Catalina, previsivelmente, vestiu vermelho. Um carmesim violento, arterial, que exigia a atenção da sala. Ela se enroscava no braço de Dante como uma segunda pele, reivindicando-o a cada toque.
Eu estava perto da torre de champanhe, segurando uma taça que não tinha intenção de beber, observando-os. Eles pareciam um casal de poder perfeito e irregular. Ele era o rei sombrio e perigoso, e ela era sua rainha vibrante e caótica. Eu era meramente a sombra projetada no canto.
Catalina estava atualmente entretendo um grupo de esposas mais velhas. Aproximei-me, mantendo minhas costas para elas, deixando suas vozes me envolverem.
"Ah, o Dante é terrivelmente protetor", dizia Catalina, sua voz se destacando claramente sobre o som educado do quarteto de cordas. "Sabe, quando éramos apenas adolescentes, ele levou um tiro por mim."
Eu congelei. A taça em minha mão pareceu subitamente frágil.
"Um tiro?", uma das esposas ofegou, agarrando suas pérolas.
"Sim", suspirou Catalina, o som carregado de drama. "Foi uma confusão com a máfia irlandesa. Meu pai devia a eles dívidas que não podia pagar. Eles vieram atrás de mim para mandar um recado. Dante... ele nem hesitou. Ele dirigiu direto para o território deles, sozinho. Ele me tirou de lá, mas levou um tiro no ombro no processo. Ele escondeu o ferimento do pai por semanas para que ninguém soubesse que ele arriscou a frágil trégua só por mim."
O ar me faltou nos pulmões.
Eu conhecia aquela cicatriz. Eu havia traçado a crista elevada e irregular dela com as pontas dos meus dedos mil vezes no escuro. Ele me disse que foi um acidente de treinamento. Ele me disse que caiu em uma cerca enferrujada.
Ele havia mentido.
Ele havia arriscado uma guerra de facções por ela. Antes mesmo de estarmos noivos. Antes que os contratos fossem tinta no papel.
"Ele sempre foi meu anjo da guarda", continuou Catalina, sua voz baixando para um sussurro reverente. "Até agora. Ele me disse: 'Cat, enquanto eu respirar, ninguém toca em você.' Não é romântico?"
As esposas suspiraram em uníssono.
Senti-me mal. Fisicamente, violentamente mal. A sala começou a girar em seu eixo.
Pensei em todas as vezes que implorei para ele ficar em casa porque tinha um mau pressentimento. Todas as vezes que ele descartou minha intuição como paranoia. Todas as vezes que ele me disse que seu dever para com a família vinha em primeiro lugar.
Não era dever. Era preferência.
Ele queimaria o mundo por ela. Por mim, ele não pularia nem uma reunião do conselho.
Virei-me para sair, precisando de ar, precisando estar em qualquer lugar que não fosse aquele salão de baile sufocante.
Catalina estava de repente na minha frente. Com um tropeço calculado, ela "acidentalmente" esbarrou em mim, virando sua taça. Um respingo de vinho tinto escuro floresceu na frente do meu vestido preto.
"Oh, Eliana! Sinto muito", ela exclamou, embora seus olhos brilhassem com malícia pura e não adulterada. "Eu estava contando às senhoras sobre os heroísmos de Dante. Você sabia da vez em que ele quebrou a mão de um homem só por olhar para mim de um jeito errado?"
Ela se inclinou para perto, o cheiro de perfume caro e álcool enjoativo em meu nariz, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. "Ele nunca fez isso por você, não é? Você é muito segura. Muito sem graça. Dante gosta do perigo. Ele gosta da donzela em perigo."
Ela não estava apenas marcando seu território. Ela estava salgando a terra para que nada jamais crescesse ali para mim novamente.
"Você está certa", eu disse, minha voz surpreendentemente firme, desprovida do tremor que sentia por dentro. "Ele nunca fez."
Porque ele não me amava. Ele me possuía. Havia um abismo de diferença.
"Eliana?"
Dante apareceu atrás de Catalina. Ele parecia sem fôlego, seus olhos examinando o rosto dela com intensidade frenética. "Você está bem? Eu vi você tropeçar."
Ele não olhou para mim. Ele não viu o vinho encharcando a seda na minha cintura. Ele não viu a devastação fraturando meu olhar. Ele só a viu.
"Estou bem, Dante", arrulhou Catalina, encostando-se em sua estrutura sólida. "Eliana e eu estávamos apenas conversando sobre os velhos tempos."
Dante finalmente olhou para mim. Havia um lampejo de irritação em seus olhos, rapidamente mascarado por sua habitual máscara de comando. "Eliana, vá se limpar. Você está um trapo."
Um trapo.
Eu olhei para ele. Realmente olhei para ele. O maxilar afiado que eu costumava beijar. Os ombros largos nos quais eu costumava chorar.
Ele era um estranho.
"Estou indo embora", afirmei.
"Não seja dramática", ele retrucou, sua paciência se esgotando. "Vá ao banheiro, arrume seu vestido e volte. Temos que tirar fotos para a imprensa mais tarde."
"Não", eu disse.
Virei-me e me afastei. Passei pela equipe de segurança, pelo manobrista que se apressou para oferecer o carro. Saí para o ar frio e cortante da noite da cidade.
Chamei um táxi. Um táxi amarelo surrado. O tipo de carro em que uma princesa da máfia nunca pisa.
Deslizei para o banco de trás.
"Para onde?", perguntou o motorista, olhando meu vestido pelo espelho retrovisor.
"Qualquer lugar", eu disse, olhando para as luzes da cidade se tornando um borrão. "Só dirige."