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O Segredo da Luna Rejeitada: O Despertar do Lobo Branco
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Capítulo 2

POV Bernardo

O sol da manhã parecia menos uma saudação e mais uma dor de cabeça prestes a acontecer.

"Relatório", rosnei, pressionando a base das minhas mãos nas minhas têmporas latejantes. A limpeza do ataque dos Renegados era um pesadelo. Três guerreiros feridos, o salão de baile destruído.

"Nós garantimos o perímetro, Alfa", disse Marcos. Ele parecia cansado. Pior, ele parecia... decepcionado. Ele estava me olhando daquele jeito desde a noite passada. "Mas temos um problema."

"O quê?"

"A Luna. Ela não está no quarto dela."

Acenei com a mão, desdenhoso. "Ela provavelmente está escondida na biblioteca. Ou no jardim. Você sabe como a Laura é. Ela não aguenta violência. Provavelmente está tremendo em algum canto, esperando que eu vá acalmá-la."

"Bernardo", disse Marcos, sua voz abandonando o título honorífico, afiada como um aviso. "Você precisa ir lá em cima."

Franzi a testa com o tom dele. Subi as escadas, a irritação borbulhando sob minha pele como magma. Eu não tinha tempo para a fragilidade de Laura hoje. Eu tinha uma alcateia para liderar. Eu tinha que ver como Ariana estava - ela tinha sido tão corajosa na noite passada.

Abri a porta do quarto.

Estava vazio. Não apenas desprovido de pessoas, mas vazio de *vida*. O ar parecia viciado, imperturbável, como se ninguém o tivesse respirado por horas.

Caminhei até a mesa de cabeceira.

O colar de pedra da lua estava lá, enrolado como uma cobra adormecida. Ao lado, um pedaço de papel.

Eu li as palavras.

*Eu, Laura Menezes, rejeito você...*

Uma dor aguda, súbita e violenta como uma agulha cravada no meu coração, atingiu meu peito. Instintivamente, procurei pelo Elo Mental.

*Laura?*

Nada. Apenas estática. Um silêncio oco e ecoante onde sua presença quieta costumava estar.

Bufei, forçando a sensação para baixo, e joguei a carta de volta na mesa.

"Dramática", murmurei. "Ela está tentando provar um ponto porque ajudei Ariana primeiro. Ela sabe que Ariana é filha de um Gama e uma guerreira; ela estava no meio da luta. Laura estava segura no canto."

"Ela quase morreu, Bernardo", disse Marcos da porta. "Um renegado estava a centímetros da garganta dela. Você deu as costas."

"Eu sabia que você estava lá", menti. As palavras tinham gosto de cinzas. Eu não sabia. Eu apenas... reagi. Ariana estava gritando. Laura estava em silêncio. Eu sempre ia para o barulho.

"Embale as coisas dela", ordenei, virando-me de costas para a cama vazia. "Leve-as para o depósito. Se ela quer fugir e bancar a vítima, que vá. Ela voltará quando ficar sem dinheiro ou com medo do escuro. Ela não consegue sobreviver lá fora. Ela é fraca."

"E os aposentos da Luna?" perguntou Marcos.

"Dê-os para Ariana", eu disse. "Para a recuperação dela. Ela precisa do espaço."

*

POV Laura

O trem balançava ritmicamente, uma canção de ninar de aço e movimento.

Havíamos cruzado a fronteira horas atrás. A atração física em direção à Alcateia da Serra de Prata estava desaparecendo, substituída por uma dor surda que era surpreendentemente administrável - como um hematoma começando a cicatrizar.

Olhei pela janela para a paisagem francesa embaçada.

Meu corpo parecia... estranho. Quente. Frio. Vibrando. Sem os inibidores da alcateia suprimindo meu sistema, minha biologia estava despertando. Era aterrorizante. Era emocionante.

Abri o folheto de viagem para Paris. *A Cidade Luz.* Parecia clichê, mas agora, eu precisava de luz. Eu precisava estar em um lugar onde as sombras da alcateia não pudessem me alcançar.

