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Capítulo 2 Início do Caos

Capítulo 2

Heloísa Azevedo

O mundo parou quando ouvi ela me falar aquilo.

O corredor da clínica sumiu. O ar sumiu. O som sumiu.

Eu apenas ouvi aquela frase ecoando dentro de mim como um tiro repetido.

- Não... - eu murmurei, mais para mim do que para eles. - Não. Isso é loucura.

Minha mãe se aproximou mais.

- Não é loucura. Loucura é o Miguel descobrir e nos tirar tudo.

Eu senti minha garganta apertar, isso não era sobre mim, ou os riscos que eu podia correr é por eles, por ela, sempre é, sempre foi.

- Vocês estão falando de enganar o marido dela.

- Você é idêntica a ela, Heloísa. Você é a única que pode fazer isso.

Meu pai finalmente falou, a voz rouca:

- É por pouco tempo. Só até ela melhorar.

Eu ri sem humor.

- Vocês acham que dá pra enganar um homem como Miguel Augusto Bordin?

Meu pai desviou o olhar.

Ele sabia que não.

Mas precisava acreditar.

Minha mãe segurou meu rosto com as duas mãos.

- Ele não pode desconfiar. Não pode. Se ele desconfiar... ele vai arrancar o bebê da nossa família. E ele vai cortar tudo. Você sabe que nós...

Ela parou, como se fosse humilhação demais admitir.

Mas eu completei por ela.

- Vocês estão falidos.

O rosto dela endureceu.

Meu pai fechou os olhos.

A verdade tinha saído.

E ela tinha gosto de veneno.

- Nós não temos escolha - minha mãe disse, com firmeza falsa. - A Helena precisa de tratamento. E o bebê... o bebê precisa de uma mãe.

Eu me afastei, era um golpe baixo, muito baixo, usar meu sobrinho assim, fechei as mãos, respirando rápido.

- Então cuidem dele vocês.

Meu pai respondeu, desesperado:

- Nós não podemos criar um filho naquela mansão! E você sabe que Miguel não aceitaria. Ele não aceitaria o bebê longe dele.

Minha mãe sussurrou:

- Ele vai voltar em dois dias, pelo que a empregada disse.

Dois dias.

Eu senti meu coração afundar.

Dois dias para substituir uma mulher. Dois dias para vestir uma vida que não era minha. Dois dias para encarar um homem que eu nunca consegui esquecer.

Miguel Augusto Bordin ainda visitava meus sonhos as vezes.

Eu senti a imagem dele se formar na minha mente com clareza demais. O olhar firme, a voz baixa, a presença que parecia dominar qualquer ambiente.

E eu senti, como uma ferida antiga se abrindo, aquele amor enterrado, escondido a sete chaves.

Aquele amor que Helena roubou de mim.

Eu olhei para meus pais.

Eles me encaravam como se eu fosse a última chance.

E talvez eu fosse.

- Eu preciso ver o bebê - eu disse, com a voz seca.

Minha mãe assentiu rápido, como se aquela frase fosse esperança.

Ela abriu a porta ao lado e eu entrei.

O ambiente era pequeno, confortável, com uma poltrona e uma luz baixa. Uma enfermeira estava ali, segurando um bebê embrulhado em uma manta clara.

Quando ela me viu, sorriu de forma educada.

- Ele acabou de mamar.

Eu caminhei devagar até ele.

E quando meus olhos encontraram o rosto pequeno, vermelho de sono, com os lábios entreabertos e as mãos fechadinhas...

Algo em mim desmoronou.

Ele era tão pequeno.

Tão frágil.

Ele respirava com aquele barulho leve de recém-nascido, como se o mundo inteiro ainda fosse grande demais para ele.

A enfermeira perguntou:

- A senhora quer pegar?

Eu hesitei.

Eu nunca tinha segurado um bebê tão pequeno daquele jeito.

Mas quando ela colocou aquele corpinho nos meus braços, eu senti algo inexplicável.

Um peso que não era só físico.

Era como se eu estivesse segurando um destino.

O bebê se mexeu, abriu os olhos por um segundo... e então se aconchegou no meu peito, como se reconhecesse calor.

E naquele instante eu senti a garganta apertar.

Porque ele não sabia de nada.

Não sabia de mentira. Não sabia de troca. Não sabia de medo.

Ele só precisava de alguém.

