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Casamento Relâmpago com o Pai da Minha Melhor Amiga
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Casamento Relâmpago com o Pai da Minha Melhor Amiga

Autor: Waneta Csuja
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Capítulo 1 1

A taça de cristal na mão de Elisabete Salomão estava prestes a estilhaçar.

Ela podia sentir as microfissuras no vidro pressionando contra a palma da mão, um espelho perfeito de como seu peito se sentia: apertado, frágil e a uma respiração de explodir.

- Ele parece feliz, não parece?

A voz veio da esquerda. Uma socialite em seda esmeralda, alguém que Elisabete conhecia antes do Império Salomão desmoronar, antes de ela se tornar a protegida digna de pena da Família Guimarães.

Elisabete não respondeu. Ela não conseguia.

Sua garganta havia se fechado em algum momento entre a entrada e o instante em que Afonso Guimarães entrou no salão de baile com Cláudia Regina em seu braço.

Afonso parecia mais do que feliz. Ele parecia vitorioso.

Ele estava no centro do salão, sob o lustre maciço que custava mais do que toda a mensalidade da faculdade de Elisabete. Sua mão repousava na curva das costas de Cláudia, os dedos abertos de forma possessiva contra o tecido branco do vestido dela.

Ele se inclinou, sussurrando algo no ouvido dela que fez Cláudia jogar a cabeça para trás e rir.

O som foi esmagador. Atravessou a música orquestral pesada e se alojou diretamente atrás das costelas de Elisabete, sufocando-a.

Era a mesma risada que Cláudia usava quando zombava dos sapatos de segunda mão de Elisabete.

- Com licença - murmurou um garçom, esbarrando no ombro de Elisabete com uma bandeja pesada.

O champanhe transbordou da borda da taça, encharcando o corpete do vestido cinza dela. Estava gelado e pegajoso.

O garçom não pediu desculpas. Ele olhou para ela, reconheceu-a como a "favorecida", e curvou o lábio em desdém antes de seguir em frente para servir os convidados que realmente importavam.

O estômago de Elisabete se contraiu. A humilhação era um peso físico, pressionando seus ombros até que seus joelhos parecessem feitos de água.

Ela precisava de ar. Precisava não estar ali, assistindo ao garoto que prometeu protegê-la anunciar seu noivado com a garota que a atormentava.

Ela se virou e caminhou em direção à biblioteca, mantendo a cabeça baixa.

A biblioteca estava escura, cheirando a papel velho e lustra-móveis de limão. Era o único cômodo na propriedade dos Guimarães onde Elisabete já havia se sentido segura. Ela fechou a pesada porta de carvalho atrás de si e encostou a testa na madeira, buscando ar desesperadamente.

Seus pulmões queimavam.

A maçaneta girou sob seu aperto.

Elisabete recuou num salto, limpando freneticamente os olhos. Ela esperava Afonso. Esperava que ele entrasse ali para dizer a ela para parar de fazer cena, para sorrir para as câmeras, para ser grata pelo teto sobre sua cabeça.

Mas a figura que preencheu a porta não era Afonso.

Era uma muralha de homem em um smoking preto que parecia absorver a pouca luz do ambiente. Ele era mais alto que Afonso, mais largo, com uma quietude que fez a temperatura na biblioteca cair dez graus.

Dalton.

A respiração de Elisabete falhou. Por que ele estava aqui? O CEO do Grupo Dalton, o homem mais poderoso da cidade, não se escondia em bibliotecas. Ele nem sequer olhava para pessoas como Elisabete.

Ele ficou ali, a mão ainda na maçaneta de latão, os olhos escuros escaneando o rosto dela.

Ele absorveu a mancha de champanhe no vestido, as manchas vermelhas nas bochechas dela, a maneira como as mãos dela tremiam tanto que a taça de cristal tilintava.

Por um segundo, a máscara estoica que ele usava - aquela que o fazia parecer uma estátua esculpida em granito - rachou. Um músculo em seu maxilar tencionou.

Ele entrou e fechou a porta, selando o ruído da festa do lado de fora.

Ele enfiou a mão no bolso do paletó e tirou um lenço. Era de seda branca, dobrado em um quadrado perfeito. Ele o estendeu para ela sem dizer uma palavra.

Elisabete olhou para o objeto.

- Eu... eu estou bem.

- Você não está bem - disse Dalton. Sua voz era um estrondo baixo, vibrando na sala silenciosa. - Pegue.

Elisabete estendeu a mão. Seus dedos roçaram a palma dele quando ela pegou a seda. Um choque de eletricidade estática estalou entre eles, intenso e surpreendente. Ela recuou, mas ele não se moveu.

O lenço cheirava a sândalo e a algo limpo, como chuva no asfalto. Cheirava a dinheiro. Cheirava a estabilidade.

Do corredor, a voz de Afonso flutuou através da madeira grossa da porta. Ele estava fazendo um brinde.

- ... para minha linda noiva, Cláudia...

As palavras foram como um golpe físico na parte de trás dos joelhos de Elisabete. Suas pernas cederam.

