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As Cicatrizes Que Ela Escondeu do Mundo
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Capítulo 5 5

A empregada, Maresia, não a guiou pela grande escadaria. Em vez disso, virou à esquerda, descendo o corredor em direção à cozinha e às saídas de serviço.

Alvorada parou.

"Meu quarto é no segundo andar," ela disse. "O quarto azul."

Maresia parou, os ombros curvados. Ela não se virou. "A... a Senhora disse que o segundo andar está sendo reformado. Vapores. Tinta."

Alvorada olhou para o patamar do segundo andar. Estava silencioso. Não havia lonas. Nenhum cheiro de tinta. Apenas o silêncio pesado da exclusão.

"Entendo," disse Alvorada. "Não sou permitida na casa principal."

Maresia não respondeu. Abriu a porta dos fundos, levando Alvorada para a chuva novamente. Caminharam por um caminho de pedra até o "Chalé de Lótus".

Era um barracão glorificado. Costumava ser o quarto do jardineiro antes de terceirizarem o paisagismo. Era úmido, isolado e longe da família.

Maresia abriu a porta. O ar lá dentro cheirava a mofo e poeira velha.

"Aqui está, Senhorita," Maresia sussurrou, e então fugiu como se Alvorada fosse contagiosa.

Alvorada entrou.

Havia outra pessoa no quarto.

Uma jovem estava sentada na beira da cama pequena e irregular. Usava óculos grossos e um terno cinza severo. Levantou-se imediatamente.

"Senhorita Alvorada," disse a mulher. "Sou Arca. O Corisco me designou como sua... assistente."

Alvorada olhou para ela. Assistente. Não. Carcereira.

"Você quer dizer minha babá," corrigiu Alvorada.

Arca ajeitou os óculos nervosamente. "Estou aqui para ajudá-la a se ajustar. E para manter sua agenda."

Alvorada passou por ela. Colocou seu saco plástico na mesa de cabeceira.

Arca estendeu a mão. "Posso desfazer isso para você."

Alvorada girou. Seu movimento foi tão rápido, tão agressivo, que Arca tropeçou para trás. Os olhos de Alvorada queimavam.

"Não toque nas minhas coisas," disse Alvorada. Sua voz era baixa, perigosa. "Se você tocar neste saco, eu quebro seus dedos."

Arca engoliu em seco. Ela assentiu.

Alvorada agarrou a pequena trouxa de roupas que tinha e marchou para o banheiro. Trancou a porta.

Ligou a torneira da pia, no máximo. Depois o chuveiro. O barulho encheu o pequeno cômodo de azulejos.

Alvorada alcançou seu caderno. Com dedos praticados, trabalhou com uma ferramenta pequena e afiada ao longo da grossa lombada de couro, abrindo-a. Escondidos dentro estavam vários componentes eletrônicos minúsculos e incompatíveis envoltos em plástico - resistores recuperados, um capacitor, uma pequena bobina de indução. Levou menos de um minuto para montar o detector de sinal bruto, do tamanho de um bolso.

Ela escaneou o banheiro. O espelho. A ventilação. A luminária.

Nenhuma escuta. Corisco era arrogante; não achava que ela fosse inteligente o suficiente para verificar.

Alvorada despiu as roupas molhadas. Elas caíram em uma pilha pesada no chão.

Ela se olhou no espelho.

Era um esqueleto coberto de pele pálida. Suas clavículas se projetavam como facas. Mas eram as cicatrizes que prendiam sua atenção.

Suas costas eram um mapa de dor. Havia marcas de queimadura nas omoplatas. Linhas brancas longas e finas nas coxas de onde ela fora arrastada pelo mato durante o "treinamento de resistência".

E as marcas de agulha na parte interna do braço. Os sedativos que forçaram nela quando se recusou a admitir um vício que não tinha.

Alvorada encarou seu reflexo. Ela não chorou. Não sentiu pena da garota no espelho. Sentiu uma raiva fria e dura solidificando em suas entranhas.

"Senhorita?" A voz de Arca veio através da porta. "Precisa de ajuda para lavar as costas?"

Alvorada zombou. Ela quer verificar se há marcas recentes. Quer ver o estrago.

"Saia da porta," Alvorada gritou sobre a água corrente. "Eu disse saia!"

Ela ouviu os passos de Arca recuarem.

Alvorada entrou no chuveiro. A água estava morna, mas parecia o paraíso comparada às mangueiras geladas do campo. Ela esfregou a pele até ficar em carne viva. Lavou a lama, o cheiro da limusine, o cheiro do campo.

Ela não conseguia lavar as memórias.

Secou-se e vestiu um roupão que encontrou pendurado no gancho. Era de algodão áspero. Amarrou o cinto com força, cobrindo cada centímetro de pele.

Quando saiu, Arca estava digitando no celular.

Alvorada caminhou até a cama e sentou-se. Ela observou Arca.

Inimigo Número Um, pensou. Ou... ativo potencial.

Ela descobriria amanhã. Esta noite, só precisava sobreviver ao silêncio.

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