traga roupas secas para ele!", Allison gritou, a voz cortante enquanto recuava um passo e mantinha Lucas protegido junto ao corpo, esquivando-se quando Derek avançou de braços abertos, deixando claro que não permitiria que ele tocasse em seu filho.

Embora Derek tivesse se irritado com o tom ríspido dela, ele acenou com a cabeça e pediu para alguém trazer roupas novas.

Allison levou Lucas para o banheiro, ligou o aquecedor e, com as mãos trêmulas, o vestiu com um pijama quente e seco.

Quando Lucas tinha apenas dezoito meses, a febre o dominou por muito tempo antes de Allison notar certa noite. Ela o pegou no colo e desceu as escadas correndo, com o pequeno corpo surpreendentemente pesado nos braços. Os minutos se passaram enquanto ela procurava em vão por um táxi. Por fim, um carro passou e, sem pensar duas vezes, ela o parou, deixando o medo de lado e pedindo ao motorista que a ajudasse. A sorte estava ao lado dela naquela noite, pois o motorista era bondoso e os levou às pressas para o pronto-socorro mais próximo.

Desde então, um alerta do médico a assombrava: se a temperatura dele não baixasse, a febre poderia levar à meningite.

Essa lembrança causava um arrepio em Allison até hoje.

Olhando para Lucas, ela viu uma criança pálida e cansada. A princípio, ela havia culpado o choro pela letargia, mas logo se deu conta de que a febre estava se manifestando sem que ela percebesse.

"Mãe, estou bem. Se eu tomar um pouco de água morna, vou me sentir melhor", Lucas murmurou, tentando manter os olhos abertos. Ele devia ter aprendido essa frase com ela, usando-a agora para tentar acalmar seus nervos.

Allison o pressionou contra o peito e saiu às pressas, murmurando entre respirações aceleradas: "Sinto muito, meu amor. Sinto muito mesmo..."

Os hospitais estavam sempre lotados de famílias, e esse dia não foi exceção.

O planejamento antecipado valeu a pena: o agendamento online permitiu que evitassem a sala de espera lotada e entrassem direto.

Completamente exausto, Lucas adormeceu. A preocupação de Allison estava estampada em seu rosto, e Derek, notando a angústia dela, falou com uma gentileza inesperada: "Me deixe carregá-lo um pouco."

Era raro ver Derek abandonar a própria arrogância, sobretudo por algo tão trivial.

Normalmente, ele teria deixado isso para os funcionários da casa, mas seu filho acabara de voltar para casa. Ele queria diminuir a distância entre eles, mesmo que isso começasse com algo tão simples como carregar o menino.

Derek passou quatro anos procurando por Lucas, e agora cada minuto importava.

O instinto de Allison era recusar, mas ela hesitou e colocou Lucas nos braços de Derek silenciosamente, achando que não adiantava se apegar mais, já que teria que se despedir cedo ou tarde.

Era a primeira vez que Derek segurava uma criança, em um abraço desajeitado e incerto. Ele se assustou com o peso do menino nos braços.

Observando a Allison preocupada, que olhava para o painel do hospital, ele não conseguia entender como ela conseguia segurar o menino por tanto tempo, sem parar ou reclamar.

Allison finalmente respirou aliviada quando o soro começou a fazer efeito e a febre de Lucas começou a baixar.

"Lucas raramente fica doente. Depois do segundo aniversário dele, ele quase não precisou de médico. Geralmente, um simples resfriado não é nada, mas não se pode ignorar uma febre. Uma vez, quase se transformou em meningite", ela explicou a Derek, de pé ao lado da cama, observando Lucas dormir.

"Ele não é exigente com comida, mas amendoim é proibido. Ele tem muita energia e sua bastante quando está brincando, então sempre verifique se as costas dele estão úmidas e troque a camiseta se estiver. Ele é obcecado por carros e está sempre pedindo um daqueles conversíveis de brinquedo."

Allison acreditava que um presente como esse poderia suavizar o caminho para que Lucas passasse a enxergar Derek como pai.

"Há um pouco de astigmatismo no olho esquerdo dele, então fique de olho no tempo que ele passa diante das telas. Ele precisará de outro exame em dois meses, não se esqueça."

Segurando a mão que não estava conectada ao soro, Allison repassou a lista de lembretes para Derek.

Após um momento de pausa, ela ergueu o olhar para encontrar o dele. "Pode prometer que será o pai que ele precisa?"

Derek a encarou de volta, silencioso e indecifrável.

Virando-se para Lucas, Allison passou os dedos pela testa dele. "Ele sempre quis um pai. Por favor, não o deixe se sentir sozinho."

Apesar da aparência forte, Lucas sempre se abatia quando alguém falava sobre o pai ausente.

"Quando você estava em Blirson, não tinha emprego. Como conseguiu se virar todo esse tempo?", Derek perguntou, mudando de assunto com um tom frio, sem saber se era por curiosidade ou por outro motivo.

Ele nunca tivera a chance de investigar a fundo o passado dela, mas sabia que criar um filho não devia ter sido barato.

"A família do meu ex-marido pagou uma indenização após o divórcio, e eu tinha algumas economias do meu antigo emprego. Mas agora elas estão quase acabando."

Agora que ela havia voltado para Streley, separada de Lucas, era hora de se reerguer e voltar ao trabalho, para recuperar sua própria vida.

Com os hospitais sempre cheios, nem Derek conseguiu um quarto particular. A conversa deles foi interrompida quando um médico chegou, acompanhando outro paciente até o quarto.

Allison olhou para o lado, notando um menino de não mais de quatro anos sendo colocado cuidadosamente na cama ao lado por um adulto.

"Liam Clark, três anos e sete meses, certo?" A enfermeira verificou os registros antes de preparar o soro.

Essas palavras chamaram a atenção de Allison, que desviou os olhos para o homem ao lado da criança.

"Sim, isso mesmo, ele tem três anos e sete meses", o homem respondeu, com uma voz ansiosa que soou familiar para Allison.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022