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Cristal
img img Cristal img Capítulo 4 Um novo lar
4 Capítulo
Capítulo 6 Iniciação img
Capítulo 7 Primeira semana img
Capítulo 8 Novo amigo img
Capítulo 9 Uma ideia img
Capítulo 10 Fuga img
Capítulo 11 Reencontro img
Capítulo 12 Um chamado img
Capítulo 13 Solidão img
Capítulo 14 Novas férias img
Capítulo 15 Tudo estranho img
Capítulo 16 Boa companhia img
Capítulo 17 Surpresas noturnas img
Capítulo 18 A casa de pedra img
Capítulo 19 Realização img
Capítulo 20 Confusão img
Capítulo 21 Fuga img
Capítulo 22 Reencontro img
Capítulo 23 Esclarecimentos img
Capítulo 24 Um novo lugar para chamar de lar img
Capítulo 25 Êxito img
Capítulo 26 Declaração img
Capítulo 27 Planos e ação img
Capítulo 28 Partida img
Capítulo 29 Visitas noturnas img
Capítulo 30 Regresso img
Capítulo 31 Frio img
Capítulo 32 A volta das flores img
Capítulo 33 Despedidas img
Capítulo 34 Tempo livre e preocupação img
Capítulo 35 Terror img
Capítulo 36 Desesperança img
Capítulo 37 Tensão img
Capítulo 38 Nascimento img
Capítulo 39 Um ato rebelde img
Capítulo 40 Novas aliadas img
Capítulo 41 Esperança img
Capítulo 42 Reencontro img
Capítulo 43 O que aconteceu img
Capítulo 44 Na escuridão das árvores img
Capítulo 45 Feridos img
Capítulo 46 Nova moradia img
Capítulo 47 Recuperação img
Capítulo 48 Mágoa img
Capítulo 49 Perguntas difíceis img
Capítulo 50 Novos planos img
Capítulo 51 Olhos abertos img
Capítulo 52 Frio e chuva img
Capítulo 53 Culpa img
Capítulo 54 Confissões img
Capítulo 55 Uma surpresa img
Capítulo 56 Novidades img
Capítulo 57 Separação img
Capítulo 58 No túnel img
Capítulo 59 Vamos embora img
Capítulo 60 Grito img
Capítulo 61 União e força img
Capítulo 62 Fim e começo img
Capítulo 63 Epílogo img
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Capítulo 4 Um novo lar

Cristal seguiu Morgana pela calçada quase vazia. Apenas algumas pessoas já estavam na rua naquele horário, a maioria trabalhadores.

O orfanato ficava nos subúrbios do povoado, onde não havia muito para ver além de casas pobres de tijolo, e a escola ficava a apenas dois quarteirões dali. Dessa forma Cristal nunca tinha visto muita coisa, e a perspectiva de ir para outro lugar para sempre era um pouco angustiante.

- Onde estamos indo? – perguntou, num misto de medo e ansiedade.

- À floresta. – Morgana apontou para o final do quarteirão.

A rua acabava onde começava uma aglomeração de árvores que se tornava cada vez mais fechada. Não parecia haver uma trilha e Cristal teve medo de andar ali, onde deveria haver inúmeros perigos.

- Aqui. – disse Morgana suavemente quando alcançaram as primeiras árvores – Aqui, venham... – primeiro Cristal achou que falava com ela, mas depois percebeu que a outra direcionava o olhar diretamente para as árvores.

Dois cavalos brancos saíram suavemente de entre as árvores e vieram até ela andando calma e majestosamente. Morgana fez uma reverência com a cabeça e os dois animais a imitaram.

- Aqui, Cristal. – Morgana gesticulou para ela, que estava parada pouco atrás, para que se aproximasse – São Cavalos-da-Floresta, vão nos levar para casa.

Cristal se aproximou com a mala, sem saber como ela se sentaria num animal grande como aquele. Os olhos de um dos cavalos a seguiu e, assim que ela se aproximou, ele se abaixou agilmente.

- Não tenha medo. – Morgana disse ajudando-a a passar as pernas sobre ele e ajeitar a mala no colo – Ele vai levá-la aonde precisamos ir. Estarei bem atrás de você.

O cavalo se levantou e Cristal se segurou como pôde enquanto ele se embrenhava entre as árvores. A floresta era escura, úmida e possuía incontáveis olhos que não se podia ver a quem pertenciam. Deveria ser repleta de outros cavalos e muitas outras coisas que ela não podia nem imaginar.

Cristal ouvia o galope do cavalo de Morgana logo atrás de si, o que era reconfortante de alguma forma, já que ela devia ter feito esse caminho muitas vezes. Prosseguiram pelo que pareceu horas naquele caminho. O suor escorria pelo corpo e fazia o cabelo grudar na testa, o corpo já estava dolorido e cansado, completamente desacostumado a se locomover daquela maneira.

Quando Cristal estava começando a ficar verdadeiramente angustiada, os cavalos diminuíram o ritmo e as árvores foram se espaçando até que chegaram a um grande lago. Os animais abaixaram para que as duas descessem e voltaram para dentro da mata suavemente.

