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Tarde Demais: A Perseguição Arrependida do Don
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Capítulo 9

Na manhã seguinte, o silêncio na casa era pesado, sufocante - como um túmulo.

Eu estava na biblioteca, esperando a impressora cuspir o último cartão de embarque, quando a pesada porta de carvalho se abriu com um rangido.

Catalina.

O sorriso presunçoso que ela geralmente usava como uma arma havia desaparecido. Hoje, ela parecia séria. Predatória.

"Você está indo embora", ela afirmou secamente. Não era uma pergunta; seus olhos já haviam se fixado na mala ao lado da porta.

"Saia", eu disse, meus dedos tremendo levemente enquanto eu dobrava o papel.

Ela me ignorou, caminhando direto para a mesa para jogar um envelope pardo sobre a madeira polida. Ele deslizou pela superfície e bateu na minha mão.

"Abra."

Hesitei, um nó frio se formando em meu estômago, antes de soltar o fecho. Fotografias se espalharam.

Eram antigas. Granuladas. Capturando um Dante e uma Catalina adolescentes.

Mas não havia nada de inocente nelas.

Havia uma de Dante trançando o cabelo escuro dela. Outra dele segurando a mão dela enquanto ela dormia. E uma dele olhando para ela... olhando para ela com a mesma adoração crua que ele costumava me dar, antes que o mundo o endurecesse em pedra.

"Ele tem me preparado para ser sua esposa desde que tínhamos doze anos", disse Catalina suavemente, sua voz tingida de uma doçura venenosa. "A família apenas atrapalhou com seus contratos e alianças. Mas ele sempre voltava para mim. Mesmo quando estava com você."

Ela bateu com uma unha bem-feita em uma foto datada de três anos atrás. A noite da minha festa de noivado.

Na imagem, Dante estava no jardim, pressionando um beijo na testa de Catalina. Ele segurava o rosto dela com uma ternura que fez meu estômago revirar violentamente.

"Ele me disse naquela noite", ela sussurrou. "Ele disse: 'Casar com ela é negócio. Amar você é a minha vida.'"

Encarei a foto, a data me zombando. Lembro-me daquela noite vividamente. Lembro-me de procurá-lo no escuro. Ele havia retornado com manchas de grama nos joelhos, alegando que havia tropeçado.

E eu, a tola, acreditei nele.

"Por que você está me mostrando isso?", perguntei, minha voz mal se segurando.

"Porque eu quero que você saiba", disse ela, inclinando-se até que seu perfume entupiu meus sentidos. "Você nunca teve uma chance. Você era apenas a substituta. A que esquentava o lugar."

Ela pegou as fotos de volta com um silvo agudo. "E agora, o show acabou."

Ela se virou em direção à porta, depois parou. Um brilho perverso e aterrorizante entrou em seus olhos.

"Ah, e Eliana?"

"O quê?"

Ela se jogou para trás.

Aconteceu em câmera lenta. Ela arremessou seu corpo contra a pesada estante de carvalho com uma força doentia. Ela gritou - um som agudo e aterrorizado que rasgou o ar - e desabou no chão, arrastando um pesado vaso de porcelana com ela.

CRASH.

"SOCORRO! DANTE! ELA ESTÁ LOUCA!"

Meu coração martelava contra minhas costelas como um pássaro preso. *De novo não.*

Passos pesados ecoaram pelo corredor. A porta se abriu com um estrondo, e Dante entrou na sala, sua arma já em punho.

Ele avaliou a cena instantaneamente: Catalina soluçando no chão em meio a porcelana quebrada, segurando o braço; eu parada ao lado da mesa, congelada.

Ele não perguntou. Ele não avaliou.

Ele guardou a arma e atravessou a sala em duas passadas aterrorizantes. Ele me empurrou. Com força.

Tropecei para trás, meu quadril batendo na beirada da mesa.

"Eu te avisei!", ele rosnou, seu rosto a centímetros do meu, olhos selvagens de raiva. Saliva atingiu minha bochecha. "Eu te disse para não tocar nela!"

"Eu não..."

"Cala a boca!" Ele se virou, caindo de joelhos ao lado de Catalina, sua voz instantaneamente se suavizando em um arrulho. "Cat, amor, deixe-me ver."

"Ela me bateu com o vaso", Catalina soluçou, enterrando o rosto na curva de seu pescoço. "Ela disse que se não pudesse te ter, ninguém poderia."

Dante olhou para mim por cima do ombro. O ódio em seus olhos era absoluto. Era o olhar que um homem dá a um cão raivoso antes de abatê-lo.

"Suma da minha frente", ele sibilou. "Se você não fosse filha do seu pai, eu te mataria aqui mesmo."

Ele pegou Catalina nos braços e a carregou para fora.

Fiquei ali, apoiada na mesa para me sustentar, ouvindo o eco de seus passos se afastando.

Era isso. O último laço havia se rompido.

Peguei uma caneta. Puxei uma folha de papel de carta pesado com o brasão da família Vilar em relevo.

Escrevi três frases.

*Eu te liberto do juramento. Eu te liberto do contrato. Espero que ela valha a guerra.*

Deslizei o anel de noivado do meu dedo - o substituto que ele comprou depois que joguei o primeiro no vaso sanitário. Coloquei o metal frio sobre o papel.

Peguei minha mala. Peguei minha bengala.

Saí pela porta dos fundos. A entrada de serviço.

A chuva caía novamente, um dilúvio implacável que encharcou minhas roupas instantaneamente. Minha perna machucada latejava a cada passo, uma pontada rítmica de dor.

Mas eu não parei.

Cheguei ao portão de serviço. O guarda, um garoto chamado Marco a quem eu uma vez ajudei a quitar uma dívida de jogo, me encarou. Seus olhos caíram para a mala.

