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Capítulo 5 O que está acontecendo

Capítulo 5

Miguel Augusto Bordin

Há alguns anos, meus pais exigiram que eu juntasse os nomes Bordin e Azevedo.

Não foi um pedido. Foi uma ordem disfarçada de tradição.

Para assumir tudo, para carregar o império da família, eu precisava fazer exatamente o que esperavam de mim: casar com a filha deles, unir as vinícolas, manter o sobrenome limpo e garantir um herdeiro. Eu aceitei porque, naquela época, eu ainda acreditava que obedecer era o mesmo que honrar.

Eu já entendia como o mundo funcionava.

E o mundo não funciona com amor.

Funciona com poder.

Lembro que, quando ouvi falar da família Azevedo, eu tinha certeza de que eles tinham duas filhas. Era um comentário da cidade, uma linda, cheia de luz, e a outra era apenas uma garota comum, excluída e que não gostava de aparecer, isso era repetido em conversas de adultos, como se fosse algo irrelevante.

Mas quando fomos até lá para o noivado... só uma me foi apresentada. Então deixei as conversas e teorias de lado, afinal só vi uma garota ali.

Helena.

Bonita. Elegante. Bem vestida. Sorriso treinado. Olhos atentos. Educação impecável. A filha perfeita para ser exibida ao lado de um homem que seria CEO quase antes dos trinta.

Ela era exatamente o que eu precisava.

E eu, exatamente o que a família dela precisava.

Fechamos o acordo como se fosse um contrato de empresa.

Casamos rapidamente.

E a vida seguiu.

Meu pai exigiu que eu ficasse casado por pelo menos seis anos. Disse que seria humilhante um Bordin se divorciar cedo demais, que isso mancharia o nome da família, que seria assunto nos jornais da serra, nas rodas de empresários, nos bastidores de eventos.

Além disso... tinha mais, ele exigiu um filho.

Um herdeiro.

Só então eu teria liberdade para fazer o que quisesse.

Já fazem cinco anos.

E o herdeiro chegou.

Augusto Azevedo Bordin.

Três meses de vida... e eu já sinto o peso dele como se fosse um homem adulto. Não pelo bebê em si, mas pelo que ele representa. Continuidade. Futuro. Segurança.

E, principalmente, risco.

Porque Helena... Helena nunca foi estável. Ela sempre teve aquele brilho bonito por fora, mas por dentro carregava tempestades que ninguém via. Ou talvez ninguém quisesse ver. Era mais fácil assim.

Quando Augusto nasceu, tudo piorou.

Ela se transformou.

Ficou amarga. Distante. Irritada. Como se a criança fosse uma ameaça ao corpo dela, à liberdade dela, à vida luxuosa que ela tanto amava. E desde então, minha casa virou um campo minado, ela disputava com o menino.

Eu não sabia qual versão dela ia encontrar ao abrir uma porta.

A esposa educada.

Ou a mulher descontrolada que gritava, quebrava coisas e jurava que eu queria destruir a vida dela.

Por isso, quando o avião pousou e eu finalmente voltei da última viagem, eu já estava preparado.

Preparado para mais uma noite no inferno.

Mas não foi isso que encontrei.

Quando entrei na mansão, senti de cara o clima estranho. A casa estava silenciosa demais. As funcionárias andavam rápido, como se estivessem tentando esconder alguma coisa. Os passos delas não faziam barulho, mas o nervosismo fazia.

Perguntei por Helena.

E a resposta me deixou imóvel por um instante.

- A senhora saiu com os pais, doutor Miguel... ela estava muito alterada.

Alterada.

A palavra soou como um alarme dentro da minha cabeça.

E o pior veio logo depois.

- Ela levou o bebê.

Meu corpo inteiro endureceu.

O sangue pareceu subir de uma vez, quente, pesado, correndo como raiva. Eu tentei manter a postura, mas foi impossível esconder o que senti.

Helena podia fazer o que quisesse com a própria vida.

Mas com meu filho?

Não.

Eu não arriscaria.