- Chegamos. – anunciou Morgana, andando até a beira do lago.

- Não sei nadar. – Cristal se aproximou receosamente, observando as águas cristalinas.

- Não precisa. – a outra sorriu.

Morgana começou a entrar no lago tranquilamente, como se entrasse num túnel, a água se abrindo numa espécie de passagem.

Perplexa, Cristal a seguiu, observando os peixes nadando ao seu redor e acima de suas cabeças sem se incomodarem com a interrupção no fluxo da água. Seus pés faziam barulho no solo molhado do lago.

Saíram na margem do outro lado, seguras e secas, poucos minutos depois. Morgana seguiu para uma entrada de caverna formada por pedras, mas parou quando percebeu que Cristal estava parada.

- Tudo bem? – ela perguntou, observando a garota atentamente.

- O que foi isso que aconteceu? – Cristal apontou para o lago, parecia quase em choque pelo que haviam feito ainda a pouco.

- É a forma como atravessamos em segurança. – explicou como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Cristal ainda parecia confusa, e até mesmo um pouco amedrontada. Olhava a entrada da caverna com desconfiança. O que mais poderia acontecer?

- Não tenha medo, Cristal. – Morgana foi até ela e pegou sua mão. Dessa vez a menina não resistiu. – Não acontecerá nada de mal. – prometeu.

As duas andaram juntas até a entrada da caverna e, como só permitia a passagem de uma pessoa por vez, Morgana foi primeiro para mostrar que tudo estava bem.

Cristal atravessou a passagem, e a caverna se mostrou como um longo túnel escuro. Ela via o vulto de Morgana indo em direção a uma luz na outra ponta e nada mais.

- Aqui, Cristal. – Morgana disse passando pelo que seria a saída da caverna, muito semelhante com a entrada.

Cristal atravessou para a luz do dia e olhou em volta. Estavam no que se podia chamar de rua, repleta de casas de madeira em formato de pirâmide. Todas tinham um jardim na frente e uma cerca baixa.

Morgana seguiu pela rua, onde não se viam muitas pessoas. Cristal observou apenas outras duas mulheres de vestido branco andando em frente as casas.

- Essa é a minha casa, Cristal. – Morgana sorriu, atravessando um jardim florido e abrindo a porta de madeira.

A casa era simples, com móveis de madeira e poucos adornos decorativos, mas Cristal não conseguia observar com atenção porque, assim que entraram, três pessoas que se encontravam sentadas no sofá de madeira cheio de almofadas amarelas, se levantaram.

- Cristal! – a mulher de vestido branco avançou para ela, sorridente. Era muito parecida com Morgana, com os mesmos cabelos lisos e compridos – Sou Matilda, sua tia. – ela abraçou Cristal afetuosamente, deixando-a um pouco desconfortável.

- Olá. – Cristal sussurrou, colocando a mala no chão.

- Meu nome é Lis. – uma garota de vestido amarelo se aproximou. Era alta e magra, e seus cabelos estavam trançados.

- Lis é minha filha. – Matilda apressou-se em explicar – Vocês são primas e ela só tem um ano mais que você.

- E eu sou Petúnia. – a outra garota de amarelo se aproximou. Era mais séria do que Lis e aparentava ser mais velha também. Seu cabelo era bem preto e estava solto, caído por cima de um ombro.

- Petúnia é minha filha, Cristal. – Morgana esclareceu – Também é sua prima.

- Tenho dezessete anos. – anunciou Petúnia, com um tom levemente solene que lembrava o da mãe.

- É um prazer conhecer vocês. – Cristal disse educadamente, sentindo-se um pouco oprimida com todas as informações novas de uma vez.

- Bem, acho que precisamos conversar. – Morgana disse olhando o quanto Cristal parecia confusa.

- Vamos, meninas. – Matilda chamou Lis e Petúnia para fora da casa. Petúnia saiu sem olhar para trás, mas Lis deu um aceno amistoso para Cristal antes de sair.

Cristal sentou-se nas almofadas amarelas onde elas estiveram antes. Sentia-se cansada da viagem e de todas as coisas que lhe tinham sido ditas. E ainda haveria muito mais, com toda a certeza.

- Posso perguntar tudo? – ela questionou quando Morgana sentou-se ao seu lado.

- Vamos ver o que consigo responder. – Morgana respondeu com cautela.

- Onde está minha mãe? - Cristal perguntou de supetão. Era a pergunta da sua vida, perdera noites e dias pensando nisso.

- Sinto muito, Cristal. – Morgana desviou os olhos – Mas sua mãe morreu logo que você nasceu. O nome dela era Madalena.

- O que aconteceu? – suspirou, sentindo as esperanças de que reencontrasse a mãe se esvaindo como fumaça.

- Complicações do parto. – a outra respondeu apenas.

Cristal se sentiu muito triste. Embora essa sempre tivesse sido uma opção, ela tinha esperança de que a realidade fosse outra. De repente, não soube como continuar a conversa.

