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As Cicatrizes Que Ela Escondeu do Mundo
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Capítulo 7 7

O jantar era obrigatório. Arca tinha deixado isso claro.

Alvorada entrou na sala de jantar formal. A mesa estava posta para seis, carregada de prata e cristal. Rosbife, purê de batatas com trufas, cenouras glaceadas. O cheiro era avassalador.

Ela sentou na ponta da mesa, oposta ao pai, Torrente. Ele ainda não tinha dito uma palavra a ela. Apenas mastigava a carne, olhando para o iPad.

"Então," disse Pluma alegremente, quebrando o silêncio. "O que você aprendeu naquele lugar, Alvorada? Aprendeu a fazer cestas?"

Corisco bufou dentro da taça de vinho. "Provavelmente aprendeu a fugir do trabalho."

"Desde que tenha largado os maus hábitos," disse Lume, sorrindo tensamente.

Alvorada segurou a faca e o garfo. Suas mãos tremiam. Clink. Clink. Os talheres bateram no prato de porcelana.

Ela os soltou.

"Aprendi muito," disse Alvorada. A voz dela era quieta, mas ecoou.

Ela se levantou.

"O que você está fazendo?" perguntou Corisco, irritado. "Sente-se."

Alvorada começou a desabotoar o punho esquerdo. Seus dedos eram lentos, deliberados.

"Você perguntou o que eu aprendi," ela disse.

Agarrou a manga do suéter preto e a puxou para cima. Com força. Passou do cotovelo. Passou do bíceps.

A sala ficou em silêncio absoluto.

A pele do braço dela era uma ruína.

Havia marcas de queimadura circulares - queimaduras de cigarro - espalhadas como constelações. Algumas eram cicatrizes antigas, branco-prateadas. Outras eram de um roxo profundo e machucado, a pele enrugada de tecido queloide que falava de traumas mais recentes, mas totalmente curados.

E as marcas. Não de injetar heroína, mas de sedação forçada. Perfurações arroxeadas onde agulhas haviam sido enfiadas sem cuidado.

Lume deixou cair a taça de vinho. O vinho tinto espirrou na toalha de mesa branca como um ferimento de bala.

"Meu Deus," ela sussurrou.

Alvorada caminhou ao redor da mesa. Parou bem ao lado de Corisco. Enfiou o braço na cara dele.

"Olhe para isso," ela ordenou. "Isso é o que eu aprendi. Aprendi a sentir o cheiro de carne queimada. A minha própria."

Corisco recuou, empurrando a cadeira para trás. O rosto dele perdeu a cor. "Você... você fez isso a si mesma."

"Fiz?" Alvorada apontou para uma cicatriz que envolvia seu pulso. "Isso é das algemas quando me recusei a assinar a confissão. E isso?" Ela apontou para uma queimadura. "Isso é porque fui lenta demais durante o exercício."

Ela olhou para Pluma. As mãos de Pluma estavam sobre a boca, lágrimas escorrendo pelo rosto.

"É horrível," Pluma soluçou. "Irmã, por que você se machucaria assim?"

Alvorada a encarou. "Pare de atuar, Pluma. A plateia já está cativada."

"Nós não sabíamos," disse Torrente, a voz rouca. Ele finalmente levantou os olhos do iPad. "A brochura... dizia que era um retiro terapêutico."

"Vocês não quiseram saber," corrigiu Alvorada. "Vocês me mandaram para o inferno porque era conveniente."

Ela lentamente rolou a manga de volta para baixo, cobrindo o horror.

"Não estou com fome," ela disse.

Virou-se e saiu da sala. O silêncio que deixou para trás era pesado, sufocante e cheio do fedor da própria culpa deles.

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