A ideia de Augusto nas mãos dela em um surto... a ideia dele chorando e ela perdendo o controle... isso me deixou sufocado.

O tempo passou devagar, cruel. As horas se arrastaram enquanto eu fingia analisar documentos no escritório, mas meus olhos não liam nada. Minha mente estava longe, imaginando tragédias.

Até que, depois de muito tempo, ouvi o barulho da porta principal.

E passos.

Passos firmes.

Quando a porta do escritório se abriu, eu já estava de pé, como se meu corpo tivesse se preparado sozinho para um ataque.

Helena entrou.

Ela caminhou até mim como se nada tivesse acontecido. Como se sumir por horas com meu filho fosse algo comum. Como se o mundo inteiro tivesse que se adaptar aos caprichos dela.

Mas havia algo errado.

Não no sentido ruim.

Errado no sentido... estranho.

O jeito dela se portar estava diferente. O olhar não tinha a mesma arrogância. Não tinha aquela expressão de superioridade que sempre me irritou. O rosto estava mais sério, mais contido. O corpo mais tenso, como se ela estivesse desconfortável ali.

Ela parecia... mais parecida com a Helena que eu conheci no início, e que entendi a muito tempo, que era apenas para tentar me conquistar.

Era uma versão bem ensaiada.

Mas ainda assim... Me parecia ser outra coisa...

Outra presença.

Eu senti, sempre sinto.

Por isso sou o homem que sou.

Não é apenas inteligência. É instinto. É atenção aos detalhes.

Eu perguntei onde ela esteve. Ela respondeu pouco. Frases curtas. Sem drama, sem ataque, sem gritos. Apenas... fria.

Fiz perguntas mais duras.

E ela não explodiu.

Ela apenas me encarou.

Como se estivesse me estudando.

Como se estivesse aprendendo a lidar comigo.

E aquilo me deixou totalmente desconfortável.

Porque Helena nunca aprendeu nada. Helena sempre achou que o mundo tinha que se curvar a ela.

Talvez os pais tenham feito ela cair na real.

Talvez finalmente tenham mostrado a ela o tamanho do abismo em que estão afundando.

Ou talvez...

Tudo aquilo fosse só mais uma peça de teatro.

Uma encenação para me manipular.

Depois de uma discussão curta, eu disse que ela deveria subir com Augusto.

E mandei Marta acompanhá-la.

Eu não confio.

Não depois de tudo.

Helena pode parecer bem hoje e virar um monstro amanhã.

Eu não arriscaria meu filho por nada, posso não amar ela, mas meu filho é tudo para mim.

Fiquei no escritório mais um tempo, tentando terminar o que eu não conseguia sequer enxergar. A cabeça doía. O corpo pedia descanso. A viagem tinha sido longa e eu estava no limite.

Mas o incômodo daquela mudança... aquele pressentimento... não saía de mim.

Subi.

E quando cheguei perto do quarto do Augusto, ouvi algo que eu nunca ouvi naquela casa desde que ele nasceu.

Uma voz, baixa.

Cantando.

Eu parei no corredor.

O som era suave. Quase triste. Uma melodia simples, como uma canção antiga. Não era uma música de ninar comprada, dessas que se ligam no celular. Era uma canção de verdade.

E eu senti meu estômago apertar.

Empurrei a porta devagar.

Helena estava de costas para a porta, balançando o bebê nos braços com cuidado. Augusto estava quieto, olhando para ela como se o mundo fosse apenas aquilo: o rosto dela e o som da sua voz.

A cena me deixou confuso.

Porque Helena nunca foi assim.

Nunca.

Ela evitava pegar o bebê. Evitava trocar. Evitava olhar por muito tempo. Dizia que isso era coisa de babá, que ela não nasceu para ser mãe em tempo integral.

Mas ali... ela parecia outra mulher.

Por um instante, eu me vi parado, observando como um estranho. Como se eu tivesse entrado na casa errada.

Foi então que falei, sem conseguir segurar.

- O que está acontecendo com você?

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