E eu senti meu coração se partir.

Minha mãe entrou na sala e ficou me observando.

- Ele é lindo... - ela sussurrou.

Eu não respondi.

Eu apenas fiquei olhando para aquele rosto tão inocente.

E então eu senti algo ainda mais cruel:

Ele parecia... com Miguel.

O formato do nariz, a testa, a expressão séria mesmo dormindo, mesmo sendo um bebê..

Era impossível não ver.

Era impossível não lembrar.

Eu fechei os olhos por um segundo.

E quando abri, eu já sabia.

Minha mãe percebeu.

Ela se aproximou devagar.

- Você vai, não vai?

Eu olhei para ela.

E vi, por trás do desespero, algo que sempre esteve ali: egoísmo.

Eles não estavam pensando só no bebê. Eles estavam pensando na vida deles. No dinheiro. Na aparência. No sobrenome.

Mas eu não podia negar...

O bebê precisava de alguém.

E Helena... Helena tinha se perdido dentro de si.

Eu respirei fundo, sentindo o peso daquela decisão cair sobre meus ombros como uma sentença.

- Eu vou - eu disse.

Minha mãe soltou um choro de alívio.

Meu pai entrou na sala e passou a mão no rosto, como se quisesse apagar a culpa.

- Obrigado, filha... obrigado.

Eu olhei para ele.

- Não agradeça. Isso não é um favor. Isso é mais uma prisão que vocês estão me colocando, a diferença que dessa vez eu aceitei.

Meu pai abaixou a cabeça.

Eu levantei com cuidado, segurando o bebê junto ao meu peito.

E pela primeira vez na vida eu senti que não estava mais fugindo.

Eu estava entrando no inferno, mas era por vontade própria eu escolhi.

Na ficha da clínica usaram o meu nome, quem estava internada, era Heloísa Azevedo, e não Helena Azevedo Bordin...

A viagem até Flores da Cunha foi silenciosa. Minha mãe falava pouco. Meu pai dirigia com os olhos fixos na estrada como se tivesse medo de olhar para trás.

Eu estava no banco de trás com Augusto no colo, sentindo o cheiro dele, sentindo o calor dele.

Ele dormia tranquilo.

Como se nada estivesse acontecendo.

E talvez fosse isso que me destruía.

Quando chegamos à mansão Bordin, a noite já tinha caído. As luzes externas iluminavam o caminho de pedras que levava até a entrada principal.

A casa era gigantesca.

Mais do que eu imaginava.

Era uma construção antiga, imponente, com janelas altas e portas pesadas. Tudo parecia caro, mas frio. Como se aquela casa tivesse sido construída não para abrigar amor... mas para guardar poder.

Meu estômago embrulhou.

Meu pai estacionou e ficou parado por alguns segundos, como se não tivesse coragem de sair do carro.

Minha mãe abriu a porta primeiro.

- Lembre-se... você é a Helena agora.

Eu a encarei.

- Eu sei.

Mas no fundo eu não sabia.

Porque ser Helena significava vestir uma pele que nunca me pertenceu.

E enfrentar o homem que eu nunca consegui esquecer, e o pior, mentir para ele.

Minha mãe me passou alguns detalhes da vida dela, nomes de empregados, coisas que eu precisava saber, o básico, mas mesmo assim meu coração vacilava no peito.

Eu desci do carro com Augusto nos braços.

A porta principal se abriu antes mesmo que tocássemos a campainha.

Uma mulher de uniforme impecável apareceu. Seu cabelo estava preso num coque perfeito. O rosto sério.

Ela me olhou de cima a baixo.

E então abriu um sorriso aliviado.

- Senhora Helena... graças a Deus. Nós estávamos tão preocupados.

Meu coração disparou.

Ela se aproximou, olhando para o bebê.

- O pequeno Augusto está bem?

Eu forcei um sorriso que não era meu.

- Está.

Minha voz saiu mais baixa, mas ela não estranhou. Talvez Helena estivesse assim nos últimos dias. Talvez silêncio não fosse novidade.

A empregada então deu um passo para o lado, abrindo espaço.

- Por favor... entre senhora.

Eu entrei no hall da mansão.

Olhei ao meu redor.

E quando a porta se fechou atrás de mim, o som ecoou pelo corredor longo, como um aviso.

Como se aquela casa estivesse dizendo:

Agora você não sai mais daqui...

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