POV Laura:
Assim como previ, a internet foi inundada com imagens do chamado "Teste de Lealdade".
Tudo aconteceu exatamente como eu esperava. Um Renegado - claramente um ator, provavelmente pago por Ariana - atacou. Bernardo interveio, sofrendo um "ferimento grave" para proteger sua companheira grávida.
A foto na tela era uma obra-prima de propaganda. Mostrava Bernardo em sua forma humana, sangue escorrendo pelo peito, de pé sobre uma Ariana chorosa.
A legenda dizia: *Sangue por Sangue. O Amor Conquista Tudo.*
Encarei os pixels, esperando a familiar pontada de pânico. Mas não senti nada. Zero absoluto.
Dei zoom no rosto de Bernardo. Ele parecia pálido, sua pele cerosa sob o flash da câmera. As garras foram profundas. Acônito, talvez? Se o renegado estivesse armado com garras tratadas, a cura seria lenta e agonizante.
Um ano atrás, eu estaria misturando emplastros agora. Estaria andando de um lado para o outro, com o coração na garganta, já fazendo uma mala para correr ao seu lado.
Agora, simplesmente fechei a aba.
Peguei meu pincel. A tela à minha frente era um turbilhão de cinzas e azuis, uma tempestade se desfazendo para revelar uma lua branca.
Meu celular tocou, quebrando o silêncio. Era Marcos.
Hesitei, vendo o nome piscar na tela, e então atendi.
"O que você quer, Marcos?"
"O Alfa... ele está perguntando por você", disse Marcos, sua voz tensa de estresse. "Ele está com febre. A ferida não está cicatrizando direito. Ele fica murmurando sobre a Luna."
"Ariana está bem aí", eu disse, minha voz desprovida de simpatia.
"Ele quer dizer você, Laura."
"Eu não sou a Luna", lembrei-o. "Eu renunciei."
"Ele quer que você venha para a Coroação", disse Marcos, mudando abruptamente de tática. "Ele acha... ele acha que mostraria unidade. Se você desse sua bênção a Ariana, os Anciãos se acalmariam. Ele está disposto a pagar seu voo. Ele até comprou um presente para você."
Eu ri. Foi um som áspero e irregular que me assustou.
"Um presente?"
"Um colar", disse Marcos, parecendo esperançoso. "Safiras. Ele disse que combinam com seus olhos."
O silêncio que se seguiu foi pesado.
"Meus olhos são castanhos, Marcos", eu disse suavemente. "Ariana tem olhos azuis."
Silêncio mortal do outro lado.
"Diga a ele que não", eu disse, cortando a ligação. "Diga a ele que estou ocupada vivendo minha vida. E Marcos? Diga a ele que da próxima vez que ele quiser encenar uma luta para impressionar uma garota, ele deve se certificar de que o renegado não use veneno de verdade."
Desliguei antes que ele pudesse gaguejar uma resposta.
Olhei de volta para a pintura. Precisava de algo. Estava muito fria.
Mergulhei meu pincel em tinta vermelha. Não a cor do sangue. A cor da vida. Das rosas. Da aurora.
Com a mão firme, tracei uma linha vermelha vibrante através da tempestade cinzenta.
Minha Loba Interior se espreguiçou dentro de mim, sacudindo seu sono. Ela se sentia mais forte hoje. O peso fantasma da Alcateia havia sumido. Eu não precisava me preocupar com a colheita. Eu não precisava me preocupar com herdeiros.
Eu só precisava me preocupar comigo.