Velas estavam por toda parte, centenas delas, suas chamas tremeluzindo contra o vidro que dava para os jardins escuros da propriedade.
A mesa estava posta com a melhor porcelana de sua mãe. Um quarteto de cordas tocava no canto - *Clair de Lune*, minha peça favorita.
Dante estava ao lado da mesa, de smoking. Ele parecia o príncipe de todos os contos de fadas com que fui alimentada na infância, polido e perfeito.
"Eliana", disse ele, puxando uma cadeira. "Sente-se."
Eu me sentei. Minha bengala bateu suavemente quando a encostei na mesa.
"O que é isso?", perguntei.
"Um pedido de desculpas", disse ele, servindo um vinho tinto encorpado. "Um de verdade. Sei que estive distraído. Mas quero que saiba, você ainda é... vital para mim. Você é meu futuro."
Ele estendeu a mão sobre a mesa e pegou a minha. Sua palma estava quente.
Por um segundo, apenas uma fração de segundo, meu coração vacilou. Este era o Dante que eu lembrava. Aquele que costumava esconder flores no meu armário.
"Quero que voltemos a ser como éramos", disse ele suavemente. "Antes do estresse. Antes de tudo ficar complicado."
Ele apertou minha mão. "Olhe para fora."
Virei a cabeça.
Um silvo súbito cortou o ar, seguido por um estrondo trovejante.
Fogos de artifício explodiram sobre o jardim em uma chuva de faíscas. Vermelho, dourado e verde.
Eles formaram letras no céu, queimando brilhantes contra a noite de veludo preto.
*E-L-I-A-N-A*
Era grandioso. Era excessivo. Era exatamente o tipo de gesto que deveria fazer uma garota esquecer que seu noivo a viu cair de uma escada.
"Você gostou?", ele perguntou, um sorriso juvenil no rosto.
Antes que eu pudesse responder, as portas de vidro se abriram com um zumbido suave.
Catalina entrou.
Ela usava um robe de seda amarrado frouxamente na cintura, segurando um copo de uísque.
"Ah, que bom! Eles foram acionados na hora certa", disse ela, batendo palmas levemente.
Dante olhou para ela, depois de volta para mim. Ele não parecia zangado por ela ter interrompido. Ele parecia... grato. Aliviado, até.
"Você fez um bom trabalho, Cat", disse ele.
O ar me faltou nos pulmões. "O quê?"
Catalina se aproximou da mesa, pegando uma uva do prato de Dante.
"Os fogos de artifício", disse ela, colocando a fruta na boca. "Dante não sabia para quem ligar. Tenho um primo que mexe com pirotecnia. Eu organizei tudo. Até escolhi as cores."
Ela piscou para mim por cima da borda do copo.
"Verde para inveja. Vermelho para sangue. Dourado para... bem, interesseira."
Ela riu, um som como vidro quebrando.
Olhei para Dante. "Você não planejou isso?"
"Eu paguei por isso", disse ele, imediatamente na defensiva. "A Cat apenas cuidou da logística. Ela sabe que estou ocupado com a limpeza da briga com os Rossi. Ela queria me ajudar a fazer algo legal para você."
"Ela queria te ajudar", repeti, minha voz oca.
"Sim", disse Dante, alheio. "Ela tem sido ótima, Eliana. Realmente nos apoiando. Ela até me lembrou que era nosso aniversário de namoro na próxima semana."
Eu o encarei.
Ele não se lembrava do nosso aniversário. *Ela* o lembrou.
Ele não planejou o jantar. *Ela* planejou.
Ele não encomendou os fogos de artifício. *Ela* encomendou.
Cada gesto romântico, cada momento de gentileza no último mês... tudo havia sido filtrado por ela.
Ela estava orquestrando meu relacionamento. Ela estava puxando as cordas, fazendo Dante dançar, me fazendo dançar.
Eu estava sentada em uma mesa de jantar posta pela mulher que queria me substituir, comendo comida que ela pediu, assistindo a fogos de artifício que ela comprou, segurando a mão de um homem que não conseguia nem se dar ao trabalho de lembrar que data era.
"Isso não é romântico, Dante", eu disse, puxando minha mão como se estivesse queimada. "É um show de marionetes."
"O quê?", ele franziu a testa.
"Você não está fazendo isso por mim", eu disse, minha voz se elevando. "Você está fazendo isso porque ela te disse para fazer. Você não é o dramaturgo, Dante. Você está apenas seguindo o roteiro dela."
"Você está sendo ingrata", Catalina interveio, apoiando-se no ombro de Dante. "Ele gastou uma fortuna."
"Eu não me importo com o dinheiro!", eu retruquei. "Eu me importo que meu noivo precise que sua amante lhe diga como me amar!"
Dante bateu a mão na mesa. Os talheres chacoalharam violentamente.
"Ela não é minha amante!", ele rugiu. "Ela é da família! E está tentando ajudar! Por que você não pode simplesmente aceitar uma coisa boa sem analisar até a morte?"
"Porque é falso!", eu gritei de volta. "É tudo falso! Você é falso!"
Peguei minha bengala e me levantei.
"Sente-se, Eliana", Dante avisou, sua voz baixando para aquele registro perigoso.
"Não."
Comecei a me afastar.
"Se você sair daqui", ele gritou, "não espere que eu vá atrás de você."
Parei na porta. Não me virei.
"Eu parei de esperar qualquer coisa de você há muito tempo, Dante."
Eu saí.
Atrás de mim, ouvi Catalina rir.
"Viu?", disse ela. "Eu te disse que ela não apreciaria. Você deveria ter comprado um carro para ela."
"É", Dante murmurou. "Talvez você esteja certa."