"Saia da minha frente, Catalina", eu disse, meu aperto no corrimão se intensificando.
"Senão o quê?", ela riu. "Vai me dedurar? Dante não vai acreditar em você. Ele acredita em tudo que eu digo. Eu disse a ele que você foi rude comigo no baile, e ele tem reclamado da sua atitude a semana toda."
Ela deu um passo mais perto. Seu perfume era enjoativo, sufocantemente doce.
"Ele me ama", ela sibilou. "Ele sempre me amou. Você é apenas um contrato. Uma assinatura em um pedaço de papel."
"Então fique com ele", eu disse, o esgotamento transparecendo em minha voz. "Eu não o quero mais."
Seus olhos se estreitaram. Ela não gostou disso. Ela queria uma briga. Ela queria vencer, mas não podia vencer se eu desistisse.
Sem aviso, ela estendeu a mão e me empurrou.
Não foi um empurrão forte, mas eu estava de salto, estava cansada e meu centro de gravidade estava deslocado.
Tropecei para trás. Minha mão escorregou do corrimão.
O mundo girou.
Eu caí.
Meu corpo bateu nos degraus de mármore. Uma. Duas vezes. Um estalo agudo e nauseante ecoou pelo hall de entrada enquanto minha perna se torcia sob mim.
Minha cabeça bateu no último degrau.
A dor explodiu em meu crânio. Branca e quente. Cegante.
Fiquei no chão, ofegando por ar, o gosto de cobre enchendo minha boca.
"Dante!", Catalina gritou. Foi um grito agudo e teatral. "Socorro! Ela me atacou!"
Tentei me mover, mas minha perna não obedecia. Olhei para cima através da névoa de dor.
Dante estava correndo de seu escritório. Ele nos viu. Eu, sangrando no chão. Catalina, no topo da escada, agarrando o peito, lágrimas falsas escorrendo pelo rosto.
Ele não verificou meu pulso. Ele nem sequer olhou para o ângulo antinatural da minha perna.
Ele subiu as escadas correndo. Passando por mim.
Ele envolveu os braços em volta de Catalina. "Cat! Você está bem? Ela te machucou?"
"Eu fiquei com tanto medo!", ela soluçou em seu peito. "Ela tentou me empurrar! Ela escorregou e caiu, mas tentou me matar, Dante!"
"Shh, eu te peguei", ele sussurrou, acariciando seu cabelo. "Eu te peguei. Você está segura."
Eu fiquei ali, observando o homem que amei por dez anos confortar a mulher que me empurrou, enquanto meu sangue manchava seu caro mármore italiano.
Aquele foi o momento. Não o jantar. Não o baile. Isso.
A dor na minha perna era excruciante, mas a clareza em minha mente era absoluta.
Eu não era uma pessoa para ele. Eu era um móvel. Se um objeto quebra ao ferir um convidado, você conforta o convidado.
"Chame... uma ambulância", eu arquejei.
Dante olhou para mim então. Seu rosto estava duro. Frio. "Você tem sorte de não ter machucado ela, Eliana. Senão, eu terminaria o que a gravidade começou."
Ele pegou Catalina no colo e a carregou para longe do 'perigo'. Ele gritou para um guarda cuidar de mim.
A escuridão tomou conta da minha visão. Fechei os olhos.
Mais tarde, no hospital, o silêncio era ensurdecedor. Minha perna estava engessada. Eu tive uma concussão.
Dante entrou uma vez. Ficou por dez minutos. Verificou o relógio três vezes.
"A Cat está muito abalada", disse ele, sem perguntar sobre minha condição. "Você precisa se desculpar com ela quando chegar em casa."
Eu encarei o teto. "Saia."
"Com licença?"
"Saia", eu sussurrei.
Ele zombou. "Tudo bem. Seja uma pirralha. Tenho que ir de qualquer maneira. A Cat precisa dos remédios dela."
Ele saiu.
Meu celular vibrou. Uma mensagem de Catalina.
Era uma foto. Embaçada, tirada com pouca luz. Mostrava Dante colocando seu paletó sobre os ombros dela, beijando sua testa.
*Legenda: Ele está tão preocupado comigo. Obrigada pelo empurrão. Nos aproximou mais.*
Coloquei o celular de lado.
Olhei para a enfermeira que entrou para verificar meu soro. Ela tinha olhos gentis.
"Enfermeira?", perguntei.
"Sim, querida?"
"Meu noivado acabou", eu disse. As palavras tinham gosto de cinzas, mas também de liberdade. "Pode me dizer como pego um táxi para o aeroporto daqui?"