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O Segredo da Luna Rejeitada: O Despertar do Lobo Branco
img img O Segredo da Luna Rejeitada: O Despertar do Lobo Branco img Capítulo 1
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O Segredo da Luna Rejeitada: O Despertar do Lobo Branco

Autor: Yue Man Shuang
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Capítulo 1

Por três anos, meu marido Alfa me forçou a tomar inibidores, alegando que minha linhagem era "fraca" demais para gerar seu herdeiro sem que eu morresse no processo.

Eu acreditei nele. Engoli os comprimidos e as mentiras para ser sua Luna perfeita e submissa.

Mas durante o ataque de renegados no Baile da Vitória, a verdade finalmente me estilhaçou.

Um lobo selvagem saltou na direção da minha garganta. Gritei o nome de Bernardo, paralisada de pavor, sem minha loba para me proteger.

Ele olhou para mim. Depois, olhou para sua amante, Ariana, que estava encolhida atrás de uma mesa, com sua loba totalmente acessível.

Ele me deu as costas.

Ele derrubou o renegado que a atacava, me deixando exposta para ser dilacerada.

Se o Beta dele não tivesse intervindo no último segundo, eu teria morrido ali mesmo, no chão do salão de baile.

Quando a luta acabou, Bernardo nem sequer olhou na minha direção. Estava ocupado demais mimando um arranhão insignificante de Ariana, ignorando a esposa que quase fora massacrada.

Percebi então que os comprimidos não eram para a minha segurança. Ele estava me mantendo estéril e dócil até que pudesse me substituir por ela.

Subi as escadas, passando pelos destroços do meu casamento, e joguei os inibidores na privada.

Então, peguei um papel timbrado da alcateia e escrevi as palavras que destruiriam o mundo dele.

"Eu, Laura Menezes, rejeito você, Bernardo Monteiro, como meu companheiro."

Deixei o bilhete na mesa de cabeceira, peguei meu passaporte e saí noite adentro, sem nunca olhar para trás.

Capítulo 1

POV Laura

A luz da lua se espalhava pelo chão do quarto como água parada, fria e indiferente.

Sentei na beirada da cama, meus nós dos dedos brancos enquanto eu agarrava os lençóis de fino algodão egípcio.

Uma dor surda pulsava no meu baixo ventre. O Cio.

Não era o fogo consumidor prometido nas histórias antigas. Era uma dor doentia, pesada, sufocada sob camadas de contenção química. Olhei para o frasco de pílulas na mesa de cabeceira. *Inibidores.*

Bernardo os colocou na minha mão pela primeira vez há três anos.

"Sua linhagem é fraca demais, Laura", ele dissera, sua voz gotejando aquela autoridade de Alfa que fazia meus joelhos tremerem e minha vontade desmoronar. "Se eu te atar, se meu sangue de Alfa se misturar com o seu durante o Cio, isso pode te matar. Tome isso. Para sua própria segurança."

Eu engoli a mentira junto com o comprimido.

Eu era a Luna da Alcateia da Serra de Prata. Era um título que impunha respeito dos territórios vizinhos, um título que significava que eu era a mãe da alcateia. Mas dentro destas paredes? Eu era um fantasma. Eu era a guardiã dos arquivos, a organizadora de festivais, o rosto sorridente ao lado do Alfa.

Mas eu não era marcada.

Três anos de casamento, e Bernardo nunca havia cravado os dentes na curva do meu pescoço. Ele nunca havia completado o laço.

Levantei-me, alisando a seda azul-gelo do meu vestido. Hoje à noite era o Baile da Vitória. Eu tinha que descer. Eu tinha que sorrir.

O salão de baile era sufocante. O cheiro de champanhe e carne assada se misturava com o almíscar pesado dos lobos se transformando. Fiquei na sombra de um pilar, meus olhos varrendo a multidão.

Lá estava ele.

Bernardo Monteiro. Meu companheiro. Meu Alfa.

Ele estava perto do centro do salão, segurando um copo de líquido âmbar. Parecia magnífico, seus ombros largos, sua mandíbula afiada o suficiente para cortar vidro. Mas ele não estava me procurando.

Seus olhos estavam fixos em Ariana Dias.

Ariana era filha do nosso Gama. Ela era pequena, com cabelos escuros em cascata e uma risada que soava como sinos de vento. Ela tocou o braço de Bernardo, seus dedos demorando em seu bíceps.

Inspirei bruscamente.

Meus sentidos, embora amortecidos pelos inibidores, ainda captaram. Por baixo do cheiro de Bernardo - que geralmente cheirava a chuva e pinho da floresta - havia algo mais. Algo doce. enjoativo. Como baunilha e podridão.

Era o cheiro dela. Estava por todo ele.

Fechei os olhos, memórias da nossa infância inundando minha mente. Brincávamos no riacho. Ele me prometeu o mundo. Ele me disse que éramos Companheiros de Alma. Eu acreditei nele. Acreditei tanto que aceitei um casamento sem marca, uma cama sem calor, um título sem poder. Aceitei ser uma Luna estéril porque ele disse que queria me proteger.

Abri os olhos e os vi se movendo em direção à varanda.

Eu os segui, mantendo distância, deslizando para o nicho perto das pesadas cortinas de veludo. Eu não queria ver. Eu só queria estar errada.

Estendi minha mente, tentando encontrar o fio do nosso laço. Estava fino, desgastado como uma corda velha. Forcei a barreira mental que ele geralmente mantinha.

*...ela é tão sem graça, Marcos.*

A voz de Bernardo ecoou no Elo Mental. A projeção não era para mim. Ele estava falando com seu Beta, Marcos, mas não a havia protegido adequadamente.

