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As Cicatrizes Que Ela Escondeu do Mundo
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Capítulo 2 2

O céu se partiu.

Não houve aviso, nem garoa suave. Um raio rasgou as nuvens, iluminando a estrada deserta em um flash de luz branca e dura. O trovão seguiu um segundo depois, sacudindo o chão sob as solas finas de Alvorada.

Então a água veio.

Caiu em lençóis, pesada e fria. Em segundos, o moletom cinza de Alvorada estava encharcado, colado à sua estrutura esquelética como uma segunda pele. O frio não estava apenas na superfície; infiltrava-se em seus ossos, acordando cada velha lesão que ela colecionara nos últimos três anos.

Suas costelas machucadas latejavam. Seu ombro esquerdo doía.

Ela começou a andar. Manteve a cabeça baixa, apertando o saco plástico contra o estômago para manter o caderno seco. Aquele caderno era a única prova que ela tinha de que não estava louca.

Um caminhão passou rugindo, espirrando uma onda de lama marrom sobre as pernas dela. Alvorada se encolheu, pisando de lado no acostamento macio da estrada.

A lama estava mais escorregadia que gelo.

Seu pé esquerdo deslizou. Foi direto para uma vala de drenagem escondida pelo mato alto.

Crack.

O som foi nauseante, alto até mesmo sobre a chuva.

Alvorada desabou na lama. Ela não gritou. Gritar no campo atraía os guardas, e os guardas traziam dor. Em vez disso, ela mordeu o lábio até sentir o gosto de cobre. Sua respiração falhou em suspiros curtos e irregulares.

Ela olhou para baixo. Seu tornozelo já estava inchando, empurrando contra o tecido de seu tênis barato.

"Levante-se," ela ordenou a si mesma. Sua voz se perdeu no vento. "Levante-se, 402."

Ela tentou colocar peso nele. Manchas brancas dançaram em sua visão. Ela caiu de volta, a lama fria infiltrando-se em suas calças.

Feixes duplos de luz cortaram a escuridão atrás dela. Faróis de xenônio. Brilhantes. Caros.

Os feixes poderosos varreram a estrada, capturando o rosto dela por um momento único e brutal quando ela olhou para cima. Que seja um estranho, ela rezou. Que não seja o Corisco voltando para rir.

O carro diminuiu a velocidade. O ronco do motor era baixo, poderoso. Não era o SUV.

Ela apertou os olhos através da chuva. Era um Rolls-Royce Phantom prata. Ela conhecia aquele carro. Ela conhecia a placa: AM-I.

Seu coração martelou contra as costelas machucadas.

Afonso Carvalho.

A janela traseira desceu até a metade. Um rosto apareceu. Era nítido, angular, esculpido em mármore e tão frio quanto. Afonso olhou para a pilha trêmula de trapos na beira da estrada.

Alvorada limpou a lama da bochecha, tentando se esconder. Ela se sentia pequena. Sentia-se imunda.

"Entre," disse Afonso. Sua voz carregava sem esforço sobre a tempestade. Não era uma oferta; era uma ordem.

Alvorada balançou a cabeça. Ela não aceitaria a caridade dele. Não depois que ele ficou parado e assistiu eles a levarem embora três anos atrás.

Afonso franziu a testa. Ele parecia aborrecido, como se ela fosse um erro de agendamento no dia dele. "Não me faça mandar a segurança aí fora para te arrastar. Você sabe que eu vou."

Ele faria. Afonso nunca fazia ameaças vazias. Ele era um homem de negócios implacável; lidava com absolutos.

Alvorada pesou suas opções. Hipotermia ou humilhação.

Ela escolheu a sobrevivência.

Ela se impulsionou para cima, equilibrando-se na perna boa. Pulou em direção ao carro, rangendo os dentes contra a náusea que subia em sua garganta.

O motorista já estava fora, segurando um grande guarda-chuva preto. Ele estendeu a mão para o braço dela.

Alvorada recuou. Ela puxou o corpo para longe da mão dele, quase caindo no processo. "Não me toque," ela sibilou.

O motorista congelou.

Ela mesma agarrou a maçaneta e se puxou para o banco traseiro.

O calor a atingiu como um golpe físico. Era sufocante. Ela sentou na ponta do banco de couro cor creme, tentando evitar que suas roupas enlameadas tocassem em qualquer coisa. Água pingava de seu cabelo no tapete felpudo.

Ela se pressionou contra a porta, o mais longe possível de Afonso.

Afonso não se moveu. Ele estava sentado perfeitamente imóvel, as pernas cruzadas, um tablet no colo. Ele olhou para o tornozelo dela. Estava latejando, o inchaço visível até através do tênis.

Seus olhos cinzentos subiram para o rosto dela. Ele olhou para as covas de suas bochechas, as olheiras escuras sob seus olhos.

"Corisco?" ele perguntou. Uma palavra. Nenhuma emoção.

Alvorada olhou pela janela para a chuva borrada. Ela não respondeu. Apenas segurou seu saco plástico com mais força.

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