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Cristal
img img Cristal img Capítulo 5 Damas e Senhores
5 Capítulo
Capítulo 6 Iniciação img
Capítulo 7 Primeira semana img
Capítulo 8 Novo amigo img
Capítulo 9 Uma ideia img
Capítulo 10 Fuga img
Capítulo 11 Reencontro img
Capítulo 12 Um chamado img
Capítulo 13 Solidão img
Capítulo 14 Novas férias img
Capítulo 15 Tudo estranho img
Capítulo 16 Boa companhia img
Capítulo 17 Surpresas noturnas img
Capítulo 18 A casa de pedra img
Capítulo 19 Realização img
Capítulo 20 Confusão img
Capítulo 21 Fuga img
Capítulo 22 Reencontro img
Capítulo 23 Esclarecimentos img
Capítulo 24 Um novo lugar para chamar de lar img
Capítulo 25 Êxito img
Capítulo 26 Declaração img
Capítulo 27 Planos e ação img
Capítulo 28 Partida img
Capítulo 29 Visitas noturnas img
Capítulo 30 Regresso img
Capítulo 31 Frio img
Capítulo 32 A volta das flores img
Capítulo 33 Despedidas img
Capítulo 34 Tempo livre e preocupação img
Capítulo 35 Terror img
Capítulo 36 Desesperança img
Capítulo 37 Tensão img
Capítulo 38 Nascimento img
Capítulo 39 Um ato rebelde img
Capítulo 40 Novas aliadas img
Capítulo 41 Esperança img
Capítulo 42 Reencontro img
Capítulo 43 O que aconteceu img
Capítulo 44 Na escuridão das árvores img
Capítulo 45 Feridos img
Capítulo 46 Nova moradia img
Capítulo 47 Recuperação img
Capítulo 48 Mágoa img
Capítulo 49 Perguntas difíceis img
Capítulo 50 Novos planos img
Capítulo 51 Olhos abertos img
Capítulo 52 Frio e chuva img
Capítulo 53 Culpa img
Capítulo 54 Confissões img
Capítulo 55 Uma surpresa img
Capítulo 56 Novidades img
Capítulo 57 Separação img
Capítulo 58 No túnel img
Capítulo 59 Vamos embora img
Capítulo 60 Grito img
Capítulo 61 União e força img
Capítulo 62 Fim e começo img
Capítulo 63 Epílogo img
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Capítulo 5 Damas e Senhores

- Por que foi uma surpresa a senhora estar aqui? – Cristal perguntou enquanto a Dama Mestra a guiava escadaria acima. Subir as escadas a fazia se lembrar das incontáveis subidas e descidas pela escadaria muito mais simples do orfanato.

- Porque, como Dama Mestra, tenho muitos assuntos para cuidar. – esclareceu a senhora, colocando Cristal dentro de um cômodo que ela reconheceu como um quarto. Violeta apontou para uma das camas.

- E por que veio? – perguntou, colocando a mala na cama que lhe era indicada. Era um colchão bem mais macio que o do orfanato e havia uma cortina que poderia rodear toda a cama, dando privacidade para quem estivesse dormindo.

- Porque eu gostava de sua mãe. – a resposta da mulher surpreendeu Cristal – Ela estudava para ser como eu no futuro.

Cristal sentou na cama tentando imaginar a mãe como uma espécie de líder, cheia de sabedoria, mas era difícil porque ela não tinha nem mesmo uma imagem do seu rosto para recriar.

- Você pode acabar seguindo esse caminho também. – a Dama Mestra sentou ao seu lado. – Há várias coisas para se aprender. – ela parecia ser muito gentil.

- De quem são as outras camas? – Cristal apontou as outras três camas vazias encostadas nas outras paredes.

- Pensei que ficar perto de Lis lhe animaria. – sorriu, e Cristal se sentiu bem por ter alguém amigável por perto. – As outras duas são novatas também. – acrescentou.

Depois disso, a mulher deixou que Cristal instalasse as coisas no quarto. Ela descobriu que embaixo da cama haviam gavetas para guardar suas coisas, não eram muito grandes, mas ela não tinha tantas coisas para colocar dentro também.

Quando abriu a mala, encontrou os desenhos que Simas lhe dera e sentiu enormes saudades dele. Havia o último que era seu rosto, mas também havia um dos dois mais jovens do que atualmente, um de um gato que um dia passara pelo orfanato e um do próprio Simas, quase como ele era agora. Como seriam seus dias sem ele?

- Oi. – a voz animada de Lis trouxe Cristal de volta para o presente – Que bom que você está aqui!

- Oi. – respondeu, sem tanto entusiasmo. Estava se sentindo incrivelmente atolada por tantas informações ao mesmo tempo.

Lis sentou na própria cama, sorrindo com seu vestido amarelo e parecendo verdadeiramente feliz pelo contato com a prima.

- O que você estuda? – Cristal perguntou.