Minha respiração falhou.

*Ela é uma boa administradora*, a voz de Marcos respondeu, hesitante. *Ela mantém a alcateia funcionando.*

*Uma alcateia precisa de herdeiros, Marcos*, Bernardo zombou. Eu podia ouvir o tilintar de vidro em sua mente. *Laura é fraca demais. Ela é mansa demais. Eu preciso de uma Luna de verdade. Alguém com fogo. Ariana... ela está pronta. A Deusa da Lua pode ter cometido um erro com a Laura, mas eu posso consertar isso. Hoje à noite, sob a lua cheia, vou garantir que a alcateia tenha o herdeiro que merece.*

O mundo girou em seu eixo.

Ele não estava me protegendo de seu sangue de Alfa. Ele estava me mantendo estéril. Ele estava me mantendo dócil, pronta para ser descartada.

Minha Loba Interior, geralmente uma coisa quieta e adormecida, soltou um gemido baixo e lúgubre. Ainda não era raiva. Era o som de um coração se partindo.

Dei um passo para trás, com a intenção de fugir para o meu quarto, mas uma sirene estilhaçou o ar.

*RENEGADOS!*

O grito mental rasgou o Elo Mental.

O salão de baile explodiu em caos. Vidros se estilhaçaram. Gritos irromperam. As pesadas portas duplas se abriram, e lobos - desfigurados, selvagens, cheirando a enxofre e loucura - entraram.

"Bernardo!" gritei, minha voz humana falhando.

Eu o vi. Ele estava do outro lado do salão, se transformando. Suas roupas se rasgaram enquanto ele se transformava em um enorme lobo negro como a meia-noite.

Um renegado, espumando pela boca, avançou em minha direção. Eu congelei. Eu não tinha minha loba. Os inibidores tornavam a transformação quase impossível.

Olhei para Bernardo. Sua enorme cabeça de lobo se virou. Ele me viu. Ele viu o renegado no ar, garras estendidas em direção à minha garganta.

Então, ele olhou para a esquerda.

Ariana estava encolhida atrás de uma mesa, um renegado a circulando. Ela tinha sua loba. Ela podia lutar. Eu não podia.

Bernardo não hesitou.

Ele me deu as costas.

Ele se lançou contra o renegado que atacava Ariana, derrubando-o no chão, me deixando exposta.

O tempo não apenas desacelerou; ele se cristalizou. Observei os dentes amarelos do renegado estalarem a centímetros do meu rosto. Senti seu hálito podre. Percebi, com uma clareza mais fria que a lua, que eu ia morrer. E meu companheiro escolheu salvar sua amante.

Um borrão de pelo marrom se chocou contra o renegado, jogando-o para longe de mim.

Era Marcos.

Ele arrancou a garganta do renegado com um único movimento e voltou à forma humana, nu e ensanguentado, respirando com dificuldade. Ele olhou para mim, seus olhos arregalados de horror e pena.

"Luna... você está bem?"

Olhei por cima dele. Bernardo estava de pé sobre Ariana, roçando o focinho em seu pescoço, verificando se ela tinha arranhões. Ele nem sequer olhou para trás para ver se eu estava viva.

Minha Loba Interior silenciou. O gemido parou. A esperança parou.

"Estou bem, Marcos", eu disse. Minha voz estava firme. Aterradoramente firme. "Não se desculpe por ele."

Virei-me e saí do salão de baile. Caminhei pelo sangue e pelo vidro. Subi a grande escadaria.

Fui para o nosso quarto.

Tirei o colar de pedra da lua do meu pescoço - o símbolo da Luna. Coloquei-o na mesa de cabeceira.

Fui até o armário e peguei uma pequena bolsa escondida atrás dos casacos de inverno. Não coloquei roupas. Coloquei meu passaporte, meu caderno de esboços e um maço de dinheiro que eu havia economizado vendendo minha arte online sob um pseudônimo. Eu estava economizando para um dia chuvoso, nunca admitindo para mim mesma que a tempestade já estava aqui.

Fui ao banheiro e joguei os inibidores na privada. Dei a descarga.

Então, peguei o documento.

Era um "Acordo de Dissolução de Companheirismo" genérico que o pai de Bernardo, o antigo Alfa, havia elaborado anos atrás "para o caso de". Bernardo não sabia que eu tinha uma cópia.

Eu assinei.

Então peguei um pedaço de papel timbrado da Alcateia. Peguei uma caneta.

*Eu, Laura Menezes, rejeito você, Bernardo Monteiro, como meu companheiro e Alfa.*

Ainda não senti o rompimento do laço. Ele tinha que aceitar, ou eu tinha que estar longe o suficiente para que a distância o rompesse naturalmente.

Coloquei o bilhete em cima do colar.

Saí do quarto. Saí da casa da Alcateia. Saí da minha vida. O caos do ataque estava diminuindo, os guerreiros cuidando dos feridos. Ninguém olhou para a Luna deslizando para as sombras.

Disquei um número em um celular descartável.

"Corvo Negro", uma voz distorcida atendeu.

"É a Laura", eu disse. "Preciso da extração. Agora. E preciso que meu cheiro seja apagado."

"Destino?"

"Paris", sussurrei. "Leve-me para Paris."

Ao entrar no sedã preto que esperava na borda do território, olhei para trás uma última vez. A lua estava alta e cheia, indiferente à minha dor.

Bernardo, você acha que vai gerar um herdeiro esta noite. Mas você acabou de perder sua esposa.

Minha Loba Interior se mexeu. Sentia-se fraca, mas pela primeira vez em três anos, sentia-se livre.

            
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