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O Segredo da Luna Rejeitada: O Despertar do Lobo Branco
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Capítulo 3

POV Laura

O céu sobre Paris era um cinza plano e inflexível, um espelho perfeito para a agitação em meu estômago.

Eu estava sentada na apertada sala de descanso da pequena galeria de arte onde havia encontrado um emprego varrendo o chão e organizando o estoque. Não era glamoroso, longe da vida que eu conhecia, mas era meu.

Peguei meu celular. Eu sabia que não deveria olhar. Era como cutucar uma ferida infeccionada, mas a compulsão era mais forte que minha vontade.

O vídeo era tendência na rede social dos lobisomens. *Gala de Caridade da Serra de Prata.*

Enfiei meus fones de ouvido.

A câmera passeou pelo salão de baile - o mesmo salão onde eu quase morri semanas atrás. Estava restaurado, brilhando sob os lustres de cristal, apagando qualquer vestígio da minha dor.

Ariana estava sentada na mesa principal, exatamente onde a Luna deveria se sentar. Ela segurava um microfone, suas bochechas coradas pelo vinho. Parecia presunçosa, se exibindo como um gato que pegou o creme.

"Ah, parem com isso", ela riu, acenando para alguém fora da câmera. "Todo mundo fica perguntando como Bernardo e eu somos tão próximos."

Ela se inclinou, baixando a voz conspiratoriamente, como se estivesse compartilhando um segredo com o mundo inteiro.

"A verdade é", disse ela, "que estamos conectados desde crianças. Antes *dela* aparecer."

Meu estômago despencou como uma pedra.

"Sabe aquele colar de couro que o Bernardo usa?" Ariana continuou, enrolando uma mecha de cabelo no dedo. "Aquele que ele diz ser uma herança de família? Fui eu que fiz para ele quando tínhamos dezesseis anos. Ele me prometeu naquela época que nunca o tiraria. E não tirou."

Eu congelei. O ar saiu dos meus pulmões.

O cordão de couro. Bernardo o usava todos os dias. Ele me disse que era do avô dele. Ele me disse que era um símbolo de proteção do Alfa. Eu o toquei, o reverenciei, tracei o couro gasto com as pontas dos dedos enquanto ele dormia.

Era um símbolo de amor de sua amante.

Era uma coleira.

Corri para o pequeno banheiro nos fundos da galeria, mal conseguindo chegar à pia antes de ter ânsia de vômito. Nada saiu além de bile e amargura.

Tudo era uma mentira. Não apenas o casamento. A amizade. A história.

Ele não apenas me negligenciou. Ele me zombou ativamente todos os dias, usando a promessa dela em volta do pescoço enquanto dormia na minha cama.

Joguei água fria no rosto. Meu reflexo parecia pálido, assombrado. Mas meus olhos... meus olhos estavam mudando. O avelã suave estava se transformando, engolido por uma maré crescente de prata derretida.

Minha loba estava com raiva. Ela estava arranhando as paredes da minha mente.

Voltei ao vídeo. Eu tinha que ver tudo. Tinha que beber o veneno até a última gota.

"Bernardo é tão leal", arrulhou Ariana. "Ele só se casou com a Laura porque o pai dele forçou a aliança. Ele me dizia todas as noites: 'Apenas espere, Ariana. Apenas espere até que a alcateia esteja estável. Então poderemos ficar juntos de verdade.'"

A câmera mudou. Bernardo entrou em cena.

Ele colocou a mão no ombro de Ariana. Ele olhou para ela com uma suavidade que eu nunca, jamais, vi dirigida a mim. Era um olhar de adoração.

"Ariana", ele repreendeu gentilmente, mas estava sorrindo. "Você está contando segredos."

Ele não negou.

Ele não disse: "Isso não é verdade." Ele não defendeu minha honra. Ele não defendeu nosso casamento. Ele apenas sorriu para ela como se ela fosse um cachorrinho travesso.

"O que quer que te faça feliz", ele disse, beijando o topo da cabeça dela.

Desliguei o celular. A tela ficou preta e, com ela, o último resquício da minha esperança.

A dor que me pesava, o cobertor pesado e úmido de tristeza, de repente evaporou.

Em seu lugar havia fogo. Fogo abrasador e purificador.

Eu não estava mais triste. Eu estava enojada. Senti-me suja por tê-lo amado. Senti-me tola por cada lágrima que derramei por um homem que estava brincando de casinha com outra mulher o tempo todo.

"Laura?"

Olhei para cima. Meu chefe, Monsieur Dubois, estava parado na porta, uma vassoura na mão. "Você está bem? Parece... intensa."

"Estou bem, Monsieur", eu disse. Minha voz soava diferente. Mais profunda. Ressonante. Vibrava no meu peito. "Estou apenas percebendo que li o livro errado a vida inteira."

"Perdão?"

"Cansei de ser a vítima", eu disse.

Peguei meu celular novamente. Abri meu e-mail. Redigi uma mensagem para o Conselho da Alcateia - não para Bernardo, mas para os Anciãos. Meus polegares se moveram com precisão letal.

*Assunto: Renúncia Formal e Abdicação.*

*Ao Conselho da Serra de Prata,*

*Com efeito imediato, abdico do cargo de Luna. Confirmo que o laço de companheirismo entre mim e o Alfa Bernardo Monteiro foi rejeitado por mim devido à infidelidade e falha no dever. Não reivindico pensão. Não reivindico laços. Deixo-o para sua verdadeira companheira e para as mentiras sobre as quais construíram sua fundação.*

*Atenciosamente,*

*Laura Menezes.*

Apertei enviar. A ação pareceu como jogar um fósforo na gasolina.

Caminhei até a janela e olhei para a Torre Eiffel perfurando as nuvens.

Minha Loba Interior se levantou dentro da minha mente. Ela era enorme. Ela era branca como a neve. E ela jogou a cabeça para trás e uivou, um som de raiva pura e inalterada que ecoou silenciosamente por toda a minha alma.

*Deixe que queimem*, ela sussurrou.

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