- Quero fazer parte de Curadoras. – disse – São Damas que tratam dos males em geral. – acrescentou, percebendo que Cristal não entendera. – Minha mãe é Cuidadora, o que significa que ela trata das idosas com dificuldades.

- Entendi. – disse Cristal andando até ela – O que tia Morgana faz?

- Faz parte das Protetoras. – disse Lis com olhos cheios de admiração – Para cuidar das pessoas de modo geral. – acrescentou – Petúnia também quer ser assim.

- O que significa isso? – Cristal não entendera a diferença de uma Curadora e uma Protetora.

- A Protetora cuida do bem-estar do povo. – esclareceu Lis – Da paz e do controle das coisas. Esse tipo de coisa. – Cristal não podia nem imaginar que tipo de coisa era essa, mas achou melhor deixar o assunto para lá por enquanto. Haveria tempo para entender essas coisas.

Cristal andou até a janela e olhou para baixo. Viu várias meninas de amarelo circulando por um grande jardim florido e com belas árvores frutíferas. Havia mais construções como a que ela estava agora e outras que não dava para saber como eram.

Além dos limites dos muros da Casa Amarela, ao longe, Cristal avistou uma construção similar, porém verde. O espaço entre as duas era recheado com casas em forma de pirâmide como a de Morgana.

- Lá estão os homens e os meninos. - disse Lis, parando ao seu lado e parecendo ligeiramente corada nas bochechas ao dizer isso.

- Vocês não se misturam? – perguntou e depois se corrigiu: - Nós. – ali era seu lar agora.

- Sim, mas não muito. – Lis respondeu vagamente.

- E garotos da nossa idade? – Cristal forçou os olhos no horizonte.

- Não muito. – Lis respondeu timidamente – Eles também passam muito tempo estudando e tudo mais.

Cristal olhou para o lado oposto à Casa Verde e observou uma construção mais afastada, com vários quilômetros vazios de terreno a sua volta. Parecia ser feita de pedra, e não de tijolo e madeira como tudo que a garota observara até agora.

- O que é aquilo, Lis? – apontou com o dedo.

- Ah! – exclamou Lis com um suspiro – Aquela é a Casa para qual nos recolhemos quando somos chamados para reproduzir para nosso povo. – pela primeira vez ela parecia nervosa, verdadeiramente nervosa.

- E como é feito? – Cristal perguntou curiosa.

Lis sentou-se na cama, parecendo um pouco desconfortável com o assunto, seu rosto estava muito sério.

- Há um ritual. – começou a explicar em voz baixa – Nós vamos até o lago e escolhemos uma pedra.

- O lago lá fora? – Cristal sussurrou atenta.

- Não. – respondeu Lis com um visível desconforto – Aquele lago. – ela tornou a levantar e apontou a direção. Cristal a imitou rapidamente.

À direita da Casa Verde havia um lago, mas as suas águas eram mais escuras da que as do lago pela qual Cristal havia passado antes.

- Certo. – disse observando ao longe – E o que é feito?

- Um anel. - Lis mostrou a mão direita com um anel trabalhado em prata com uma pequena pedra no meio.

Cristal observou o anel e a pedra transparente, sem entender o que isso tinha a ver com a reprodução. Não fazia o menor sentido e as coisas não pareciam ligadas uma na outra.

- A pedra está transparente porque não estou pronta. – Lis baixou a mão com um suspiro. Se pudesse, ela não falaria sobre isso, observou Cristal. Estava completamente sem jeito com esse assunto e não tinha mais o ar alegre de poucos minutos atrás. – Está igual quando peguei no lago ano passado. – constatou.

- Você nunca perguntou à tia Matilda sobre isso? – o que seria mais natural do que conversar com a própria mãe sobre algo assim? Cristal adoraria ter a própria mãe para prepará-la para o que aconteceria com ela algum dia.

- Sim, mas ela não pode falar sobre isso. – Lis não olhava mais para Cristal, talvez perdida nas próprias memórias ou porque estava no limite da vergonha com a insistência naquele assunto.

Cristal abriu a boca para fazer muitas outras perguntas, mas uma mulher entrou no quarto segurando um vestido amarelo nas mãos. Lis pareceu aliviada pela interrupção.

- Olá, Cristal. – ela disse – Meu nome é Anette, sou uma Dama Professora e sou responsável pela Casa Amarela.

Anette estendeu o vestido amarelo e Cristal pegou com cuidado, observando como o tecido era suave e delicado ao toque. Certamente aquilo seria o que usaria por um longo tempo, como todas as outras meninas que tinha visto.

- Dentro de uma hora iremos ao ritual de Iniciação. – a voz de Anette era firme – Você pode ajudá-la, Lis?

- Claro. – respondeu a menina com respeito.

Anette virou-se e saiu, sem se despedir, e Lis fechou a porta do quarto para que a outra pudesse se vestir.

- Esse ritual tem algo a ver com isso que você acabou de contar? – perguntou Cristal com uma onda de nervosismo.

Lis assentiu, séria.

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