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Tarde Demais: A Perseguição Arrependida do Don
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Capítulo 7

Ele retornou como um conquistador, pintado de sangue seco e arrogância.

Eu estava no hall de entrada quando as pesadas portas de carvalho se abriram. Eu não pretendia estar ali, mas Maria precisava de ajuda para mover um vaso, e minha perna finalmente havia se curado o suficiente para mancar com uma bengala.

Dante entrou primeiro. Sua camisa estava em farrapos, colada à pele por uma crosta marrom seca. Seu lábio estava cortado, inchado e roxo. Ele parecia um destroço, mas caminhava com a arrogância de um deus.

Catalina se lançou sobre ele antes mesmo que ele cruzasse a soleira.

"Dante!", ela gritou - uma performance digna da Broadway. Ela jogou os braços em volta do pescoço dele, enterrando o rosto em sua camisa arruinada e soluçando alto. "Eu estava com tanto medo! Pensei que tinha te perdido!"

Ele fez uma careta quando ela sacudiu seus ferimentos, mas não a afastou. Em vez disso, ele envolveu seus braços ensanguentados em volta da cintura dela, levantando-a do chão.

"Eu te disse", ele sussurrou, sua voz rouca. "Ninguém toca em você. Ninguém te desrespeita."

Ele enterrou o rosto no cabelo dela, inalando profundamente, como se ela fosse o oxigênio do qual ele havia sido privado.

A equipe da casa estava alinhada contra a parede, cabeças baixas em deferência. Os Capos atrás dele davam tapinhas em suas costas. Era uma recepção de herói.

Eu estava perto do vaso de lírios brancos, invisível.

Dante finalmente ergueu o olhar. Seus olhos percorreram a sala até pousarem em mim. Por um segundo, a adrenalina em seu olhar vacilou. Ele viu a bengala. Ele viu o gesso na minha perna.

Mas então Catalina choramingou, atraindo sua atenção de volta. "Você está sangrando por toda parte, amor. Venha, deixe-me limpar você."

"Sim", ele murmurou. "Vamos."

Ele passou direto por mim. Não perguntou como eu estava. Não perguntou por que eu havia ligado. Ele apenas subiu as escadas com seu prêmio, deixando um rastro de gotas de sangue no chão de mármore que eu provavelmente teria que pedir para Maria esfregar mais tarde.

Nos três dias seguintes, a casa se tornou um santuário para sua vitória. Catalina contava a história para quem quisesse ouvir, embelezando os detalhes até que Dante soasse como Aquiles renascido.

Eu fiquei no meu quarto. Mantive um laptop escondido debaixo do meu colchão.

*Decolar.com. Só ida. GRU para CGH. Depois um trem. Depois uma nova vida.*

Eu não estava apenas deixando um relacionamento. Eu estava desertando de um regime.

Na quarta noite, uma batida soou na minha porta.

Ela se abriu antes que eu pudesse responder. Dante estava lá. Ele estava limpo, com pontos marchando por sua sobrancelha e lábio. Ele segurava uma grande caixa de veludo.

Ele parecia... envergonhado. Era uma expressão que costumava me derreter. Agora, parecia apenas uma má atuação.

"Posso entrar?", ele perguntou.

"A casa é sua, Dante", eu disse, sem levantar o olhar do meu livro. "Você vai onde quer."

Ele se encolheu, mas entrou. Colocou a caixa no pé da minha cama.

"Eu sei que as coisas têm sido... intensas", ele começou, esfregando a nuca. "Eu não estive muito por perto. O negócio com os Rossi me esgotou."

"Tudo bem", eu disse.

"Não está tudo bem", ele insistiu, tentando parecer nobre. "Eu te negligenciei. Quero compensar."

Ele gesticulou para a caixa. "Abra."

Suspirei e a alcancei. Dentro, aninhado em papel de seda preto, havia um vestido.

Era requintado. Seda verde-esmeralda profunda, bordada à mão com fio de ouro. Era um traje tradicional de dança do ventre, do tipo da região de onde minha avó era.

"Lembrei que você gostava daquelas suas danças esquisitas", disse ele, parecendo orgulhoso de si mesmo. "Pensei que você poderia usar para mim. Talvez esta noite?"

Ele se aproximou, sua mão se estendendo para tocar meu rosto. Seu polegar roçou minha pele, áspero e caloso.

"Nós não ficamos juntos há um tempo", ele murmurou, sua voz baixando uma oitava. "Sinto sua falta, Eliana."

Olhei para o vestido. Era lindo. Era caro.

E era um insulto.

Ele não sabia *por que* eu dançava. Ele não sabia que era minha fuga, minha oração, minha arte. Para ele, era apenas "coisas esquisitas" que eu fazia para entretê-lo. Ele me via como uma stripper particular, não como uma dançarina.

Afastei-me de seu toque.

"Não posso", eu disse.

Sua testa se franziu. "Por que não?"

"Minha perna, Dante", eu disse, gesticulando para o gesso. "Mal consigo andar até o banheiro. Você acha que posso rebolar para você?"

Ele olhou para o gesso como se o estivesse vendo pela primeira vez. "Ah. Certo. Eu esqueci."

Ele esqueceu.

"Bem", disse ele, retraindo a mão. "Quando você tirar isso, então. Em breve."

"Em breve", eu ecoei.

"Estou tentando, Elie", disse ele, um toque de irritação surgindo. "Comprei um presente para você. Estou aqui. Pare de ser tão fria."

"Estou cansada, Dante. Os analgésicos me dão sono."

Ele suspirou, alto e dramático. "Tudo bem. Durma. Mas melhore essa sua atitude. Acabei de vencer uma guerra por esta família. Um pouco de gratidão não te mataria."

Ele se virou e saiu, deixando o vestido caro na cama como uma gorjeta em uma mesa de cabeceira.

Esperei até que seus passos se afastassem pelo corredor.

Peguei o vestido. A seda parecia água contra meus dedos.

Fui até a lixeira e o joguei dentro.

Então peguei meu laptop.

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São Paulo. Terça-feira. 6:00 da manhã.

Eu não ia esperar o gesso sair. Eu ia sair mancando do inferno.

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