"Mademoiselle?"

Olhei para cima. O condutor estava verificando os bilhetes.

"Paris, Gare de Lyon", ele disse, picotando meu bilhete.

"Merci", sussurrei.

Fechei os olhos. *Bernardo acha que é meu dono*, pensei. *Ele acha que amor é controle. Ele acha que segurança é uma gaiola.*

Respirei fundo. Pela primeira vez, o ar não cheirava a ele, a cedro e chuva. Cheirava a café, estofado velho e diesel. Cheirava a liberdade.

*

Dois Dias Depois

Eu estava no centro de um pequeno apartamento no 18º arrondissement. Era minúsculo, caro e perfeito.

Meu celular vibrou. Era uma notificação da página de mídia social da Alcateia. Eu ainda não os tinha bloqueado. Uma parte masoquista de mim queria ver.

Uma foto.

Ariana, de pé no *meu* quarto. Ela segurava uma taça de vinho, encostada na penteadeira onde eu costumava escovar meu cabelo. A legenda dizia: *Novos começos. Curando-se com o Alfa.*

Ao fundo, eu podia ver a parede. Minhas pinturas haviam sumido.

Eu passei anos pintando aquelas telas. Paisagens do território. Retratos dos anciãos. Elas haviam sido apagadas. Substituídas por um espelho grande e cafona que refletia o triunfo de Ariana.

Ela me apagou.

Eu não chorei. Em vez disso, uma pedra fria e dura se instalou no fundo do meu estômago.

Peguei meu casaco e saí. Eu precisava fazer alguma coisa. Eu precisava expurgar o último resquício deles da minha vida.

Encontrei um pequeno brechó de caridade na rua. Tirei a pequena bolsa de veludo do meu bolso. Dentro havia uma pulseira de diamantes que Bernardo me dera no nosso primeiro aniversário. Estava fria e pesada na minha palma.

"Quero doar isso", disse à mulher atrás do balcão em um francês quebrado. "Para o fundo dos artistas."

Ela olhou para os diamantes, os olhos se arregalando. "Tem certeza, Madame?"

"Sim", eu disse. "Dá azar."

Saí da loja, sentindo-me mais leve, como se tivesse largado um fardo pesado.

Fui em direção à estação de trem para comprar alguns suprimentos. A multidão era densa, um rio de corpos fluindo em todas as direções. Fui empurrada de um lado para o outro.

De repente, uma mão agarrou meu cotovelo para me firmar.

"Cuidado."

A voz era profunda, ressoando no meu peito como a corda de um violoncelo tocada em um quarto escuro.

Faíscas.

Faíscas literais, elétricas, subiram pelo meu braço onde sua pele tocou meu casaco. A sensação foi tão intensa que eu ofeguei, puxando meu braço para trás como se estivesse queimada.

Olhei para cima.

Ele era alto. Cabelo escuro, despenteado de um jeito que parecia natural, mas deliberado. Olhos da cor do Oceano Atlântico - um azul profundo e tempestuoso.

Ele olhou para mim e, por um segundo, suas pupilas dilataram. Ele inspirou bruscamente.

*Companheira?*

Minha Loba Interior acordou. Ela não gemeu. Ela rosnou. *Meu?*

Não. Não, não, não.

Dei um passo para trás, o terror inundando minhas veias mais frio que gelo. Eu não podia fazer isso de novo. Eu não podia ser aprisionada pela biologia novamente.

"Desculpe", gaguejei.

O homem piscou, balançando a cabeça como se estivesse acordando de um sonho. Ele sorriu, e era um sorriso gentil e torto. Não o sorriso arrogante de um Alfa.

"Culpa minha", ele disse. "Você está bem? Parece... assustada."

"Eu tenho que ir", eu disse.

Virei-me e corri. Não olhei para trás. Não o vi me observando, levantando a mão para encarar os próprios dedos onde havia me tocado.

Corri até meus pulmões arderem. Corri até ter certeza de que estava sozinha.

Eu não estava pronta para uma segunda chance. Eu ainda estava sangrando da primeira.

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