Ela não atingiu o chão.

Dalton se moveu com uma velocidade que não deveria ser possível para um homem do tamanho dele. Num momento ele estava a um metro de distância, e no seguinte, o braço dele estava ao redor da cintura dela, amparando-a.

O aperto dele era firme. Sólido. Ele a segurou sem esforço, o braço como uma barra de aço contra a coluna dela.

Elisabete olhou para cima. Sua visão estava turva pelas lágrimas, borrando as feições dele, mas ela podia ver a intensidade nos olhos dele. Ele não a olhava com pena. Ele a olhava com um tipo de foco aterrorizante.

- Me leve embora - ela sussurrou.

As palavras caíram de sua boca antes que ela pudesse impedi-las. Foi um apelo desesperado, nascido de um coração partido e do instinto súbito e avassalador de que esse homem era a única coisa na sala que não estava tentando esmagá-la.

Dalton ficou imóvel. Seus olhos escureceram, mudando de castanho para algo quase preto. Ele olhou para ela, avaliando o peso do pedido, calculando o custo.

- Não há volta se partirmos, Elisabete - ele avisou. A voz era baixa, áspera nas bordas. - Se você sair por aquela porta comigo, você não volta para esta casa.

Elisabete assentiu freneticamente. As lágrimas transbordavam agora, trilhas quentes em sua pele fria.

- Por favor. Só me tire daqui.

Dalton não hesitou. Ele mudou o aperto, guiando-a em direção à saída de serviço escondida atrás de uma tapeçaria. Ele moveu o corpo para protegê-la das câmeras de segurança, bloqueando-a da vista com seus ombros largos.

O ar da noite lá fora era cortante. Um Maybach preto fosco e elegante estava parado no meio-fio, parecendo um predador esperando nas sombras.

Dalton abriu a porta pesada e a ajudou a entrar. O interior cheirava a couro e isolamento. Ele bateu a porta, e o silêncio foi absoluto. A música, as risadas, a voz de Afonso - tudo se foi.

Elisabete desabou no banco. Havia uma garrafa de cristal no console central. Ela não pensou. Apenas serviu o líquido âmbar em um copo e bebeu de um gole só.

Queimou. Queimou todo o caminho até seu estômago vazio, incendiando seu sangue.

Dalton entrou no banco do motorista. Ele não olhou para ela. Ele segurou o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

- Para onde estamos indo? - ela perguntou, a voz levemente arrastada enquanto o álcool atingia seu sistema com a força de um caminhão.

- Para o meu lugar - disse Dalton.

O carro se moveu. As luzes da cidade se transformaram em borrões de néon. Elisabete sentiu-se tonta, à deriva. O álcool estava se misturando com a adrenalina e o luto, criando um coquetel tóxico em seu cérebro.

Ela olhou para o perfil de Dalton. Ele era o pai de Azaleia. Ele era dinheiro antigo. Ele era poder.

- Eu preciso de um escudo - ela murmurou, as palavras tropeçando. - Eu preciso de um muro que ele não possa escalar.

Dalton olhou para ela pelo espelho retrovisor. Sua expressão era ilegível.

Eles chegaram a um edifício que perfurava o horizonte. A viagem de elevador foi um borrão de enjoo. Quando as portas se abriram na cobertura, Elisabete tropeçou.

Dalton estava lá novamente, firmando-a. As mãos dele em seus braços pareciam quentes através do tecido fino do vestido.

Ela olhou para ele. Na iluminação dura do saguão, ele não parecia um salvador. Ele parecia perigoso.

- Case comigo - ela soltou.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Era o álcool falando. Era o instinto de sobrevivência de um animal ferido tentando encontrar o maior predador da floresta para se esconder atrás.

Dalton congelou. O ar na cobertura tornou-se elétrico, carregado com uma tensão que fez os pelos dos braços de Elisabete se arrepiarem.

Ele não riu. Ele não disse que ela estava bêbada.

Ele caminhou até um cofre de parede escondido atrás de uma pintura. Digitou um código, os bipes altos na sala silenciosa. Tirou um documento e uma caneta-tinteiro pesada.

Ele voltou até ela e colocou o papel na mesa de console de mármore.

- Assine - ele comandou. Sua voz era suave, mas carregava o peso de um martelo de juiz batendo na mesa.

Elisabete piscou, tentando focar no papel. As palavras nadavam. Ela viu "Casamento" e "Acordo".

Ela não se importava com os detalhes. Ela só queria que Afonso soubesse que ela tinha ido embora. Ela queria queimar a ponte tão completamente que nunca mais pudesse atravessá-la.

Ela pegou a caneta. Sua assinatura saiu bagunçada, um rabisco irregular na linha inferior.

- Feito - ela sussurrou.

A caneta escorregou de seus dedos e tilintou no mármore. A sala inclinou para o lado.

A última coisa que ela sentiu foi Dalton pegando-a novamente, levantando-a em seus braços enquanto a escuridão a engolia por inteiro.

            
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