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O Segredo da Luna Rejeitada: O Despertar do Lobo Branco
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Capítulo 5

POV Bernardo

A reunião do Conselho foi um desastre, um acidente de trem em câmera lenta.

"Onde está a Laura?" exigiu o Ancião Thomas, a ponteira de sua bengala batendo no chão de madeira com um *crack* agudo. "Os arquivos estão uma bagunça. O festival da colheita é em uma semana, e nenhum fornecedor foi confirmado. E agora, sussurros chegam a nós de que ela abdicou?"

"Ela está apenas tirando uma folga para a saúde mental", menti, mantendo minha expressão praticada e suave, embora o suor brotasse no meu colarinho. "O primeiro ataque a traumatizou. Ela precisa de espaço para se recuperar."

"Espaço não significa divórcio, Bernardo!"

"Não é um divórcio", insisti, embora o eco oco em meu peito argumentasse o contrário. "É uma separação. Temporária. Ela vai voltar."

Eu tinha que consertar isso. Eu precisava comprá-la de volta. Era a isso que Laura respondia, não era? Estabilidade? Conforto? Segurança?

Peguei meu celular, navegando até uma joalheria em Paris. Eu havia rastreado o uso do cartão de crédito dela; eu sabia exatamente onde ela estava se escondendo.

*Clique. Pedido feito.* Um colar de diamantes. Pesado, caro, inegável.

Digitei o bilhete para acompanhar: *'Volte para casa. Pare de joguinhos. Eu te perdoo.'*

Isso funcionaria. Laura era suave. Ela era maleável. Ela sempre me perdoava no final.

Mais tarde naquela tarde, eu estava enterrado em papelada no meu escritório quando Ariana entrou de rompante. Ela estava praticamente brilhando, irradiando uma energia frenética.

"Bernardo!" ela gritou, agitando um pedaço de papel amassado no ar.

"Agora não, Ariana. Estou tentando salvar o orçamento para o-"

"Estou grávida!"

O mundo pareceu parar com um guincho.

Levantei-me lentamente, o orçamento esquecido na mesa de mogno. "O que você disse?"

"Fui ao médico da alcateia", ela sorriu, correndo ao redor da mesa para se sentar no meu colo, suas mãos emoldurando meu rosto. "Tenho me sentido enjoada há dias. São gêmeos, Bernardo! Herdeiros Alfa!"

Alegria, pura e instintiva, inundou minhas veias. Era isso. Este era o legado pelo qual eu estava lutando. A única coisa que Laura não conseguiu me dar.

"Você tem certeza?"

"Sim! Sinta meu cheiro!"

Enterrei meu rosto na curva do pescoço dela. Sob seu perfume de baunilha usualmente enjoativo, havia uma mudança. Uma riqueza sutil. Era fraco, quase um sussurro, mas estava lá. O cheiro inconfundível de nova vida.

"Isso muda tudo", sussurrei contra sua pele.

"Muda", ela ronronou, seus dedos traçando a linha da minha mandíbula. "Significa que eu preciso ser a Luna. Oficialmente. Os filhotes precisam de uma mãe coroada, Bernardo. Eles não podem nascer de uma amante."

Hesitei. A rejeição ainda não estava finalizada nos registros da alcateia. As legalidades eram complicadas. Mas... gêmeos.

"Ok", eu disse, a decisão se firmando. "Faremos a cerimônia. Na próxima semana."

*

POV Laura

O pacote chegou com a luz da manhã.

Sentei-me à minha pequena mesa da cozinha e abri a caixa de veludo. Dentro havia um colar de diamantes. Era pesado, ostensivo e frio ao toque.

O bilhete dobrado embaixo dizia: *Eu te perdoo.*

Encarei a tinta. Ele perdoava *a mim*? Pelo quê? Por sobreviver? Por ir embora quando ele já me havia descartado como o lixo de ontem?

Esperei a raiva vir, mas ela não veio. Em vez disso, senti um tédio profundo e exaustivo. Ele não me conhecia de jeito nenhum. Nunca conheceu.

Fechei a caixa com um estalo. Peguei o colar e desci até a loja de penhores na esquina da rua.

"Quanto?" perguntei, deslizando a caixa de veludo pelo balcão de vidro.

O homem a examinou com uma lupa e disse um preço. Era substancial. O suficiente para cobrir meu aluguel por seis meses, com muito sobrando.

"Fechado."

Peguei a pilha de dinheiro e fui direto para um abrigo de lobisomens local - um santuário para ômegas que haviam sido abusados, negligenciados ou expulsos de suas alcateias.

"Doação anônima", eu disse, entregando o envelope grosso para a voluntária atônita na recepção.

Quando voltei ao meu apartamento, o ar parecia mais leve. Comecei a limpar. Não apenas arrumar, mas *expurgar*.

Tirei a caixa que havia enfiado debaixo da cama. Ela continha os poucos artefatos que eu havia trazido da Serra de Prata que ainda não havia destruído. Fotos antigas. Uma flor seca do nosso primeiro encontro. Um canhoto de ingresso.

Acendi um fogo na pequena lareira não funcional que consegui fazer funcionar.

Uma por uma, alimentei as memórias às chamas.

Meu celular apitou no chão. Uma mensagem de Sophie. Ela sabia que eu havia bloqueado os outros, então ela continuava sendo meu único elo com a vida que deixei para trás.

*Sophie: Laura... Ariana está grávida. Gêmeos. Bernardo anunciou que a Coroação da Luna acontecerá na próxima semana.*

Parei, uma fotografia de Bernardo e eu pairando sobre o fogo.

Grávida? Já?

Franzi a testa. A biologia dos lobos não funcionava tão rápido. Mesmo que eles estivessem dormindo juntos há meses, o cheiro de uma gravidez múltipla não seria forte o suficiente para confirmar gêmeos tão cedo sem um exame de sangue. E o médico da Alcateia era antiquado; ele confiava quase exclusivamente no cheiro.

A menos que...

Uma memória surgiu. O cheiro de Ariana na festa, logo antes de eu partir. Aquela doçura enjoativa.

Baunilha e... *podridão*.

Percebi o que era. Havia uma erva específica. *Raiz de acônito misturada com hormônios sintéticos.* Era um coquetel antigo e proibido usado por lobos desesperados. Podia imitar o cheiro da gravidez, mascarando a realidade estéril com uma falsa riqueza. Mas por baixo, sempre cheirava a decomposição.

Ela estava fingindo. Ou estava usando magia negra.

Olhei para a foto em minha mão. Bernardo estava sorrindo, jovem e arrogante, completamente inconsciente da víbora em sua cama.

"Seu idiota", sussurrei para o papel brilhante. "Você está coroando uma fraude."

Eu poderia avisá-lo. Poderia enviar uma mensagem, expor a mentira e salvar a alcateia de coroar uma falsa Luna.

Observei as chamas dançarem, famintas e brilhantes.

"Não", eu disse em voz alta.

Joguei a foto no fogo.

Observei as bordas se curvarem e enegrecerem. Observei o rosto sorridente de Bernardo borbulhar, distorcer e derreter em cinzas cinzentas.

"Não é minha alcateia. Não é meu circo. Não são meus macacos."

Levantei-me e limpei a fuligem das minhas mãos.

O fogo crepitava, quente e purificador, consumindo o último laço com meu passado.

Virei-me de costas para a lareira e caminhei em direção ao meu cavalete. Peguei um pincel, sentindo seu peso, familiar e reconfortante.

A Loba Branca dentro de mim se espreguiçou, sacudindo a última poeira cinzenta.

Era hora de pintar algo novo. Algo vibrante.

Era hora de viver.

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