- Você é uma Dama. – Morgana começou diante do seu silêncio – Eu mesma a iniciei nas águas do lago, conforme o costume, já que a sua mãe não poderia fazê-lo. - Cristal focalizou seus olhos com interesse mudo, queria muito saber sobre sua história.

- Nós queríamos ficar com você. – Morgana prosseguiu – Mas eu tinha Petúnia e Matilda tinha Lis. Só é permitido uma herdeira por vez. – ela segurou as mãos da sobrinha – Tivemos que deixá-la no orfanato até uma idade em que você pudesse voltar e viver na Casa Amarela.

- O que é a Casa Amarela? – Cristal finalmente encontrou sua voz novamente.

- É onde moram as Damas jovens. – sorriu Morgana – Todas nós vamos para lá para aprender muitas coisas.

- Como uma escola?

- Como uma escola. – Morgana acenou com a cabeça afirmativamente.

Cristal balançou a cabeça. Como uma escola para moças, pensava, embora o que aprendessem deveria ser diferente do que costumava aprender na escola perto do orfanato.

- E meu pai? – perguntou, mudando de assunto. Aquela era a segunda pergunta mais importante de sua vida.

- Seu pai não era um de nós. – Morgana balançou a cabeça negativamente, em tom reprovador.

- Onde ele está? – insistiu. Haveria a esperança de encontrar parte da família se ele ainda estivesse vivo.

- Não sei. – Morgana respondeu num tom seco e definitivo.

Cristal ficou em silêncio mais alguns instantes, pensando que o pai poderia viver em algum lugar, mas sentia que a tia não gostava dele por algum motivo e resolveu não insistir no assunto.

- E os homens daqui? – perguntou.

- Quando nascem meninos, ficam com os pais. – esclareceu Morgana – E quando crescem, vão para a Casa Verde.

- Não existe casamento? – estranhou Cristal.

- Nosso povo se dedica a outras coisas. –Morgana usou novamente seu tom solene – Por isso temos nossos rituais e nossos aprendizados próprios.

Cristal ficou pensando sobre essas coisas por algum tempo, absorvendo as informações.

- Minhas primas moram na Casa Amarela? – questionou por fim.

- Sim, Petúnia já mora lá há três anos e Lis há um ano. – Morgana sorriu novamente – Você irá gostar de lá, Cristal.

Em seguida, as duas deixaram a casa de Morgana e seguiram pela rua, agora mais movimentada. Várias mulheres estavam nas casas, algumas com meninas pequenas ou com bebês, mas não havia homem algum mesmo. Era estranho pensar viver apenas no meio de meninas e mulheres, já que estava acostumada a viver misturada com todos no orfanato.

- O que acontece quando se tem irmãos? – Cristal percebeu, confusa, que a mãe tinha duas irmãs – Se só podem ter uma herdeira cada?

- Pois veja, Cristal. – disse Morgana solenemente -, que muitas coisas tem exceção. Nossa mãe foi chamada três vezes para reproduzir nosso povo e três vezes nasceram mulheres. – ela olhou para a garota seriamente – Naquela época, tínhamos acabado de nos mudar para cá e só quem atravessou o rio podia ficar. Nós éramos poucos, Cristal, então exceções assim fizeram com que o nosso povo pudesse crescer.

- Por que aqui? – Cristal perguntou, agora avistando uma imensa construção amarela nada parecida com o orfanato. Era muito grande, mas ao mesmo tempo muito delicada e florida.

- Por que é o rio que nos inicia. – disse Morgana – É como um batismo, que só nosso povo recebe de bom grado.

- Senhora. – disse Cristal quando pararam no portão de entrada da Casa Amarela, todo trabalhado em madeira. – Como funciona isso de herdeiras?

- Ainda é cedo para isso. – Morgana abriu o portão e as duas entraram, atravessando um belo jardim. – Na hora certa, você saberá de tudo. – garantiu.

Subiram uma escadaria para enormes portas de vidro, que dava para um salão espaçoso de piso frio. Havia uma escadaria para o andar de cima e outras portas para outros ambientes.

- Morgana! – exclamou uma senhora com aspecto idoso, aparecendo de uma das portas.

- Dama Mestra. – disse Morgana com respeito – Não esperava encontrá-la por aqui.

- Soube que foi buscar Cristal. – disse a mulher se aproximando. Cristal observou seus cabelos, que já eram brancos, amarrados num coque elegante. Seu vestido era cor de pérola e não branco como o das outras mulheres que ela havia visto até então. – Meu nome é Violeta. – disse mirando a garota com seus olhos gentis e amorosos.

- Prazer. – Cristal respondeu, sem saber o que deveria dizer.

Morgana se inclinou e colocou uma mão no ombro de Cristal:

- Devo ir agora. Aqui cuidarão de você. – prometeu – E suas primas estão por perto. - Com um aceno de despedida, Morgana saiu pela porta e desceu a escadaria.

Cristal se sentia um tanto insegura ali.

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