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Cristal
img img Cristal img Capítulo 1 Prólogo
1 Capítulo
Capítulo 6 Iniciação img
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Capítulo 9 Uma ideia img
Capítulo 10 Fuga img
Capítulo 11 Reencontro img
Capítulo 12 Um chamado img
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Capítulo 17 Surpresas noturnas img
Capítulo 18 A casa de pedra img
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Capítulo 20 Confusão img
Capítulo 21 Fuga img
Capítulo 22 Reencontro img
Capítulo 23 Esclarecimentos img
Capítulo 24 Um novo lugar para chamar de lar img
Capítulo 25 Êxito img
Capítulo 26 Declaração img
Capítulo 27 Planos e ação img
Capítulo 28 Partida img
Capítulo 29 Visitas noturnas img
Capítulo 30 Regresso img
Capítulo 31 Frio img
Capítulo 32 A volta das flores img
Capítulo 33 Despedidas img
Capítulo 34 Tempo livre e preocupação img
Capítulo 35 Terror img
Capítulo 36 Desesperança img
Capítulo 37 Tensão img
Capítulo 38 Nascimento img
Capítulo 39 Um ato rebelde img
Capítulo 40 Novas aliadas img
Capítulo 41 Esperança img
Capítulo 42 Reencontro img
Capítulo 43 O que aconteceu img
Capítulo 44 Na escuridão das árvores img
Capítulo 45 Feridos img
Capítulo 46 Nova moradia img
Capítulo 47 Recuperação img
Capítulo 48 Mágoa img
Capítulo 49 Perguntas difíceis img
Capítulo 50 Novos planos img
Capítulo 51 Olhos abertos img
Capítulo 52 Frio e chuva img
Capítulo 53 Culpa img
Capítulo 54 Confissões img
Capítulo 55 Uma surpresa img
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Capítulo 57 Separação img
Capítulo 58 No túnel img
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Capítulo 60 Grito img
Capítulo 61 União e força img
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Cristal

Autor: Paula Albertão
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Capítulo 1 Prólogo

PARTE 1 – DAMAS E SENHORES

Com passos suaves e silenciosos, a mulher saiu por entre as pedras que formavam a entrada de uma caverna e desceu alguns metros em direção à um lago de águas cristalinas. A luz do sol que acabara de nascer refletia nas águas completamente imóveis, lançando milhares de reflexos.

Os pés descalços da mulher apontavam por debaixo da barra do grande vestido longo e branco, pisando com firmeza pelo terreno irregular como se conhecesse cada detalhe do solo incerto.

Às margens do lago, ela se abaixou, revelando um pequeno embrulho de tecidos preso aos braços finos e compridos. Seus olhos vasculharam o rostinho adormecido ali no meio. A expressão da bebê era de profunda paz, ignorando tudo que acontecia ao seu redor.

- Morgana. – uma voz a suas costas fez com que se virasse, prendendo o bebê ao peito novamente, num instinto protetor.

- Você me assustou. – respondeu Morgana, deixando que seu corpo tocasse o chão, sentando-se na margem do rio. Seu coração batia acelerado com o susto, mas a dona da voz não representava perigo para nenhuma das duas. Voltou-se para a frente novamente e passou a embalar o bebê, que agora estava com os olhinhos bem abertos.

A outra mulher desceu até o seu lado com igual silêncio e também se sentou:

- O que faz aqui fora? – Morgana lançou seu olhar a ela demonstrando reprovação.

- Vi você sair. – respondeu prontamente – Por que trouxe a bebê para o lago?

- Pretendo lhe dar o banho. – a resposta saiu fácil, sem hesitação, o que causou um arquejo de surpresa na outra – O que foi, Matilda? Ela é uma de nós. – agora a voz de Morgana trazia uma nota de irritação.

- Você não sabe. – a outra replicou rapidamente - Madalena é quem deveria... – mas Matilda não conseguiu completar a frase, baixando o tom de voz gradualmente.

- Madalena não está aqui. – Morgana disse tristemente – E na falta dela, sou eu quem devo fazer isso. – apesar de triste, sua voz soava firme e cheia de certeza.

As duas mulheres se olharam com tristeza por um instante, depois Matilda apenas assentiu enquanto os dedos habilidosos de Morgana desembrulhavam a bebê e depois a mergulhavam nas águas do lago sem hesitação.

A pequena bebê abriu muito os olhos, rapidamente atenta ao contato novo em sua pele, mas não chorou, e pareceu que estava até mesmo gostando de estar dentro da água após poucos instantes.

- Viu? – Morgana disse enquanto jogava um punhado de água sobre sua cabecinha – Ela é uma de nós, sim.

Matilda não soube como protestar, a bebê quase sorria para as duas sem aparentar qualquer incomodo por estar sem roupa nas águas frescas ao raiar do sol. Suas mãozinhas pequenas se agitavam e pareciam querer reconhecer o novo ambiente onde estava. Não havia como não sorrir para essa cena.

As duas tornaram a enrolá-la nos panos juntas e então Matilda olhou para a outra com suavidade na voz perguntou:

- O que faremos agora?

Morgana olhou a bebê, que já dormia novamente, totalmente alheia a tudo que estava acontecendo. Não sabia o que responder. Ou melhor, sabia, mas preferia não ter que dizer em voz alta.

- Acho que você sabe, Matilda. – ela embalava a bebê adormecida – Vamos ter que deixá-la no orfanato. – preferia ter feito isso sem ter que ter uma conversa com a outra.

- No orfanato? – os olhos de Matilda ficaram tristes – Não acha que uma de nós poderia... – deixou a sugestão no ar, cheia de expectativa.

- Creio que não nos será permitido. – Morgana suspirou.

Diante disso, não havia mais nada a ser dito, e duas mulheres se levantaram lentamente e voltaram pelo caminho por onde vieram, sumindo pela entrada da caverna.

Logo haveria uma grande viagem a ser feita.

            
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