"Senhorita Eliana?", ele perguntou, confuso.

"Abra o portão, Marco", eu disse, minha voz oca. "Por favor."

Ele hesitou. Olhou para a casa imponente, depois para o meu rosto, que estava molhado de chuva e lágrimas.

Ele apertou o botão.

"Vá", ele sussurrou, virando a cabeça.

Saí para a rua pública. Um sedã preto estava esperando - o Uber que eu havia chamado.

Entrei.

"Guarulhos", eu disse.

Enquanto o carro se afastava, não olhei para trás, para a mansão. Não olhei para trás, para a vida que lentamente me sufocou.

Eu era uma Rainha sem coroa, mancando e quebrada. Mas pela primeira vez em dez anos, o ar que enchia meus pulmões pertencia a mim.

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O champanhe tinha gosto de mijo.

Eu estava no pódio, olhando para o mar de rostos. O sindicato inteiro estava aqui para celebrar nossa vitória sobre os Rossi.

Catalina estava ao meu lado, envolta em um vestido vermelho que custava mais do que a maioria das pessoas ganha em uma década. Ela sorria, acenava, desempenhando o papel de consorte dedicada.

"E à minha parceira", eu disse ao microfone, as palavras parecendo cascalho na minha garganta. "A mulher que esteve ao meu lado quando as balas voavam. Catalina."

Aplausos irromperam. Era um barulho educado, obediente.

Olhei para ela. Ela sorriu para mim, agarrando meu braço, seus olhos brilhando de triunfo.

Mas quando olhei para ela - realmente olhei para ela - não senti nada.

Nenhuma faísca. Nenhuma raiva protetora. Apenas um cansaço surdo e doloroso.

Desci do pódio. As pessoas nos cercaram, oferecendo parabéns.

"Onde está a Eliana?", alguém perguntou. Era o velho Dom Salvatore. Ele sempre teve um carinho por ela.

"Ela está... indisposta", menti automaticamente. "Descansando."

"Que pena", Salvatore resmungou, girando sua bebida. "Ela tem uma boa cabeça nos ombros. Melhor que a maioria dos homens nesta sala."

Ele se afastou, mas suas palavras ficaram presas no meu peito como uma farpa.

A festa se arrastou. Catalina ficou bêbada. Começou a dançar em cima de uma mesa, e os homens aplaudiram. Eu a observei, sentindo uma estranha e fria sensação de vergonha. Eliana nunca dançava em mesas. Eliana dançava no estúdio, com uma graça que fazia o mundo parar de girar.

Eu precisava sair dali.

"Vou para casa", disse ao meu segundo em comando. "Certifique-se de que a Cat volte em segurança."

Peguei o carro. Dirigi rápido. O silêncio dentro do SUV blindado era sufocante.

Quando cheguei à propriedade, as luzes estavam apagadas.

Entrei. Estava quieto. Quieto demais.

"Eliana?", chamei.

Nenhuma resposta.

Subi as escadas de dois em dois degraus. Fui direto para o quarto dela.

A porta estava aberta.

Entrei. A cama estava perfeitamente arrumada. A porta do armário estava entreaberta.

Olhei para dentro. Vazio.

As prateleiras estavam nuas. A penteadeira estava livre de seus perfumes e cremes.

Pânico, frio e agudo, subiu pelo meu peito.

"Eliana!", gritei, correndo para o banheiro. Vazio.

Corri para o escritório.

Na mesa, havia um único pedaço de papel. E o anel.

Peguei o bilhete.

*Eu te liberto do juramento. Eu te liberto do contrato. Espero que ela valha a guerra.*

Minhas mãos começaram a tremer.

"Não", sussurrei, a negação subindo como bile. "Não, não, não."

Peguei meu celular e disquei o número dela.

*O número para o qual você ligou não está mais em serviço.*

Disquei novamente. E de novo.

Liguei para o pai dela.

"Onde ela está?", exigi no momento em que ele atendeu.

"Ela se foi, Dante", disse o Conselheiro. Sua voz soava velha. Derrotada. "Ela deixou o estado. Ela me disse que se eu revelasse sua localização, ela desapareceria para sempre. Ela assinou o acordo de confidencialidade. Ela está fora."

"Você a deixou ir?", eu rugi. "Ela é minha noiva!"

"Ela era sua vítima", ele retrucou. "E agora está livre."

A linha ficou muda.

Fiquei ali no escritório silencioso, segurando o bilhete até o papel amassar.

Ela se foi. Eliana. Minha sombra. Minha consciência. A única pessoa que olhava para mim e via o homem, não o Dom.

Ela não apenas foi embora. Ela se apagou.

Olhei para o anel. Lembrei-me de colocá-lo em seu dedo. Lembrei-me de prometer protegê-la.

Eu falhei.

Fui ao armário de bebidas e peguei uma garrafa de uísque. Não me preocupei com um copo.

Sentei-me na cadeira dela. Ainda cheirava a ela - jasmim e baunilha.

Tomei um longo gole, saboreando a queimação.

"Ela está apenas fazendo birra", eu disse para a sala vazia, minha voz soando oca na penumbra. "Ela vai voltar. Ela não tem para onde ir. Ela precisa de mim."

Tomei outro gole.

"Ela precisa de mim", repeti, mais alto desta vez.

Mas enquanto o silêncio da casa me pressionava, mais pesado do que qualquer fogo inimigo, um pensamento aterrorizante subiu das profundezas da minha negação.

Talvez... talvez eu fosse quem precisava dela.

E ela não ia voltar.

Joguei a garrafa contra a parede.

Ela se estilhaçou, o líquido âmbar escorrendo pelo papel de parede caro como uma ferida.

"VOLTA!", gritei até minha garganta rasgar.

Mas apenas o eco respondeu.

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